Resumo de Acesso Vascular Intraósseo: procedimento e mais!
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Resumo de Acesso Vascular Intraósseo: procedimento e mais!

Olá, querido doutor e doutora! O acesso vascular intraósseo (AVIO) é uma alternativa eficaz para administração rápida de fluidos e medicamentos em situações emergenciais, especialmente quando o acesso venoso periférico não pode ser obtido de forma imediata. Esse método permite a infusão direta na circulação sistêmica por meio da cavidade medular óssea, garantindo absorção eficiente das substâncias. Seu uso é amplamente indicado em cenários críticos, como parada cardiorrespiratória, choque circulatório e grandes queimados.

O AVIO pode ser utilizado com segurança tanto em crianças quanto em adultos, proporcionando um acesso confiável em diferentes locais anatômicos, como tíbia, úmero e fêmur.

Conceito de acesso vascular intraósseo

O acesso vascular intraósseo (AVIO) é uma alternativa rápida e eficaz para a administração de fluidos e medicamentos diretamente na circulação sistêmica, por meio da inserção de uma cânula na cavidade medular de um osso. Esse método é utilizado em situações de emergência, quando o acesso venoso convencional não pode ser estabelecido de maneira rápida e eficiente.

Indicações do acesso vascular intraósseo 

Entre as principais indicações, destacam-se: 

  1. Parada cardiorrespiratória (PCR): em casos de PCR, especialmente em crianças, o AVIO é frequentemente a primeira escolha para infusão de fármacos, uma vez que a obtenção de um acesso venoso pode ser dificultada pela vasoconstrição periférica. 
  1. Choque circulatório: pacientes em choque hipovolêmico ou séptico frequentemente apresentam colapso venoso, tornando o acesso intravenoso desafiador. O AVIO permite a rápida administração de fluidos e agentes vasopressores nesses casos. 
  1. Grandes queimados: pacientes com queimaduras extensas podem ter comprometimento das veias periféricas, dificultando a punção venosa. O AVIO possibilita a reposição volêmica essencial para evitar agravamento do quadro clínico. 
  1. Status epiléptico: nos casos de crises epilépticas prolongadas, a administração de anticonvulsivantes deve ocorrer rapidamente. Se o acesso intravenoso não estiver disponível, o AVIO garante a infusão dos medicamentos de forma eficiente.

Contraindicações do acesso vascular intraósseo  

Contraindicações absolutas 

São situações em que o AVIO não deve ser realizado, pois o risco de danos supera os benefícios: 

  • Punção prévia no mesmo sítio: a reutilização do mesmo local pode aumentar o risco de fratura óssea, extravasamento e infecção. 
  • Fraturas no osso a ser puncionado: a presença de fraturas no local ou em regiões proximais pode comprometer a distribuição dos fluidos e aumentar o risco de complicações, como síndrome compartimental. 
  • Presença de dispositivos ortopédicos no membro afetado: placas, pinos e outros dispositivos podem impedir a correta inserção da agulha e comprometer a eficácia do procedimento.

Contraindicações relativas 

São condições que exigem avaliação criteriosa antes da realização do procedimento: 

  • Infecção no local da punção: a presença de celulite, abscessos ou outros processos infecciosos aumenta o risco de disseminação bacteriana e osteomielite. 
  • Doenças ósseas: condições como osteogênese imperfeita e osteopetrose podem fragilizar o osso ou dificultar a inserção da agulha, aumentando o risco de fraturas e falha do procedimento.

Como é feito o procedimento 

Escolha do sítio de punção 

A seleção do local ideal para a punção depende da idade do paciente e da condição clínica. Os locais mais utilizados são: 

  • Tíbia proximal: 1 a 2 cm abaixo da tuberosidade tibial, na face medial do osso. 
  • Fêmur distal: utilizado principalmente em crianças. 
  • Úmero proximal: alternativa viável em adultos. 
  • Crista ilíaca, esterno e maléolo medial: opções menos frequentes, indicadas em situações específicas.

Posicionamento do paciente 

O paciente deve estar em decúbito dorsal. No caso de punção na tíbia, posicionar um coxim abaixo da fossa poplítea para estabilização do membro. Para o úmero, manter o braço em rotação interna, com a mão sobre o abdome.

Preparo do local de punção

  • Higienizar as mãos com solução antisséptica (álcool 70%, clorexidina ou PVPI). Usar paramentação estéril, incluindo luvas estéreis, máscara e gorro.
  • Realizar antissepsia da pele com clorexidina alcoólica ou PVPI, abrangendo uma área ampla ao redor do local da punção e utilizar campos estéreis para isolar a área.
  • Se o paciente estiver consciente, administrar anestesia local com lidocaína. A anestesia deve ser injetada inicialmente na pele e, em seguida, avançar até o periósteo.

Inserção da agulha intraóssea

O membro deve ser estabilizado com a mão não dominante, evitando movimentações que possam dificultar a inserção. A agulha é posicionada em um ângulo de 90° em relação ao osso, com possibilidade de leve inclinação caudal na tíbia para facilitar o avanço.

O procedimento pode ser realizado manualmente, por meio de movimentos rotatórios, ou com o auxílio de dispositivos automatizados, como o EZ-IO. A confirmação da inserção adequada ocorre quando há uma queda súbita de resistência ao atingir a cavidade medular, indicando que a agulha está corretamente posicionada.

WellSpan York Hospital Emergency Medicine Residency Program York, PA.

Confirmação e fixação

  • A aspiração da medula óssea com uma seringa pode ser utilizada para essa confirmação, embora a ausência de retorno não exclua um posicionamento adequado. 
  • Em seguida, deve-se realizar um teste de infusão com 10 mL de solução fisiológica. Se houver resistência à injeção ou formação de edema local, a punção deve ser interrompida e realizada em outro sítio.
  • Com a posição confirmada, o dispositivo intraósseo deve ser fixado com gaze e esparadrapo ou outro método apropriado, evitando deslocamento acidental.
  • O acesso intraósseo deve ser substituído pelo acesso venoso definitivo o mais rápido possível, preferencialmente dentro de 24 horas.
WellSpan York Hospital Emergency Medicine Residency Program York, PA.

Complicações do acesso vascular intraósseo 

Embora seja uma técnica segura e eficaz, o acesso vascular intraósseo pode apresentar complicações que exigem atenção: 

  1. Fratura óssea: mais comum em pacientes com ossos frágeis, como crianças pequenas ou idosos com osteoporose.
  1. Celulite ou abscesso local: inflamação no tecido ao redor do local de punção, podendo evoluir para infecção mais grave.
  1. Síndrome compartimental: ocorre quando há extravasamento de fluidos no espaço intersticial, resultando em compressão dos tecidos e risco de necrose.
  1. Osteomielite: infecção do osso, geralmente associada à permanência prolongada do dispositivo ou à falta de assepsia adequada.

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Referências Bibliográficas 

  1. LANE, John Cook; GUIMARÃES, Hélio Penna. Acesso Venoso pela Via Intraóssea em Urgências Médicas. Revista Brasileira de Terapia Intensiva, v. 20, n. 1, p. 63-67, 2008. 
  1. DORNHOFHER, Peter; KELLAR, Jesse Z. Intraosseous Vascular Access. StatPearls. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2025.
  1. LIU, Yiju Teresa. Como fazer canulação intraóssea manualmente e com uma furadeira – Medicina de cuidados críticos – Manuais MSD edição para profissionais. Merck & Co., Inc., 2025. Acesso em: 28 fev. 2025.
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