E aí, doc! Vamos falar sobre mais um assunto? Agora vamos comentar sobre o Dreno de tórax, um dispositivo que auxilia na eliminação de fluidos na cavidade pleural.
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Definição de dreno de tórax
A drenagem torácica é um procedimento cirúrgico realizado para remover ar, líquidos ou sangue da cavidade pleural, o espaço entre os pulmões e a parede torácica. Isso é feito através da inserção de um dreno, geralmente por uma incisão na parede torácica conhecida como coracostomia.
O objetivo é esvaziar o conteúdo retido, que pode resultar de condições patológicas, como pneumotórax, hemotórax, empiema e quilotórax, ou após intervenções que afetam a cavidade torácica, como cirurgias cardíacas ou torácicas.
Embora a drenagem torácica seja um procedimento relativamente simples e amplamente utilizado na prática clínica, uma execução inadequada pode levar a complicações significativas para o paciente, tornando essencial a correta realização e monitoramento da técnica.
Indicações para o dreno de tórax
Esse dispositivo pode ser inserido em uma variedade de situações clínicas, onde a presença de ar, fluidos ou sangue na cavidade pleural compromete a função respiratória e o bem-estar do paciente.
Pneumotórax
A drenagem torácica para pneumotórax depende da gravidade e sintomas. Pneumotórax espontâneo pode necessitar de drenagem com base na extensão do acúmulo de ar e condição pulmonar, especialmente em episódios recorrentes.
O pneumotórax hipertensivo, uma forma grave, requer intervenção imediata para aliviar a pressão e prevenir complicações. Pneumotórax iatrogênico ou traumático, frequentemente associado a ventilação mecânica, também necessita de drenagem, independentemente do tamanho.
Hemotórax
O hemotórax, caracterizado pelo acúmulo de sangue na cavidade pleural, é tratado com drenagem torácica, especialmente em mais de 80% dos casos, usando drenagem tubular.
Se a drenagem inicial for insuficiente, pode ser necessária uma toracotomia para controle do sangramento e tratamento do hemotórax residual, que pode levar a complicações como empiema ou fibrotorax.
Derrame pleural
A necessidade de drenagem para derrame pleural varia com a natureza do líquido. Transudatos, com baixa concentração de proteínas, raramente necessitam de drenagem e são tratados clinicamente.
No caso de empiema, uma coleção purulenta, a drenagem torácica é essencial para tratamento. A drenagem também é indicada em hidropneumotórax e quilotórax, para remover líquidos e evitar complicações, com tratamento adicional, como dieta ou nutrição parenteral, conforme necessário.
Passo a Passo para Passagem do Dreno Torácico
- Preparação dos materiais: Reunir todos os suprimentos necessários, incluindo campos estéreis, kit de antissepsia, bandeja para drenagem de tórax e dreno torácico de tamanho adequado (28-32 F). Preparar o selo d’água e o coletor.
- Posicionamento do paciente: Posicionar o paciente com o braço do lado afetado estendido acima e flexionado no cotovelo (a menos que outras lesões impeçam essa posição). Utilizar um assistente para manter o braço na posição correta.
- Preparação do campo operatório: Ampliar e cobrir a parede torácica lateral, incluindo o mamilo, com campos estéreis no campo operatório.
- Identificação do local de inserção: Localizar o 4º ou 5º espaço intercostal, que corresponde ao nível do mamilo ou sulco infra-mamário. O local de inserção deve estar entre as linhas anterior e média axilar.
- Anestesia local: Realizar anestesia local na pele, tecido subcutâneo, periósteo da costela e pleura. Enquanto o anestésico age, usar o dreno torácico para medir a profundidade da inserção, ajustando a curva do tubo e avaliando a marcação para garantir que o orifício sentinela esteja no espaço pleural.
- Incisão: Fazer uma incisão de 2 a 3 cm paralela às costelas no local determinado. Dissecção dos tecidos subcutâneos logo acima da costela.
- Perfurar a pleura: Perfurar a pleura parietal com a ponta da pinça hemostática, segurando o instrumento perto da ponta para evitar inserção súbita e profunda. Avançar a pinça sobre a costela e abrir para alargar a abertura pleural. Confirmar a saída de ar ou fluido e realizar uma varredura com um dedo enluvado para limpar aderências e coágulos.
- Inserção do dreno: Colocar uma pinça hemostática na extremidade distal do dreno e outra na extremidade proximal, usando-as como guia para avançar o dreno no espaço pleural até a profundidade desejada.
- Verificação do dreno: Observar e ouvir o movimento do ar e a drenagem de sangue. A presença de “embaçamento” no dreno à expiração pode indicar a correta inserção no espaço pleural.
- Conexão e fixação: Retirar a pinça e conectar o dreno a um coletor em selo d’água. Usar fita adesiva para assegurar a conexão entre o dreno e o coletor.
- Fixação do dreno: Fixar o dreno à pele com fio de sutura não absorvível.
- Curativo: Aplicar um curativo estéril sobre a área e fixá-lo com fita adesiva larga.
- Radiografia: Obter uma radiografia do tórax para confirmar a posição correta do dreno.
- Reavaliação: Reavaliar o paciente para monitorar a eficácia da drenagem e o estado geral.
Cuidados da enfermagem ao paciente com dreno de tórax
A manutenção da permeabilidade e integridade do sistema de drenagem é crucial para preservar o desempenho cardiopulmonar e o bem-estar do paciente. A manipulação incorreta do dreno pode resultar em aumento da morbidade, prolongamento da hospitalização e, em casos graves, pode levar à morte.
Durante o transporte do paciente, o enfermeiro deve ter cuidado para não pinçar o dreno e manter o sistema de drenagem abaixo do ponto de inserção no tórax. Isso evita que o material drenado retorne à cavidade torácica, o que poderia causar complicações respiratórias.
Além disso, é importante que o enfermeiro monitore o volume e o aspecto do material drenado, bem como o padrão respiratório do paciente, observando sinais de insuficiência respiratória.
Quanto às coberturas ao redor do local de inserção do dreno, não existem estudos clínicos que determinem com precisão o tipo de cobertura ou a frequência ideal de troca. Portanto, essa decisão deve ser feita com base nos protocolos institucionais e na avaliação clínica individualizada de cada paciente.
A troca do selo d’água do sistema de drenagem deve ser realizada com cuidado, seguindo todas as medidas de higiene e preparação adequadas para garantir a eficiência e segurança do procedimento.
Retirada do dreno de tórax
A retirada do dreno de tórax é um procedimento delicado que deve ser realizado com extremo cuidado para evitar complicações como hemotórax, pneumotórax hipertensivo e enfisema subcutâneo. Esse dispositivo deve permanecer no paciente apenas o tempo necessário para drenar completamente o ar ou líquido da cavidade pleural.
O dreno só deve ser retirado quando a drenagem estiver estabilizada por um período mínimo de três horas, e sempre após a realização de uma radiografia de tórax para garantir que os pulmões estejam totalmente expandidos e que não haja retenção de líquido ou ar na cavidade pleural.
A técnica de retirada do dreno de tórax envolve uma série de passos rigorosos e deve ser conduzida por um médico, com o auxílio de um enfermeiro, para garantir a segurança do paciente e permitir uma rápida intervenção caso ocorra alguma complicação.
A sequência de passos inclui a higienização das mãos, administração de analgesia conforme prescrição médica, e preparação do material necessário. O paciente deve ser orientado sobre o procedimento e instruído a realizar uma expiração profunda seguida de apneia no momento da retirada do dreno.
Durante a retirada, o enfermeiro verifica a ausência de sangramento e a presença de coágulos residuais no dreno, além de assegurar que o paciente esteja na posição correta. O dreno é removido gradualmente enquanto o paciente sustenta a apneia, e o local da inserção é imediatamente fechado com sutura para evitar a entrada de ar na cavidade pleural.
Após o procedimento, realiza-se uma ausculta pulmonar e verificação de enfisema subcutâneo. O enfermeiro deve ainda realizar a anotação do procedimento no prontuário do paciente, monitorar os sinais vitais e a saturação de oxigênio, e providenciar uma nova radiografia de tórax para confirmar a remoção completa e segura do dreno.
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Referências
AMERICAN COLLEGE OF SURGEONS. ATLS – Advanced Trauma Life Support for Doctors. 10. ed. Chicago: Committee on Trauma, 2018.
KUSAHARA, Denise Miyuki; CHANES, Daniella Cristina. Revisão: HARADA, Maria de Jesus Castro Sousa. Boas práticas – dreno de tórax. São Paulo: Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo, fevereiro de 2011.