E aí, doc! Vamos explorar mais um tema essencial? Hoje o foco é a Síndrome de Tietze, uma condição inflamatória rara caracterizada por dor torácica associada a edema das articulações costocondrais, geralmente envolvendo as cartilagens das primeiras costelas. Embora seja benigna, pode gerar preocupação clínica por simular causas mais graves de dor torácica, como síndrome coronariana aguda.
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Vamos nessa!
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Definição de Sìndrome de Tietze
A síndrome de Tietze é uma condição inflamatória rara e benigna caracterizada por dor torácica anterior associada a edema localizado nas articulações costocondrais ou costosternais, mais frequentemente envolvendo unilateralmente a segunda ou a terceira cartilagem costal.
Trata-se de um processo inflamatório não supurativo que pode causar desconforto significativo, embora geralmente seja autolimitado. Clinicamente, manifesta-se por sensibilidade dolorosa e aumento de volume na região afetada, podendo ocasionalmente envolver também a articulação esternoclavicular.
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Etiologias da Síndrome de Tietze
A etiologia da síndrome de Tietze ainda não é completamente conhecida. Entretanto, diferentes fatores têm sido associados ao desenvolvimento da condição, sugerindo um processo inflamatório desencadeado por múltiplos mecanismos.
- Microtraumas da parede torácica: acredita-se que pequenos traumas repetidos na região anterior do tórax possam desencadear inflamação nas articulações costocondrais ou costosternais.
- Traumas torácicos: eventos como quedas, acidentes automobilísticos ou impactos diretos no tórax podem preceder o aparecimento da síndrome.
- Aumento da pressão na parede torácica: episódios de tosse intensa ou crônica, frequentemente associados a condições como sinusite ou laringite, bem como vômitos repetidos, podem contribuir para o desenvolvimento da inflamação.
- Infecções e procedimentos cirúrgicos: infecções virais ou bacterianas e cirurgias na região torácica também foram relatadas como possíveis fatores desencadeantes.
- Doenças inflamatórias associadas: a síndrome de Tietze pode ocorrer com maior frequência em pacientes com doenças inflamatórias articulares, como a artrite psoriásica.
- Infecção por COVID-19: relatos recentes sugerem que a síndrome pode surgir após infecção assintomática por COVID-19.
Além disso, alguns estudos sugerem que a síndrome de Tietze pode não representar uma condição completamente distinta, podendo estar relacionada ao comprometimento da parede torácica anterior em doenças do grupo das espondiloartrites ou à hiperostose esternocostoclavicular.
Epidemiologia da Síndrome de Tietze
A epidemiologia ainda não é bem definida, pois sua prevalência e incidência exatas são desconhecidas. A condição parece afetar homens e mulheres em proporções semelhantes, sem relação clara com etnia, localização geográfica ou ocupação. Observa-se maior ocorrência em indivíduos com menos de 40 anos, sendo os casos menos frequentes em pessoas acima dessa idade, embora possam ocorrer.
Fisiopatologia da Síndrome de Tietze
A fisiopatologia da síndrome de Tietze envolve um processo inflamatório localizado nas articulações da parede torácica anterior, principalmente nas junções costocondrais. A condição é caracterizada pela presença de dor associada a edema localizado, geralmente sem sinais de rubor, eritema ou formação de pus.
Na maioria dos casos, o processo inflamatório ocorre na cartilagem da segunda ou da terceira costela, sendo unilateral em cerca de 70% dos pacientes. Embora menos comum, outras articulações da região torácica também podem ser acometidas, como a articulação esternoclavicular e a xifoesternal.
Ainda há discussões sobre o mecanismo exato da doença, mas alguns autores sugerem que a síndrome pode representar um processo inflamatório relacionado a doenças reumatológicas do grupo das patologias soronegativas. Os sintomas geralmente são autolimitados, embora possam ocorrer recidivas em alguns pacientes.
Manifestações clínicas da Síndrome de Tietze
As manifestações clínicas são caracterizadas principalmente por dor torácica anterior associada a edema localizado nas articulações costocondrais.
- Dor torácica: os pacientes geralmente relatam dor torácica aguda, sem história prévia de trauma. Em repouso, a dor costuma ser descrita como surda e contínua, enquanto durante movimentos ou mudanças de posição pode tornar-se aguda ou em pontada. A dor também pode irradiar para o pescoço, ombro ou braço.
- Piora com movimentos: o desconforto costuma ser posicional, sendo agravado por movimentos do braço do mesmo lado, rotação do tronco, tosse, espirros e respiração profunda.
- Edema localizado: ao exame físico, pode-se observar inchaço firme e bem localizado sobre a cartilagem da costela afetada, frequentemente com formato fusiforme. A dor é intensa à palpação da região.
- Localização das lesões: a síndrome geralmente acomete as costelas superiores (T1 a T4), especialmente a segunda e a terceira costelas, e ocorre mais frequentemente de forma unilateral.
- Alterações locais: o edema geralmente não apresenta calor intenso ou eritema marcante, embora em alguns casos possa haver leve alteração de cor ou sensação de calor na área afetada.
- Exames físicos gerais: os exames cardíaco, pulmonar e neurológico costumam ser normais, sendo sua avaliação importante para excluir outras causas de dor torácica.
Diagnóstico da Síndrome de Tietze
O diagnóstico da síndrome de Tietze é essencialmente clínico e de exclusão, sendo estabelecido após a investigação e o descarte de outras causas de dor torácica, especialmente condições potencialmente graves, como doenças cardíacas ou pulmonares.
Avaliação inicial
Em pacientes com dor torácica aguda, é fundamental realizar uma avaliação clínica completa, incluindo exame físico detalhado e eletrocardiograma (ECG), para excluir causas cardiovasculares.
Exames laboratoriais
Os exames laboratoriais geralmente são inespecíficos. Em alguns casos, podem estar presentes marcadores inflamatórios elevados, como:
- Velocidade de hemossedimentação (VHS);
- Proteína C-reativa (PCR).
Exames de imagem
Os exames de imagem auxiliam tanto na identificação de sinais inflamatórios quanto na exclusão de outras patologias.
- Ultrassonografia: considerada um dos métodos mais úteis, pois permite identificar rapidamente edema de partes moles na região inflamada.
- Ressonância magnética: permite visualizar alterações inflamatórias na gordura adjacente e na medula óssea, além de espessamento ou aumento da cartilagem afetada e edema dos tecidos moles.
- Radiografia: geralmente apresenta achados normais.
- Tomografia computadorizada: pode mostrar discreto edema focal ou leve esclerose na articulação sintomática.
- Tomografia por emissão de pósitrons (PET-CT): em alguns relatos recentes, foi utilizada para identificar atividade hipermetabólica na articulação afetada, associada a calcificações.
Outros métodos
Em casos selecionados, a biópsia da cartilagem costal pode auxiliar no diagnóstico, especialmente quando realizada nas fases iniciais da doença.
Tratamento da Síndrome de Tietze
O tratamento da síndrome de Tietze é predominantemente conservador, com foco no alívio dos sintomas e na orientação do paciente. Em geral, trata-se de uma condição benigna e autolimitada, que costuma resolver-se espontaneamente em poucas semanas, embora em alguns casos possa persistir por meses ou até cerca de um ano.
Tratamento conservador
A primeira linha de tratamento inclui medidas simples voltadas para o controle da inflamação e da dor:
- Repouso: recomenda-se evitar atividades que agravem a dor, especialmente movimentos do membro superior ou do tronco que aumentem a pressão na parede torácica.
- Anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs): são considerados o tratamento farmacológico mais eficaz, pois atuam diretamente no processo inflamatório. Geralmente são prescritos por cerca de 10 dias em dose anti-inflamatória, desde que não haja contraindicações.
- Analgésicos tópicos ou orais: podem ser utilizados para controle adicional da dor, embora os AINEs sejam, em geral, mais eficazes que medicamentos como o paracetamol.
Terapias alternativas
Em situações em que os anti-inflamatórios não proporcionam alívio adequado, outras abordagens podem ser consideradas:
- Corticosteroides orais: cursos curtos de medicamentos como prednisona ou metilprednisolona podem ser utilizados como alternativa terapêutica.
- Infiltração local: pode-se realizar injeção de anestésico local, corticosteroide ou combinação de ambos diretamente no ponto de maior dor ou edema, geralmente guiada por ultrassonografia.
- Termoterapia: alguns pacientes relatam melhora com o uso de compressas ou bolsas de calor na região afetada.
Tratamento cirúrgico
Em casos raros e persistentes, quando os sintomas são intensos e refratários ao tratamento conservador, pode-se considerar a ressecção da cartilagem afetada. No entanto, essa abordagem não é recomendada rotineiramente e deve ser avaliada individualmente.
De modo geral, a maioria dos pacientes apresenta boa evolução com tratamento conservador e medidas sintomáticas.
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Referências
Rosenberg M, Sina RE, Conermann T. Tietze Syndrome. [Updated 2024 Jan 26]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2025 Jan-. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK564363/
Aeschlimann A, Kahn MF. Tietze’s syndrome: a critical review. Clin Exp Rheumatol. 1990 Jul-Aug;8(4):407-12. PMID: 1697801.
Joshua Fenton, MD, MPH. Major causes of musculoskeletal chest pain in adults. UpToDate, 2025. Disponível em: UpToDate



