A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) publicou nesta terça-feira (17) a atualização das recomendações para prevenção e tratamento da deficiência de ferro e da anemia ferropriva em lactentes. Entre as principais mudanças, está a unificação das orientações da SBP com as do Ministério da Saúde para a profilaxia com ferro em lactentes a termo, o que simplifica a prática clínica e reduz divergências entre referências.
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O que mudou na profilaxia de ferro para lactentes
A principal alteração envolve lactentes a termo, com peso adequado e sem fatores de risco.
Antes, a recomendação da SBP era baseada no peso corporal. Agora, passa a ser uma dose fixa diária, independente do peso, além da adoção de um esquema intermitente.
Como era antes (SBP)
- 1 mg/kg por dia de ferro elementar
- Início aos 6 meses para bebês a termo, com peso adequado e sem fatores de risco (ou aos 3 meses, se fatores de risco)
Como ficou agora (SBP + Ministério da Saúde)
- 10 a 12,5 mg por dia de ferro elementar para bebê a termo e com peso adequado
- Dose fixa (independente do peso)
- Início aos 6 meses
- Esquema em ciclos
Novo esquema de suplementação em ciclos
Na prática, a suplementação passa a ser realizada em dois ciclos de três meses, com um intervalo de três meses entre eles. A estratégia consiste em dois períodos de uso diário de ferro, intercalados por uma pausa, preferencialmente iniciados aos seis e aos 12 meses de vida.
O esquema leva em consideração o período de maior vulnerabilidade à deficiência de ferro, a elevada demanda do mineral para o crescimento e desenvolvimento da criança, além da integração com o calendário de consultas de puericultura.
Dessa forma, o protocolo para suplementação de ferro elementar pode ser organizado da seguinte maneira:
| Fase | Idade | Conduta |
|---|---|---|
| 1º ciclo | 6 a 9 meses | 10 a 12,5 mg/dia por 3 meses |
| Intervalo | 9 a 12 meses | Pausa na suplementação |
| 2º ciclo | 12 a 15 meses | 10 a 12,5 mg/dia por 3 meses |
Esse modelo substitui o uso contínuo anteriormente mais adotado e busca melhorar adesão e padronização.
Comparação antes x agora
| Aspecto | Antes (SBP) | Agora (SBP + MS) |
|---|---|---|
| Dose | 1 mg/kg/dia | 10–12,5 mg/dia (fixa) |
| Base de cálculo | Peso | Não depende do peso |
| Início | 6 meses (ou 3 com risco) | 6 meses |
| Forma de uso | Contínuo | Ciclos |
| Alinhamento com MS | Não | Sim |
A unificação entre a Sociedade Brasileira de Pediatria e o Ministério da Saúde elimina uma inconsistência frequente na prática clínica e no ensino dos médicos. Na prática, a mudança facilita a prescrição ao substituir o cálculo por peso por uma dose fixa, reduz erros e dúvidas — especialmente entre profissionais em formação — e contribui para a padronização de condutas, com impacto tanto na assistência quanto na preparação para provas.
O que não mudou
As recomendações para lactentes pré-termo e de baixo peso permanecem inalteradas. Nesses casos, a suplementação continua individualizada, considerando idade gestacional e peso ao nascer. Esquema mantido é o seguinte:
- Primeiro ano de vida: 2 a 4 mg/kg/dia
- Segundo ano de vida: 1 mg/kg/dia
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A anemia ferropriva
A anemia por deficiência de ferro é a causa mais comum de anemia em todo o mundo. Define-se anemia como níveis de hemoglobina abaixo de dois desvios-padrão da média para idade e sexo. No caso da anemia ferropriva, o quadro decorre da deficiência de ferro.
Trata-se de uma condição extremamente prevalente, afetando mais de 1,2 bilhão de pessoas globalmente. A deficiência de ferro, principal etiologia, é responsável por cerca de 50% de todos os casos de anemia.
A prevalência é mais elevada em países em desenvolvimento, especialmente em populações de baixa renda e em grupos com maior demanda de ferro, como lactentes, crianças menores de cinco anos, mulheres em idade reprodutiva, gestantes (sobretudo no segundo e terceiro trimestres) e no período pós-parto.
Saiba mais em: Resumo de anemia ferropriva: diagnóstico, tratamento e mais!
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