Covid longa e os sintomas que perduram
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Covid longa e os sintomas que perduram

Há pouco mais de dois anos, no dia 26 de fevereiro de 2020, o Ministério da Saúde confirmava o primeiro caso de Covid-19 no Brasil. Entramos e saímos de quarentena, a corrida pela vacina começou, variantes surgiram e, por consequência da luta contra a doença, estudos se multiplicaram para entender e combater os sintomas, assim como relatos sobre as sequelas a curto e longo prazo nos pacientes.

Fadiga, alterações no paladar e olfato, dificuldade para respirar e dores de cabeça frequentes. Esses são alguns dos sintomas mais comuns que permanecem após o período de infecção, conhecido como Síndrome Pós-Covid, Covid longa ou Covid prolongada e podem seguir até com pacientes que tiveram apenas sintomas leves durante a infecção. Isso acontece por conta da sobrecarga do sistema imunológico, fazendo com que durante o ataque contra o vírus, outros tecidos sejam atingidos.

Apesar das explicações já conhecidas, das pesquisas e das resoluções comprovadamente eficazes para resolver este problema, alguns sintomas seguem intrigando e chamando a atenção, sendo bastante noticiado nas últimas semanas: a perda de memória e confusão mental, sequelas que podem atrapalhar até mesmo a simples leitura de um livro. 

Perda de memória e confusão mental na Covid longa

A Rede Sarah de Hospitais de Reabilitação, em reportagem para o Globo Repórter, apresentou uma pesquisa realizada, entre abril de 2021 e janeiro de 2022, com 614 de seus pacientes que tiveram Covid-19. Na pesquisa, a informação de que todos os participantes possuem algum grau de perda de memória surpreende, assim como algumas situações relatadas na reportagem.

Rhayanna Ferreira de Araújo
, jornalista de 31 anos, que tinha o costume de ler muitos livros durante o mês, revela que simplesmente passou a não se lembrar do que havia acabado de ler ao final de cada capítulo. Já Eduardo Araújo Leite, gerente de RH, revela que começou a notar a perda de memória em atividades simples do dia a dia, como esquecer a panela no fogo ou de dar comida ao pet. Isso aconteceu até o dia em que saiu para o trabalho e, no meio do caminho, não fazia ideia para onde estava indo. Ambos seguem em reabilitação na Rede e dizem que o tratamento está ajudando.

Um novo estudo feito por cientistas da Universidade de Cambridge e publicado na Lancet, no dia 28 de abril, sugere que o dano cognitivo causado pela Covid-19, que além da perda da memória pode incluir dificuldade de concentração, confusão mental e outros, é semelhante ao envelhecimento natural de 20 anos ou à perda de dez pontos de QI.

Para chegar nesse resultado, o estudo foi feito a partir de testes neurológicos, aplicados em 46 pacientes que tiveram alta hospitalar pós-covid, e comparados com os de 460 pessoas com as mesmas características que os pacientes, mas que não foram hospitalizados.
Outros 28 pacientes diagnosticados com demência foram observados para efeito de  comparação.

Segundo o estudo, a gravidade do dano cognitivo e dos sintomas está diretamente relacionado à gravidade da infecção e algumas possíveis causas foram consideradas: falta de oxigenação no cérebro, formação de pequenos coágulos, infecção direta do vírus nos neurônios e até mesmo a ausência de diagnóstico pré-covid para alguma outra condição. Mas segundo os próprios autores, mais estudos sobre essas hipóteses devem ser realizados.

Outras sequelas da Covid longa

Outras sequelas, além das já citadas, vêm sendo descobertas. São sintomas e condições que podem passar despercebidos ao não serem relacionados com a infecção ou até mesmo ignorados: depressão, ansiedade, insônia, queda de cabelo, agravamento de doenças preexistentes e muitos outros. 

Estudo Fiocruz Minas

A pesquisa divulgada recentemente pela Fiocruz Minas apresenta sequelas que podem perdurar por mais 12 meses. Ao todo, foram monitorados 646 pacientes que tiveram a infecção e mais da metade, 324 ou 50,2%, tiveram algum sintoma de Covid longa.
Nesta pesquisa, 23 sintomas foram contabilizados e entre os mais citados estão: fadiga, tosse persistente, dificuldade para respirar, perda de olfato ou paladar e dores de cabeça frequentes. Dos 324 que tiveram algum sintoma pós-covid, 198 foram pacientes que tiveram a infecção em sua forma mais leve.

Infelizmente, até o momento não há um tratamento específico e rápido para a Covid longa, apenas controle dos sintomas e retorno gradual das atividades do dia a dia.

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