Inglaterra zera mortes por câncer de colo de útero em jovens com vacina
Créditos: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Inglaterra zera mortes por câncer de colo de útero em jovens com vacina

Estudo publicado na The Lancet confirma que vacinação contra o HPV eliminou os óbitos por câncer de colo de útero em jovens no Reino Unido

A Inglaterra registrou zero mortes por câncer de colo de útero entre mulheres de 20 a 24 anos no período de 2020 a 2024. O dado é consequência direta do programa nacional de imunização contra o papilomavírus humano (HPV), iniciado no país europeu em 2008.

As evidências constam em um estudo da Queen Mary University of London, publicado nesta quinta-feira (18) na revista The Lancet. A pesquisa aponta que meninas vacinadas entre 12 e 13 anos apresentam risco quase nulo de morrer pela doença antes de completarem 30 anos.

“O cenário atual é apenas a ponta do iceberg, e o número de vidas salvas aumentará significativamente à medida que mais pessoas vacinadas envelhecerem”, afirmou o pesquisador-chefe do estudo, Peter Sasieni.

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Impacto da imunização

O levantamento demonstrou uma redução de 80% na mortalidade por câncer cervical nessa faixa etária, em comparação com o período de 2015 a 2019. Segundo os dados apurados pelos cientistas, a vacina já evitou aproximadamente 200 mortes pela neoplasia no sistema de saúde britânico.

O imunizante atua prevenindo as infecções pelas cepas oncogênicas do HPV, responsáveis pela maioria dos diagnósticos de câncer de colo de útero. No Reino Unido, a profilaxia foi estendida ao público masculino no ano de 2019.

Alerta sobre a cobertura vacinal

Apesar da eficácia clínica comprovada, as autoridades de saúde britânicas alertam para a queda nas taxas de imunização nos últimos ciclos. O levantamento referente ao biênio 2024-2025 revelou que a vacinação atingiu 71,7% das meninas e 67% dos meninos do oitavo ano escolar.

“É necessária uma ação direcionada para alcançar as comunidades onde a adesão vacinal é menor atualmente”, explicou a diretora-executiva da Cancer Research UK, Michelle Mitchell.

A situação atual impõe os seguintes desafios para a saúde pública:

  • Cobertura vacinal abaixo da meta de 90% estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS); E
  • Hesitação vacinal pós-pandemia apontada como a causa primária para o declínio dos índices epidemiológicos.

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