Resumo sobre paralisia de Bell: diagnóstico, tratamento e mais!

Resumo sobre paralisia de Bell: diagnóstico, tratamento e mais!

A Paralisia de Bell (PB) é um tipo de paralisia facial periférica idiopática que gera angustia para médico e paciente, sendo comumente atribuída a reativação do herpes vírus. Confira os principais aspectos referentes a esta condição, que aparecem nos atendimentos e como são cobrados nas provas de residência médica!

Dicas do Estratégia para provas

Seu tempo é precioso e sabemos disso. Se for muito escasso neste momento, veja abaixo os principais tópicos referentes à paralisia de Bell.

  • É uma condição idiopática, sendo a ativação do herpesvírus uma das condições mais atribuídas.
  • O risco é três vezes maior durante a gravidez. 
  • O tipo de paralisia é periférica, ou seja, acontece toda hemiface, incluindo sobrancelhas e região de fronte. 
  • Exames de neuroimagem, preferivelmente RM de crânio, são indicados para afastar etiologias estruturais, como neoplasias. 
  • O tratamento envolve uso de glicocorticóides para todos diagnosticados e antivirais para grupos de risco para quadros graves. 

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Definição da doença

A paralisia de Bell é uma síndrome clínica idiopática caracterizada por paralisia unilateral dos músculos inervados pelo nervo facial. É uma condição de várias etiologias, mas uma das mais importantes é a infecção pelo herpesvírus. 

Epidemiologia e fisiopatologia da paralisia de Bell

Apresenta uma incidência de 20 a 30 pessoas por 100.000 por ano, sem predileção por sexo, etnia e pode atingir todas as faixas etárias, com uma frequência ligeiramente maior entre a terceira e quinta década de vida.  É a principal causa de lesão do nervo fácil, representando aproximadamente metade de todos os casos de paralisia do nervo facial periférico, acometendo igualmente os lados da face.

O risco é três vezes maior durante a gravidez, principalmente no terceiro trimestre e na primeira semana pós-parto, com uma possível relação com hipertensão na gestação. O dano microvascular e a inflamação associados ao diabetes podem representar aproximadamente 5 a 10 por cento dos pacientes com paralisia de Bell.

Anatomia do nervo facial

O nervo facial é um nervo misto, com fibras motoras que inervam os músculos faciais, autonômica parassimpática que inervam as glândulas salivares lacrimais, submandibulares e sublinguais, fibras aferentes da gustação nos 2/3 anteriores da língua e aferências somáticas do conduto auditivo externo e pavilhão auricular. 

O curso do nervo facial pode ser traçado desde sua origem no núcleo facial na ponte ventrolateral até as sinapses periféricas nos gânglios autônomos e junções neuromusculares ou neuroglandulares na face. 

A maioria das fibras da face, importantes na paralisia, emergem no forame estilomastóideo, vira anterolateralmente e passa pela glândula parótida. Essas fibras se dividem em cinco ramos: temporal, zigomático, bucal, submandibular e cervical. 

  • Temporal: Inerva o frontal, o orbicular do olho e o corrugador do supercílio.
  • Zigomático: Inerva o orbicular do olho.
  • Bucal: Inerva o orbicular da boca, bucinador e zigomático.
  • Marginal da mandíbula: Inerva o músculo depressor do ângulo da boca e ao depressor do lábio inferior.
  • Cervical: Inerva o platisma.
Crédito: Teachmeanatomy

Patogênese

Está envolvido na fisiopatologia da doença o edema perineural, infiltrados difusos de pequenas células inflamatórias arredondadas entre os feixes nervosos e degeneração de bainhas de mielina. O edema pode contribuir para compressão do nervo durante seu trajeto ósseo e o tênue suprimento sanguíneo contribui para o dano. 

Ela é considerada uma doença idiopática. No entanto, a ativação do vírus herpes simplex é a causa suspeita da paralisia de Bell na maioria dos casos, mas não há método estabelecido para confirmar isso na prática clínica. Outras causas incluem isquemia do nervo facial, insuficiência da microcirculação, hipertensão e diabetes.

Manifestações clínicas da paralisia de Bell 

Os sintomas estão relacionados com os locais de inervação das ramificações do nervo facial já descritos. Ocorre  uma paralisia  hemifacial de início súbito, que  pode se  associar  à  redução  do lacrimejamento, diminuição da sensibilidade gustativa nos dois terços anteriores da língua, além da paresia do reflexo de piscar. 

O padrão de fraqueza facial é do tipo periférica, caracterizada por fraqueza das porções superior e inferior da face, flacidez da sobrancelha, incapacidade de fechar o olho, desaparecimento do sulco nasolabial e queda do canto da boca afetado, que é puxado para o lado não afetado. 

O curso é progressivo, atingindo paralisia clínica máxima dentro de três semanas ou menos a partir do primeiro dia de fraqueza visível. Os sintomas são tipicamente unilaterais, mas podem ocorrer casos de paralisia bilateral. 

Paralisia facial do tipo periférica. Crédito: Uptodate.

#Ponto importante: O acometimento da porção superior, percebida principalmente pela flacidez da sobrancelha, diferencia da paralisia facial de origem central. 

Diagnóstico da paralisia de Bell

O diagnóstico é clínico baseado nos achados da história e exame físico. No entanto, a neuroimagem é realizada para avaliar diagnósticos estruturais da fraqueza facial, como neoplasias. A ressonância magnética do cérebro com sequências para avaliar o nervo facial e a glândula parótida é preferível, sendo o exame com maior acurácia para detecção de tumores.

Em áreas endêmicas e apresentações de paralisia bilateral, os testes sorológicos para a doença de Lyme se faz necessária, um diagnóstico diferencial importante nessas situações. 

Tratamento da paralisia de Bell

O tratamento com glicocorticóides orais é indicado para todos os pacientes diagnosticados ou altamente suspeitos de paralisia de Bell de início recente. O tratamento deve preferencialmente começar dentro de três dias após o início dos sintomas. O esquema sugerido é prednisona (60 a 80 mg/dia) por uma semana.

A terapia antiviral para infecção por herpes vírus mostrou benefício em um subgrupo de pacientes com paralisia facial grave na apresentação. A indicação do tratamento foi estendido a pacientes com maior risco de resultados desfavoráveis, incluindo imunossupressos, acreditando-se no benefício e no potencial relativamente baixo de danos de um curto período de terapia antiviral oral.

O esquema com valaciclovir 1.000 mg, três vezes ao dia, durante uma semana é preferível devido a maior facilidade de administração e maior adesão. O Aciclovir é o mais utilizado por estar disponível no SUS, com dose de 400 mg cinco vezes ao dia por 10 dias, mas é menos conveniente e tem biodisponibilidade inferior.  

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Veja também:

Referências bibliográficas:

  • RONTHAL, Michael; GREENSTEIN, Patrícia. Bell’s palsy: Pathogenesis, clinical features, and diagnosis in adults.Uptodate
  • https://forl.org.br/Content/pdf/seminarios/seminario_39.pdf.
  • Cláudio Herbert Nina e Silva; Viviane Araújo e Silva de Carvalho et al. Paralisia facial unilateral: aspectos clínicos e principais tratamentos. Braz. J. Hea.Rev., Curitiba, v. 3, n.2, p.1761-1765mar./apr. 2020.
  • Crédito da imagem em destaque:
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