E aí, doc! Vamos explorar mais um tema essencial? Hoje o foco é o Escore de Caprini, uma ferramenta quantitativa e validada de avaliação de risco projetada para estimar a probabilidade de um paciente hospitalizado ou cirúrgico desenvolver tromboembolismo venoso (TEV).
O Estratégia MED está aqui para descomplicar esse conceito e ajudar você a aprofundar seus conhecimentos, promovendo uma prática clínica cada vez mais eficaz e segura.
Vamos nessa!
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O que é o escore de Caprini?
O Escore de Caprini é uma ferramenta quantitativa de avaliação de risco desenvolvida para estimar a probabilidade de um paciente desenvolver tromboembolismo venoso (TEV), englobando condições graves como trombose venosa profunda e embolia pulmonar. Originalmente criado em 1991 e com sua revisão mais recente em 2013, o modelo atribui pontuações a diversos fatores de risco individuais fundamentados nos pilares da Tríade de Virchow, estase venosa, lesão endotelial e hipercoagulabilidade.
A pontuação pondera elementos variados, que incluem faixa etária, tempo cirúrgico, históricos pessoais e familiares de trombose, presença de neoplasias, restrição de mobilidade e condições obstétricas. À medida que o somatório de pontos aumenta, o risco de ocorrência de um evento trombótico cresce de forma exponencial, permitindo classificar os pacientes em categorias de risco bem definidas: baixo, moderado, alto e muito alto.
Essa estratificação individualizada orienta a equipe médica na escolha do esquema profilático mais adequado, definindo a necessidade, o tipo e a duração da intervenção farmacológica ou mecânica. Dessa forma, o modelo previne tanto o subtratamento em pacientes vulneráveis quanto a exposição desnecessária aos riscos de sangramento associados ao uso indevido de anticoagulantes.
Como aplicar o escore de Caprini na correria do plantão?
A aplicação do escore de Caprini na rotina dinâmica do plantão exige estratégias práticas que garantam uma estratificação precisa de risco sem comprometer o tempo de atendimento da equipe. A otimização desse processo apoia-se no uso de instrumentos padronizados e na participação ativa do próprio paciente na coleta inicial das informações.
As principais condutas para viabilizar essa aplicação no plantão incluem:
- Questionário autoaplicável: a utilização de uma ficha com linguagem simplificada permite que o paciente ou acompanhante preencha os dados de saúde prévios em cerca de 5 minutos.
- Validação médica direcionada: o profissional de saúde revisa e finaliza a pontuação em aproximadamente 6 minutos, confirmando os achados com o paciente.
- Entrevista presencial rápida: a verificação direta “face a face” previne omissões e falhas frequentes registradas na simples revisão passiva de prontuários eletrônicos.
- Momento estratégico da coleta: o preenchimento na admissão ou na consulta pré-operatória evita o estresse e as imprecisões do momento imediato antes da cirurgia.
- Checagem ativa de pontos críticos: a abordagem médica deve priorizar a investigação de itens frequentemente esquecidos, como histórico familiar de trombose, antecedentes obstétricos e presença de edema.
Essa organização possibilita uma avaliação de risco rápida, segura e padronizada, orientando a profilaxia adequada sem sobrecarregar o fluxo de trabalho hospitalar.
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Como calcular o escore de Caprini?
O cálculo do escore de Caprini é realizado somando a pontuação atribuída aos fatores de risco individuais apresentados pelo paciente no momento da admissão ou na avaliação pré-operatória. Cada condição ou característica clínica recebe um peso que varia de 1 a 5 pontos, de acordo com o seu potencial de indução ao tromboembolismo venoso.
Atribuição de pontos por fatores de risco
A pontuação total é obtida através do somatório de fatores divididos em quatro categorias principais:
- 1 ponto cada: idade entre 41 e 60 anos, IMC ≥ 25 kg/m², cirurgia menor (<45 min), varizes visíveis, edema atual em membros inferiores, infecção grave, DPOC, insuficiência cardíaca, uso de anticoncepcionais ou TRH, gestação ou puerpério recente, tabagismo, diabetes em uso de insulina, quimioterapia e tempo cirúrgico superior a 2 horas.
- 2 pontos cada: idade entre 61 e 74 anos, cirurgia maior (>45 min), histórico atual ou pregresso de neoplasia maligna, uso de cateter venoso central, imobilização com gesso e restrição do leito por 72 horas ou mais.
- 3 pontos cada: idade igual ou superior a 75 anos, histórico pessoal de TEV (TVP ou embolia pulmonar), histórico familiar de trombose e presença de trombofilias genéticas ou adquiridas.
- 5 pontos cada: artroplastia eletiva de quadril ou joelho, fratura de quadril, pelve ou perna, traumatismo grave, acidente vascular cerebral recente e lesão medular com paralisia.
Estratificação de risco e conduta
Após a soma dos pontos, o paciente é classificado em uma das quatro categorias de risco, que orientam o esquema profilático mais adequado:
- Risco baixo (0 a 1 ponto): a recomendação padrão envolve principalmente a deambulação precoce.
- Risco moderado (2 pontos): indica-se profilaxia mecânica ou farmacológica, a depender do contexto clínico do paciente.
- Risco alto (3 a 4 pontos): recomenda-se profilaxia farmacológica durante todo o período de internação hospitalar.
- Risco muito alto (5 ou mais pontos): orienta-se o uso combinado de profilaxia farmacológica e mecânica, podendo ser necessária a manutenção da anticoagulação estendida após a alta.
Paciente internou, o escore mudou: como fazer a reavaliação mais dinâmica?
Em situações frequentes durante a internação como o desenvolvimento de uma infecção pós-operatória que exija a introdução de um cateter venoso central, a restrição imprevista do leito por dor ou o surgimento de edema nos membros inferiores elevam diretamente a pontuação de risco.
O manejo dinâmico consiste em atualizar o escore sempre que houver alterações clínicas relevantes e realizar a checagem final pré-alta. Esse acompanhamento contínuo permite ajustar o tipo, a intensidade e a duração da profilaxia mecânica ou farmacológica, prevenindo complicações embólicas tanto no ambiente hospitalar quanto durante o período de recuperação no domicílio.
Quais são as limitações do escore de Caprini?
Apesar de sua ampla validação em diversos cenários clínicos, a aplicação do escore de Caprini apresenta limitações práticas que exigem atenção da equipe médica para evitar falhas na estratificação.
A principal vulnerabilidade do modelo reside na sua alta dependência da precisão das informações coletadas, uma vez que a simples revisão passiva de prontuários costuma omitir dados cruciais, como o histórico familiar de trombose e os antecedentes obstétricos.
Outra limitação importante refere-se à variação dos pontos de corte de acordo com a especialidade cirúrgica. Enquanto uma pontuação igual ou superior a 5 caracteriza o grupo de alto risco na cirurgia geral, procedimentos ortopédicos de grande porte como artroplastias e fraturas de quadril exigem limiares mais elevados, situados em 10 ou 12 pontos, para definir o risco muito alto.
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Referências
CRONIN, MaryAnne et al. Completion of the Updated Caprini Risk Assessment Model (2013 Version). Clinical and Applied Thrombosis/Hemostasis, v. 25, p. 1-10, 2019.
ABDULJABAR, Marwah; ROSS, Érica J.; CANÇÃO, Kristine. Caprini Score. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing, 2025.



