Resumo sobre a Síndrome de Peutz-Jeghers: definição, manifestações clínicas e mais!
Fonte: Magnific

Resumo sobre a Síndrome de Peutz-Jeghers: definição, manifestações clínicas e mais!

E aí, doc! Pronto para revisar mais um tema fundamental para a sua prática? Hoje o foco é a Síndrome de Peutz-Jeghers (SPJ), uma condição genética rara, de herança autossômica dominante, que exige um olhar clínico atento e vai muito além de simples manchas na pele.

O Estratégia MED preparou este conteúdo para descomplicar o diagnóstico e o manejo dessa síndrome, ajudando você a aprofundar seus conhecimentos e a garantir uma vigilância oncológica eficaz para seus pacientes.

Vamos nessa!

Definição da Síndrome de Peutz-Jeghers

A síndrome de Peutz-Jeghers é uma condição genética rara, de herança autossômica dominante, definida clinicamente pela associação de pólipos hamartomatosos no trato gastrointestinal e hiperpigmentação mucocutânea característica. Identificada inicialmente por Jan Peutz em 1921 e consolidada por Harold Jeghers em 1949, a síndrome envolve o desenvolvimento de pólipos que, embora benignos em sua origem histológica, elevam drasticamente a predisposição ao câncer ao longo da vida.

O grande impacto dessa síndrome na qualidade de vida reside no risco cumulativo de malignidade, que pode chegar a 93% até os 70 anos de idade. Por se tratar de uma desordem multissistêmica que afeta diversos órgãos, como pâncreas, mamas e órgãos reprodutores, o diagnóstico precoce e o acompanhamento rigoroso são cruciais para reduzir a morbimortalidade e garantir um manejo preventivo eficaz.

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Etiologia da Síndrome de Peutz-Jeghers

Para entender a etiologia da Síndrome de Peutz-Jeghers, precisamos olhar diretamente para as falhas no controle do ciclo celular. A causa é essencialmente genética, centrada em um “interruptor” biológico que deixa de funcionar corretamente.

Aqui estão os pontos fundamentais para você entender a origem dessa síndrome:

  • Mutação no gene STK11 (ou LKB1): É a causa principal da síndrome, localizada no cromossomo 19p13.3. Esse gene é um supressor tumoral que codifica uma enzima responsável por manter a ordem no crescimento, na polaridade e no metabolismo das células.
  • Herança autossômica dominante: A transmissão segue um padrão clássico, onde basta uma cópia do gene mutado para que a doença se manifeste. Na prática, isso significa que um pai ou mãe afetado tem 50% de chance de transmitir a condição para cada filho.
  • Mutações espontâneas: Nem todo paciente possui parentes com a síndrome. Em cerca de 25% a 30% dos casos, a mutação ocorre de forma aleatória durante o desenvolvimento inicial, sem histórico familiar prévio.
  • Instabilidade genômica: Aproximadamente 30% das variantes envolvem grandes deleções de material genético. A região onde o gene STK11 está inserido é rica em elementos repetitivos de DNA, o que a torna particularmente instável e suscetível a erros durante a replicação.
  • Expressividade variável: Mesmo dentro de uma mesma família, com a exata mesma mutação, as manifestações podem variar drasticamente. Isso sugere que fatores ambientais e outros genes modificadores influenciam a gravidade com que a síndrome “se apresenta” em cada indivíduo.

Dominar esses conceitos genéticos é o que permite ao médico oferecer um aconselhamento genético preciso, ajudando a família a entender os riscos e a importância do rastreamento precoce.

Manifestações clínicas da Síndrome de Peutz-Jeghers

As manifestações clínicas da Síndrome de Peutz-Jeghers são marcantes e, geralmente, se dividem em dois grandes grupos: as evidências externas na pele e os desafios internos no sistema digestivo.

Aqui estão os dois pilares principais para você identificar no exame físico:

Pigmentação mucocutânea

A manifestação clínica mais característica da SPJ, e muitas vezes a primeira a ser notada, são as manchas melanocíticas que surgem ainda na infância ou início da adolescência. Elas se apresentam como máculas planas, de coloração azulada, marrom-escura ou acinzentada, localizadas preferencialmente nos lábios, mucosa bucal, ao redor do nariz e nas extremidades, como dedos e palmas das mãos. 

Um detalhe clínico fundamental é que, embora os pólipos persistam, essas manchas na pele podem diminuir de intensidade ou até desaparecer com o avançar da idade, o que torna o histórico clínico da infância essencial para o diagnóstico.

Pólipos gastrointestinais

O marco patológico da síndrome é a presença de múltiplos pólipos hamartomatosos que, embora histologicamente benignos, podem causar problemas severos devido ao seu tamanho e quantidade. Eles ocorrem em todo o trato digestivo, mas são encontrados principalmente no intestino delgado, seguido pelo estômago e cólon. 

Esses pólipos são os grandes responsáveis por episódios de dor abdominal recorrente, náuseas e sangramentos ocultos que levam à anemia ferropriva. A complicação mais grave e frequente é a intussuscepção intestinal, um “nó” no intestino que gera obstrução aguda e, muitas vezes, é o evento de emergência que revela a existência da síndrome no paciente.

Diagnóstico da Síndrome de Peutz-Jeghers

O diagnóstico da síndrome de Peutz-Jeghers exige um elevado grau de suspeição clínica, especialmente em pacientes jovens que apresentam as manchas melanocíticas características ou quadros recorrentes de dor abdominal sem causa aparente. Identificar precocemente esses sinais é o que permite diferenciar a síndrome de outras poliposes e iniciar o rastreamento oncológico necessário.

Para confirmar a suspeita, baseamo-nos em critérios clínicos bem definidos, que incluem:

  • A presença de dois ou mais pólipos hamartomatosos histologicamente confirmados no trato gastrointestinal;
  • A identificação da hiperpigmentação mucocutânea característica em um indivíduo com histórico familiar de SPJ;
  • Qualquer número de pólipos do tipo Peutz-Jeghers em pacientes que possuam um parente de primeiro grau com a síndrome ou que apresentem as máculas pigmentadas típicas.

O padrão-ouro para a confirmação definitiva é o teste genético, focado na busca por mutações no gene STK11. Embora seja o método mais confiável, é importante lembrar que um resultado negativo não exclui o diagnóstico caso o paciente preencha os critérios clínicos, já que nem todas as variantes genéticas foram mapeadas até o momento.

Além da genética, a avaliação diagnóstica é complementada por exames de imagem e endoscopia. A cápsula endoscópica e a enterografia por ressonância magnética são ferramentas essenciais para mapear pólipos no intestino delgado, local de difícil acesso, mas que frequentemente é o ponto de origem de complicações graves.

Tratamento da Síndrome de Peutz-Jeghers

O manejo da síndrome de Peutz-Jeghers é essencialmente interprofissional e baseia-se na vigilância rigorosa para detecção precoce de malignidades e na remoção proativa de pólipos. Como não existe uma terapia curativa que reverta a mutação genética, o tratamento tem como objetivo prevenir complicações agudas, como a intussuscepção, e reduzir a morbimortalidade associada aos diversos tipos de câncer gastrointestinais e extraintestinais.

Essa estratégia baseia-se em um protocolo de rastreamento contínuo e ao longo de toda a vida, utilizando endoscopias, colonoscopias e exames de imagem para monitorar órgãos como mamas, pâncreas e trato reprodutor. A polipectomia, preferencialmente por via endoscópica, é a principal ferramenta para remover hamartomas e evitar obstruções ou sangramentos, deixando a intervenção cirúrgica apenas para casos de emergência ou pólipos inacessíveis por métodos minimamente invasivos.

Além do controle físico, o acompanhamento exige um olhar atento ao aconselhamento genético, ajudando o paciente e seus familiares a entenderem os riscos de transmissão e as opções reprodutivas. Esse cuidado multidisciplinar, que integra geneticistas, gastroenterologistas e oncologistas, é o que permite otimizar os resultados clínicos e garantir uma sobrevida segura para quem convive com a síndrome.

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Referências

SHERMAN, Samantha; MENON, Gopal; KRISHNAMURTHY, Karthik. Síndrome de Peutz-Jeghers. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing, 2026.

AMRU, Rohan L.; DHOK, Archana. Peutz-Jeghers Syndrome: A Comprehensive Review of Genetics, Clinical Features, and Management Approaches. Cureus, [s. l.], v. 16, n. 4, e58887, abr. 2024.

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