A Organização Mundial da Saúde (OMS) acompanha um possível surto de hantavírus a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius, que navegava pelo Oceano Atlântico. Até o momento, três pessoas morreram e ao menos quatro apresentaram sintomas compatíveis com a doença, incluindo um paciente em estado crítico.
Segundo a OMS, sete casos foram identificados — dois confirmados em laboratório e cinco suspeitos, com início dos sintomas entre os dias 6 e 28 de abril. Os quadros clínicos incluem febre, sintomas gastrointestinais e evolução rápida para insuficiência respiratória.
A embarcação, operada pela Oceanwide Expeditions, permanece isolada na costa de Cabo Verde, com cerca de 147 pessoas a bordo, sendo 88 passageiros e 59 tripulantes.
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O que se sabe sobre os casos
As investigações apontam que os primeiros registros de adoecimento ocorreram ainda no início de abril, durante a viagem. Um dos passageiros morreu a bordo após apresentar agravamento respiratório, enquanto outro caso posteriormente confirmado para hantavírus, envolveu uma passageira que desembarcou em Santa Helena e morreu após ser levada à África do Sul.
Outro paciente, também com diagnóstico confirmado, foi evacuado e segue internado em unidade de terapia intensiva. Além disso, há casos suspeitos com sintomas leves e moderados que permanecem sob monitoramento na embarcação.
Transmissão ainda é investigada
A principal hipótese é que a infecção tenha ocorrido por exposição a roedores infectados, forma mais comum de transmissão do hantavírus. No entanto, a OMS não descarta a possibilidade, considerada rara, de transmissão entre pessoas.
Esse tipo de transmissão já foi registrado anteriormente em surtos associados ao vírus Andes, identificado na América do Sul. As autoridades também avaliam se alguns passageiros podem ter sido infectados antes do embarque, já que parte do grupo esteve em regiões com circulação do vírus.
Resposta internacional e medidas a bordo
O caso mobiliza uma resposta coordenada entre diferentes países, incluindo Cabo Verde, África do Sul, Holanda, Espanha e Reino Unido. Entre as ações adotadas estão:
- isolamento de casos suspeitos;
- monitoramento contínuo de passageiros e tripulação;
- rastreamento de contatos;
- evacuação médica de pacientes graves;
- realização de exames laboratoriais e sequenciamento do vírus.
A bordo, os passageiros foram orientados a permanecer em suas cabines, enquanto medidas de higiene, ventilação e desinfecção foram intensificadas.
O que é o hantavírus
Os hantavírus são vírus transmitidos principalmente por roedores e podem causar doenças graves em humanos. A infecção ocorre, em geral, pelo contato com urina, fezes ou saliva de animais infectados.
Nas Américas, a principal manifestação é a síndrome cardiopulmonar por hantavírus, caracterizada por evolução rápida para insuficiência respiratória e alta taxa de mortalidade. Em outras regiões, como Europa e Ásia, o vírus pode causar quadros hemorrágicos com comprometimento renal.
Os sintomas iniciais costumam surgir entre uma e seis semanas após a exposição e incluem febre, dor de cabeça, dores musculares e sintomas gastrointestinais. Nos casos mais graves, a doença pode evoluir rapidamente falta de ar, acúmulo de líquido nos pulmões e choque.
Não há tratamento antiviral específico aprovado, e o manejo é baseado em suporte clínico intensivo.
Risco global é considerado baixo
Apesar da gravidade dos casos registrados no cruzeiro, a OMS avalia que o risco para a população global é baixo. Isso porque a transmissão entre humanos é incomum e, até o momento, os casos estão concentrados em um ambiente específico.
A organização segue monitorando a situação e reforça a importância da detecção precoce, isolamento de casos e medidas de prevenção, especialmente em contextos de exposição a roedores.
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