Resumo sobre amitriptilina: indicações, farmacologia e mais!

Resumo sobre amitriptilina: indicações, farmacologia e mais!

Visão geral

A amitriptilina é um fármaco utilizado a muitas décadas como antidepressivo e para dor crônica, principalmente de origem neuropática. Ele foi o segundo antidepressivo tricíclico (ATC) a aparecer no mercado para transtorno depressivo maior na década de 60. 

Nas últimas décadas perdeu espaço para os outros fármacos, como os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), para tratamento de depressão maior, principalmente por causa de seus efeitos adversos e cardiotoxicidade. 

Dicas sobre o uso da amitriptilina

  • Está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) 
  • Pacientes com sintomas depressivos e dor crônica podem ser os principais beneficiados. 
  • Deve-se ter particular atenção aos efeitos colaterais cardíacos, como bloqueios atrioventriculares. 
  • As doses para depressão maior são maiores do que para tratamento de dor neuropática/crônica. 
  • A resposta terapêutica máxima ocorre dentro de 4 a 6 semanas após início do tratamento. 

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Indicações e dosagem

A amitriptilina é utilizada para depressão desde 1961 nos Estados Unidos. Com o tempo outros antidepressivos ganharam importância, principalmente pela menor quantidade de efeitos colaterais, como os ISRSs. 

No entanto, a amitriptilina tem eficácia comprovada na depressão. A dosagem é aumentada gradualmente, iniciando de  25 a 50 mg/dia em dose única ao deitar ou em doses divididas, aumentando a cada semana incrementos de 25 a 50 mg até alcançar boa resposta e tolerabilidade até uma dose diária máxima usual de 150 mg. . 

Existe um período de latência de várias semanas antes da observação de uma melhora dos sintomas quando utiliza-se os ATCs, embora esses fármacos comecem a inibir imediatamente a recaptação de norepinefrina e de serotonina. 

A amitriptilina também é prescrita com frequência para pacientes com dor crônica e neuropática, incluindo neuropatia diabética. A dose inicial é de 10 a 25 mg uma vez ao dia, aumentando conforme tolerabilidade até 150 mg/dia. 

#Ponto importante: As doses para depressão são maiores, com efeitos significativos apenas acima de 75 -100mg. Para ter efeito sobre a dor crônica, doses de manutenção menores como 25mg podem ser suficientes. 

Este fármaco tem outras indicações off-label deste fármaco para doenças funcionais,  distúrbios do sono e psiquiátricas, incluindo:

  • distúrbios do sono, principalmente insônia; 
  • síndrome do intestino irritável;
  • psicose aguda em pacientes com esquizofrenia;
  • dor relacionados à síndrome da fadiga crônica e fibromialgia; 
  • tratamento de crianças com enurese noturna;
  • dispepsia funcional; 
  • Prevenção de cefaleia tensional e enxaqueca;
  • síndrome de dor na bexiga; 
  • neuralgia pós-herpética; 
  • Sialorréia.  

Contraindicações

  • Hipersensibilidade à amitriptilina ou a qualquer componente deste medicamento;
  • Tratamento concomitante para depressão com medicamentos inibidores da monoaminoxidase (IMAO); 
  • Se estiver recebendo tratamento com cisaprida; 
  • História de infarto do miocárdio nos últimos 30 dias. 

Efeitos adversos da amitriptilina 

O perfil de efeitos adversos dos ATC resulta de sua capacidade de ligação a diversos canais de receptores, além de seus alvos terapêuticos. As reações desagradáveis mais comuns estão destacadas em cada sistema:

  • Cardíacos: alterações do ECG dependentes da dose, mais comumente alargamento do QRS, atraso potencialmente letal da condução, como bloqueio atrioventricular de primeiro grau e bloqueio de ramo (efeito colateral mais perigoso) e arritmias cardíacas, incluindo taquicardia sinusal
  • Anticolinérgicos: xerostomia, constipação, visão turva e retenção urinária. 
  • Hematológico: aumenta o risco de sangramento, particularmente se usada concomitantemente com antiplaquetários e/ou anticoagulantes.
  • Neurológico: cefaleia, tontura, sonolência, ataxia, disfunção cognitiva, confusão mental desorientação e fadiga. 
  • Endócrinos: aumento do apetite, hiperglicemia, disfunção da libido, ginecomastia,  SIADH, ganho ou perda.  

#Ponto importante: A amitriptilina é responsável por aproximadamente 40% das mortes por overdose de antidepressivos, independentemente da classe do antidepressivo e tem estado consistentemente entre os 20 principais medicamentos envolvidos em mortes por overdose nos Estados Unidos.  

Características farmacológicas da amitriptilina 

Farmacodinâmica do Amytril

A amitriptilina inibe a recaptação de serotonina (através do receptor 5HT) e norepinefrina nas terminações pré-sinápticas aumentando a concentração sináptica desses neurotransmissores no sistema nervoso central. 

Com base na hipótese monoamínica da depressão, em que a depressão surge como resultado de uma diminuição patológica na neurotransmissão de serotonina e/ou norepinefrina, o tratamento medicamentoso com a amitriptilina se sustenta. Meta-análises posteriores também comprovaram sua eficácia, assim como de outras classes de antidepressivos. 

Além disso, esta droga bloqueia os receptores adrenérgicos, histaminérgicos e muscarínicos em doses terapêuticas, demonstrando porque possui um perfil largo de efeitos adversos.

A ação na dor neuropática parece em parte devido ao seu local de ligação comum com anestésicos locais, agindo como um bloqueador dos canais de sódio e interrompendo a cascata de sinalização normal dos potenciais de ação.  

Farmacocinética

Esta fármaco é rapidamente absorvida no trato GI, resultando em uma biodisponibilidade inicial de 90-95%, diminuindo para uma biodisponibilidade média de 53% após o metabolismo de primeira passagem. 

Sofre metabolismo hepático com desmetilação em seu principal metabólito, a nortriptilina, que tem um perfil farmacológico semelhante, e então é desmetilado para produzir demetilnortriptilina. É eliminado principalmente pela urina, predominantemente como metabólico e mínima fração como droga inalterada, com meia-vida variando 13 a 36 horas. 

#Ponto importante: Na prática, os efeitos iniciais da terapia podem ser observados dentro de 1 a 2 semanas de tratamento com melhorias contínuas por 4 a 6 semanas, podendo ser aguardado esse tempo para avaliar boa resposta ao tratamento. 

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Veja também:

Referências bibliográficas:

  • McClure EW, Daniels RN. Classics in Chemical Neuroscience: Amitriptyline. ACS Chem Neurosci. 2021 Feb 3;12(3):354-362. doi: 10.1021/acschemneuro.0c00467. Epub 2021 Jan 13. PMID: 33438398.
  • Goodman & Gilman: As Bases Farmacológicas da Terapêutica. 12ª edição. Rio de Janeiro, McGraw-Hill, 2012. 
  • GOLAN, David E. et al. Princípios de farmacologia: a base fisiopatológica da farmacoterapia. 2 ed. 
  • Pelógia, Naira Correia Cusma et al. Efeitos da amitriptilina sobre a modulação da dor aguda, em ratos submetidos à ligadura do nervo ciático. Revista Dor [online]. 2011, v. 12, n. 3 , pp. 245-249. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S1806-00132011000300010.  
  • Crédito da imagem em destaque: Pexels
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