E aí, doc! Vamos explorar mais um tema essencial para a sua rotina médica? Hoje o foco é o Escore de Centor, uma ferramenta fundamental para avaliar pacientes que chegam ao pronto-atendimento queixando-se de dor de garganta, ajudando a estimar a probabilidade de uma faringite causada pelo Streptococcus do Grupo A.
O Estratégia MED está aqui para descomplicar esse conceito e orientar suas decisões no plantão, garantindo uma indicação precisa do uso de antibióticos e promovendo uma prática clínica cada vez mais eficaz e segura.
Vamos nessa!
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O que é o escore de Centor?
O Escore de Centor é um modelo de predição clínica desenvolvido para estimar a probabilidade de uma faringite aguda ser causada por Streptococcus do Grupo A (GAS) em pacientes que apresentam dor de garganta.
Ele utiliza um conjunto de sinais e sintomas identificados durante a anamnese e o exame físico para estratificar o risco do paciente. A partir dessa pontuação, o médico consegue determinar de forma rápida se há indicação para realizar exames confirmatórios ou iniciar o tratamento.
O principal objetivo dessa ferramenta é guiar a tomada de decisão no atendimento inicial. Com isso, evita-se a prescrição desnecessária de antibióticos em infecções predominantemente virais, direcionando a antibioticoterapia apenas aos casos em que há real benefício clínico.
Como aplicar o escore de Centor na correria do plantão?
Na rotina corrida do pronto-atendimento, o escore de Centor funciona como um guia muito prático para direcionar a conduta clínica diante de um paciente com dor de garganta. Sua aplicação baseia-se no somatório dos pontos obtidos na avaliação inicial, estruturando o manejo em três fluxos principais:
- 0 a 1 ponto (Baixo risco): A probabilidade de infecção por Streptococcus do Grupo A é extremamente baixa. A conduta recomendada é apenas o tratamento sintomático, sem necessidade de testes microbiológicos ou prescrição de antibióticos.
- 2 a 3 pontos (Risco intermediário): O quadro sugere incerteza diagnóstica. O manejo ideal envolve a realização de um teste rápido de detecção de antígeno (TRA) ou cultura de orofaringe, reservando a antibioticoterapia apenas para casos com confirmação laboratorial.
- 4 pontos (ou 4 a 5 no escore modificado – alto risco): Indica uma probabilidade elevada de faringite estreptocócica. Dependendo do protocolo da instituição, pode-se realizar o teste confirmatório ou iniciar o tratamento antibiótico empírico imediatamente.
Essa sistematização rápida otimiza o tempo de consulta, garante segurança ao diagnóstico e previne intervenções farmacológicas desnecessárias no plantão.
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Como calcular o escore de Centor?
O cálculo do Escore de Centor é simples e rápido, feito através da soma de 1 ponto para cada manifestação clínica identificada na consulta, totalizando uma pontuação que varia de 0 a 4 pontos. Para aplicar a ferramenta adequadamente no plantão, o médico deve avaliar o conjunto de achados do exame físico e da anamnese do paciente.
Sinais e sintomas avaliados
Durante o atendimento, deve-se somar um ponto para cada um dos quatro critérios clássicos presentes, o relato ou registro de febre com temperatura igual ou superior a 38°C, a ausência completa de tosse, sintoma tipicamente associado a infecções virais; a presença de linfadenopatia cervical anterior dolorosa à palpação; e o achado de edema ou exsudato purulento nas tonsilas palatinas ao exame da orofaringe.
Interpretação do resultado
A pontuação final obtida direciona a probabilidade estimada para a infecção por Streptococcus do Grupo A. Pontuações de 0 ou 1 indicam baixíssima chance de etiologia bacteriana, enquanto escores de 2 a 3 representam um risco intermediário e uma pontuação de 4 reflete uma alta probabilidade clínica, guiando a necessidade de exames confirmatórios ou tratamento prescrito.
Quais as diferenças entre o escore de Center e o escore de center modificado (McIsaac) ?
A principal diferença entre o escore de Centor original e o escore de Centor Modificado (ou escore de McIsaac) reside no acréscimo da variável idade para refinar a precisão diagnóstica. Enquanto o modelo clássico foi desenvolvido avaliando apenas adultos, a versão de McIsaac incorporou a faixa etária do paciente para ajustar a pontuação final, uma vez que a incidência da faringite estreptocócica varia significativamente ao longo da vida.
No escore de McIsaac, mantêm-se os quatro critérios clínicos originais e aplica-se um ajuste numérico conforme a idade. Pacientes de 3 a 14 anos recebem +1 ponto, devido à maior prevalência da infecção por Streptococcus do Grupo A nessa faixa etária. Para a faixa de 15 a 44 anos, a pontuação permanece inalterada (0 pontos). Já para indivíduos com 45 anos ou mais, subtrai-se 1 ponto do total, refletindo a menor probabilidade de etiologia bacteriana em adultos mais velhos.
Esse ajuste permite estender a aplicação do escore para a população pediátrica (a partir de 3 anos) e reduz a taxa de falsos positivos em idosos. Dessa forma, o Escore de McIsaac oferece uma estimativa de risco mais acurada para diferentes grupos etários, otimizando as decisões sobre testagem e antibioticoterapia na prática clínica diária.
Quais são as limitações do Escore de Centor?
Embora o Escore de Centor seja uma ferramenta valiosa no pronto-atendimento, o médico deve estar atento às suas limitações práticas para evitar erros diagnósticos e condutas inadequadas.
A principal limitação é a sua sensibilidade e especificidade moderadas, o que significa que uma pontuação isolada não substitui a confirmação microbiológica nem garante diagnóstico definitivo. Além disso, o modelo avalia exclusivamente o risco de infecção por Streptococcus do Grupo A, falhando em identificar outros agentes bacterianos capazes de causar faringite, como Streptococcus dos grupos C e G ou Fusobacterium necrophorum.
Outro desafio importante é a subjetividade do exame físico, já que a avaliação de edema, hiperemia ou exsudato tonsilar pode variar entre diferentes examinadores. Por fim, o escore não diferencia infecção ativa de portadores assintomáticos de estreptococo, o que pode levar ao superdiagnóstico e ao uso desnecessário de antibióticos em quadros que, na verdade, são virais.
Combatendo o uso indevido de antibióticos com o Escore de Centor
O uso indiscriminado de antibióticos nas infecções de vias aéreas superiores é um dos principais fatores que impulsionam o avanço da resistência bacteriana, além de expor os pacientes a reações adversas e custos desnecessários. Como a grande maioria das faringites agudas em adultos possui etiologia viral, prescrever antimicrobianos sem uma triagem adequada compromete a segurança da prática clínica.
Nesse cenário, o escore de Centor atua como uma importante ferramenta de stewardship de antimicrobianos na rotina do pronto-atendimento. Ao padronizar a avaliação clínica e identificar rapidamente os pacientes de baixo risco, a ferramenta fundamenta a decisão médica de reter o uso de antibióticos com segurança, direcionando o tratamento apenas para o alívio dos sintomas.
Além de proteger o paciente individualmente, a aplicação consciente do escore reduz a taxa de prescrições empíricas desnecessárias e otimiza a solicitação de exames complementares.
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Referências
MUTHANNA, Abdul Rahman et al. Diagnostic accuracy of Centor score for diagnosis of Group A streptococcal pharyngitis among adults in primary care clinics in Malaysia. Malaysian Journal of Medical Sciences, Kelantan, v. 29, n. 4, p. 88-97, ago. 2022.
FINE, Andrew M.; NIZET, Victor; MANDL, Kenneth D. Large-scale validation of the Centor and McIsaac scores to predict Group A streptococcal pharyngitis. Archives of Internal Medicine, Chicago, v. 172, n. 11, p. 847-852, 11 jun. 2012.



