A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), uma das condições hormonais mais comuns entre mulheres em idade reprodutiva, passará a ter uma nova nomenclatura oficial. A partir de consenso global publicado nesta terça-feira (12) no The Lancet, a condição será chamada de Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP), ou PMOS, na sigla em inglês.
A mudança foi apresentada durante o Congresso Europeu de Endocrinologia 2026 e busca refletir de forma mais precisa a complexidade da síndrome, que vai além de alterações ovarianas e envolve impactos hormonais, metabólicos, cardiovasculares e reprodutivos.
Segundo especialistas envolvidos no consenso, o antigo termo “síndrome dos ovários policísticos” era considerado limitado e impreciso, principalmente por sugerir que a presença de cistos ovarianos seria a principal característica da condição — o que nem sempre acontece na prática clínica.
O documento publicado é resultado de um processo internacional de discussão que durou cerca de 14 anos e reuniu mais de 50 organizações acadêmicas, médicas e grupos de pacientes de diferentes países.
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Novo nome reflete caráter multissistêmico da condição
De acordo com as pesquisadoras responsáveis pelo consenso, a nova nomenclatura procura representar melhor os diferentes mecanismos envolvidos na síndrome.
O termo “poliendócrina” faz referência às alterações hormonais múltiplas associadas à condição. Já a palavra “metabólica” destaca a forte relação da síndrome com resistência à insulina, obesidade, diabetes tipo 2 e maior risco cardiovascular.
A expressão “ovariana”, por sua vez, foi mantida devido aos impactos da síndrome sobre a ovulação, fertilidade e funcionamento dos ovários.
Os especialistas ressaltam ainda que os chamados “cistos” frequentemente observados em exames não são cistos patológicos verdadeiros. Na maioria dos casos, tratam-se de folículos que não completaram adequadamente seu desenvolvimento. Por isso, o nome anterior acabava contribuindo para interpretações equivocadas tanto entre pacientes quanto entre profissionais de saúde.
Condição afeta milhões de mulheres
A SOMP afeta aproximadamente 1 em cada 8 mulheres no mundo, somando cerca de 170 milhões de pessoas globalmente. Além das alterações menstruais e dificuldades relacionadas à fertilidade, a síndrome também pode provocar:
- acne;
- excesso de pelos;
- queda de cabelo;
- ganho de peso;
- resistência à insulina;
- alterações metabólicas;
- impactos psicológicos e na saúde mental.
Segundo o consenso, a nomenclatura antiga também poderia contribuir para atrasos diagnósticos, já que muitas pacientes não apresentam “ovários policísticos” nos exames de imagem e acabam tendo seus sintomas subestimados.
O que muda para pacientes e profissionais?
Apesar da alteração no nome, especialistas reforçam que não há mudanças imediatas nos critérios diagnósticos ou no tratamento da síndrome.
A expectativa é que a implementação da nova nomenclatura ocorra de forma gradual ao longo dos próximos três anos, até sua incorporação completa em diretrizes internacionais previstas para 2028. Nesse período, materiais educativos, protocolos clínicos e sistemas de saúde devem passar por atualizações progressivas para adaptação ao novo termo.
Os autores do consenso também defendem que a mudança pode ajudar a reduzir estigmas, ampliar a compreensão sobre a doença e favorecer abordagens mais integradas no cuidado às pacientes.
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