Resumo sobre Metaplasia: definição, tipos e mais!

Resumo sobre Metaplasia: definição, tipos e mais!

E aí, doc! Vamos falar sobre mais um assunto? Agora vamos comentar sobre Metaplasia, um tipo de alteração celular.

O Estratégia MED vai te ajudar em mais um conhecimento que será importante para o seu desenvolvimento profissional. Vamos lá!

Definição de Metaplasia

Metaplasia é um processo adaptativo no qual um tipo de célula adulta é substituído por outro tipo de célula em resposta a estímulos ou estresses ambientais específicos. Esse processo envolve a reprogramação de células-tronco ou a diferenciação ao longo de uma nova via, em vez de uma simples mudança fenotípica das células já diferenciadas. 

Um exemplo comum é a metaplasia epitelial, observada, por exemplo, no epitélio respiratório de fumantes, onde células epiteliais cilíndricas ciliadas são substituídas por células epiteliais escamosas estratificadas. 

Embora essa substituição possa conferir uma maior resistência aos estresses ambientais, como a exposição à fumaça do cigarro, também pode resultar na perda de importantes mecanismos de proteção, como a secreção de muco e a remoção ciliar da matéria particulada.

Conceitos semelhantes a Metaplasia

Hipertrofia é um processo pelo qual as células e órgãos aumentam de tamanho em resposta a uma demanda aumentada, como um aumento na carga de trabalho. Isso ocorre principalmente em tecidos que não podem se dividir, como o músculo cardíaco e o esquelético. 

A hipertrofia é induzida por fatores de crescimento que são produzidos em resposta a estímulos, como o estresse mecânico. Por exemplo, o aumento da demanda de contração muscular pode levar à produção de fatores de crescimento que estimulam o crescimento do músculo esquelético. 

No entanto, a hipertrofia também pode resultar de condições patológicas, como hipertensão arterial, onde o coração é forçado a trabalhar mais, levando ao aumento do tamanho das células cardíacas.

A hiperplasia, por sua vez, é o aumento no número de células de um tecido em resposta a estímulos hormonais ou outros fatores de crescimento. Isso ocorre em tecidos onde as células têm a capacidade de se dividir ou em tecidos que possuem abundantes células-tronco. Um exemplo comum de hiperplasia é a hiperplasia benigna da próstata, onde o aumento dos níveis de hormônios masculinos estimula a proliferação das células epiteliais da próstata. 

A atrofia é o processo oposto, caracterizado pela diminuição do tamanho das células e dos órgãos. Isso pode ocorrer como resultado de uma diminuição no fornecimento de nutrientes, desuso do tecido ou falta de estimulação hormonal. 

Durante a atrofia, há uma diminuição na síntese celular e um aumento na decomposição de organelas celulares, juntamente com a autofagia. Um exemplo comum de atrofia é a diminuição da massa muscular em pessoas que levam um estilo de vida sedentário ou em pacientes acamados devido a doenças prolongadas.

Além disso, a atrofia também pode ocorrer em órgãos como o cérebro, em condições como a doença de Alzheimer, onde há uma perda progressiva de neurônios e diminuição do tamanho cerebral.

Tipos de metaplasia

Existem vários tipos de metaplasia, cada um caracterizado pela substituição de um tipo específico de célula adulta por outro tipo de célula adulta. Logo abaixo, estão alguns exemplos.

Metaplasia escamosa

A metaplasia escamosa é um tipo comum de adaptação celular em que as células epiteliais normais de um tecido são substituídas por células epiteliais escamosas estratificadas. Essa alteração é frequentemente observada em resposta a estímulos ou estresses ambientais, como exposição crônica à fumaça do cigarro, poluentes ambientais ou irritantes químicos. 

Um exemplo notável ocorre no trato respiratório de fumantes crônicos, onde as células epiteliais cilíndricas ciliadas normais da traqueia e dos brônquios são substituídas por células escamosas.

A substituição das células ciliadas por células escamosas é considerada uma resposta adaptativa ao estresse induzido pelos componentes químicos presentes na fumaça do cigarro. As células escamosas são mais resistentes a danos e estresses oxidativos do que as células ciliadas, tornando-as mais capazes de sobreviver em um ambiente hostil.

A metaplasia escamosa pode resultar em uma perda significativa das funções protetoras do epitélio, aumentando o risco de danos aos tecidos. Além disso, a presença de células escamosas pode interferir na capacidade do epitélio de regenerar-se normalmente, contribuindo para a progressão de doenças crônicas.

Metaplasia intestinal

A metaplasia intestinal é uma adaptação patológica em que o epitélio de um órgão, geralmente o trato gastrointestinal, é substituído por um tipo de epitélio semelhante ao encontrado no intestino delgado. Este processo ocorre mais comumente no esôfago e no estômago em resposta a condições crônicas como o refluxo gastroesofágico ou a infecção por Helicobacter pylori.

No esôfago, a metaplasia intestinal é frequentemente observada em pacientes com esofagite de refluxo crônica, onde o ácido do estômago reflui para o esôfago de forma repetida, causando danos ao epitélio. Como uma resposta adaptativa, as células epiteliais escamosas normais do esôfago são substituídas por células epiteliais semelhantes às encontradas no intestino delgado, conhecidas como células caliciformes. Essas células secretam muco para proteger o esôfago do ácido gástrico e dos irritantes presentes no refluxo.

No estômago, a metaplasia intestinal é frequentemente associada à infecção crônica por Helicobacter pylori, uma bactéria que coloniza a mucosa gástrica e causa inflamação crônica. Nesse contexto, as células epiteliais normais do estômago são substituídas por células semelhantes às encontradas no intestino delgado, incluindo células caliciformes e células secretoras de muco. Essa transformação pode ser considerada uma tentativa do organismo de proteger a mucosa gástrica do dano causado pela inflamação crônica.

Embora a metaplasia intestinal possa representar uma adaptação inicial para proteger o tecido contra agressões ambientais, ela também está associada a um aumento do risco de desenvolvimento de condições pré-cancerosas, como a esôfago de Barrett no caso do esôfago, e a adenocarcinoma gástrico no caso do estômago.

Cervicite crônica com metaplasia escamosa

A cervicite crônica com metaplasia escamosa é uma condição que afeta o colo do útero, onde há inflamação crônica da mucosa cervical, acompanhada pela substituição do tecido epitelial normal por tecido epitelial escamoso.

A cervicite crônica é caracterizada pela presença persistente de inflamação na região cervical do útero, muitas vezes causada por infecções bacterianas, virais ou fúngicas de longa duração, traumas repetidos, exposição a irritantes químicos ou reações alérgicas. Essa inflamação pode causar desconforto, corrimento vaginal anormal e, em alguns casos, não apresentar sintomas visíveis.

A metaplasia escamosa é uma resposta adaptativa do tecido cervical à inflamação crônica. Sob condições de estresse crônico, as células epiteliais normais do colo do útero podem ser substituídas por células escamosas, que são mais resistentes à irritação e têm uma melhor capacidade de lidar com o ambiente inflamado. Esse processo é uma tentativa do organismo de se proteger contra danos contínuos.

No entanto, a presença de metaplasia escamosa não elimina a inflamação subjacente. Além disso, a metaplasia escamosa pode ser uma condição precursora para lesões pré-cancerosas, como displasia cervical, e aumentar o risco de desenvolvimento de câncer cervical, especialmente quando associada a outros fatores de risco, como infecção persistente pelo vírus do papiloma humano (HPV).

Veja também!

Referências!

KUMAR, Vinay; ASTER, Jon C.; ABBAS, Abul K.. Robbins & Cotran Patologia: bases patológicas das doenças. 9 Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2021.

Hoff, Paulo Marcelo Gehm (ed). Tratado de oncologia. SÃO PAULO: ATHENEU, 2013. 

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