Resumo de Estenose do Canal Lombar: fisiopatologia e mais!
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Resumo de Estenose do Canal Lombar: fisiopatologia e mais!

Olá, querido doutor e doutora! A estenose do canal lombar é uma condição estrutural frequente na população idosa, marcada pelo estreitamento progressivo do espaço destinado às estruturas neurais na coluna lombossacra. O reconhecimento precoce dos sintomas e a conduta terapêutica individualizada são importantes para preservar a funcionalidade e a qualidade de vida dos pacientes. Trouxemos, de forma objetiva, os principais aspectos clínicos, fisiopatológicos e terapêuticos dessa condição.

A dor irradiada associada à claudicação neurogênica, que melhora com a flexão do tronco, é uma das manifestações mais características da estenose lombar.

Definição da estenose do canal lombar 

A estenose do canal lombar é uma condição estrutural da coluna vertebral em que há redução do espaço disponível para as estruturas neurais na região lombar, comprometendo a função das raízes nervosas ou da cauda equina. Esse estreitamento pode ocorrer no canal central, nos recessos laterais ou nos forames intervertebrais, sendo provocado por alterações ósseas, ligamentares e discais, geralmente associadas a processos degenerativos. 

Fisiopatologia 

Degeneração estrutural e impacto no canal vertebral 

A fisiopatologia da estenose lombar envolve um processo cumulativo de desgaste das estruturas da coluna, especialmente discos intervertebrais, articulações facetárias e ligamentos. Com o envelhecimento e a sobrecarga mecânica, os discos perdem altura e elasticidade, promovendo maior carga sobre os elementos posteriores. Como resposta, há hipertrofia das facetas articulares, espessamento do ligamento amarelo e formação de osteófitos, alterações que reduzem progressivamente o diâmetro do canal vertebral. Essas mudanças podem comprometer o canal central, os recessos laterais ou os forames, dependendo da localização predominante das alterações.

Consequências neurológicas e mecanismos de dor 

A compressão neural decorrente do estreitamento pode afetar tanto mecanicamente as raízes quanto gerar alterações vasculares, como redução do fluxo venoso e isquemia transitória. Isso contribui para a manifestação de claudicação neurogênica e dor radicular. Além disso, a inflamação perineural causada por atrito crônico com estruturas ósseas ou espessadas pode agravar os sintomas. Em casos mais avançados, a pressão prolongada pode resultar em comprometimento motor e sensitivo mais significativo, com risco de disfunções esfincterianas quando há envolvimento da cauda equina. 

Epidemiologia e fatores de risco

Epidemiologia 

A estenose do canal lombar é uma condição frequente, especialmente em adultos acima dos 60 anos. Estudos indicam que até 20% dos indivíduos com mais de 60 anos apresentam sinais radiológicos compatíveis com essa alteração, embora nem todos sejam sintomáticos. A prevalência clínica aumenta progressivamente com a idade, sendo um dos diagnósticos mais comuns em centros especializados em dor lombar. Além disso, é uma das principais causas de indicação cirúrgica de coluna em idosos, superando outras etiologias degenerativas da coluna vertebral.

Fatores de risco 

  • Envelhecimento da coluna (processo degenerativo natural); 
  • Degeneração discal; 
  • Artrose das articulações facetárias; 
  • Hipertrofia do ligamento amarelo; 
  • Presença de espondilolistese degenerativa; 
  • Estreitamento congênito do canal vertebral; 
  • História prévia de cirurgia lombar; 
  • Traumas ou microtraumas repetitivos na região lombar; 
  • Doenças metabólicas ósseas (como DISH ou espondilite anquilosante); e 
  • Predisposição genética.

Sintomas 

A manifestação clínica da estenose do canal lombar é variável e depende da localização e da gravidade da compressão neural. O sintoma mais característico é a claudicação neurogênica, descrita como dor, formigamento, fraqueza ou sensação de peso nos membros inferiores, desencadeados ou agravados pela marcha ou pela permanência em posição ereta. Esses sintomas costumam melhorar com o repouso em flexão do tronco, como ao se apoiar em um carrinho de supermercado, fenômeno conhecido como “sinal do carrinho de compras”

A dor lombar de caráter mecânico também é frequente, geralmente relacionada à sobrecarga das articulações posteriores. Pode haver ainda sintomas radiculares, como dor em trajeto específico de raiz nervosa, além de parestesias e, em casos mais avançados, déficits motores. Quando há envolvimento severo do canal central, especialmente na região de L4-L5, podem surgir sinais de compressão da cauda equina, como distúrbios esfincterianos, anestesia em região perineal (anestesia em sela) e fraqueza bilateral, quadro que exige abordagem emergencial.

Diagnóstico 

A ressonância magnética da coluna lombossacra é o exame de escolha, pois permite avaliar com precisão o grau de compressão neural, a integridade dos discos intervertebrais, o estado dos ligamentos e articulações posteriores. Reduções da área do canal inferior a 100 mm² indicam estenose relativa, e abaixo de 76 mm², estenose considerada severa. 

A tomografia computadorizada, especialmente quando associada à mielografia, pode ser útil em pacientes com contraindicação à RM. Radiografias simples em perfil e incidências dinâmicas podem revelar espondilolistese ou instabilidades, além de alterações degenerativas ósseas, sendo úteis no planejamento cirúrgico.

Tratamento 

A escolha do tratamento deve considerar a gravidade dos sintomas e o impacto funcional na vida do paciente. Casos leves a moderados podem ser manejados com fisioterapia voltada para fortalecimento do core, analgesia com anti-inflamatórios e reabilitação postural. Infiltrações epidurais com anestésico e corticoide podem ser utilizadas como estratégia adjuvante para alívio temporário da dor. 

A cirurgia é indicada diante da falha do tratamento conservador, piora neurológica ou limitação funcional importante. A descompressão cirúrgica, com ou sem fusão, dependendo da estabilidade segmentar, é eficaz para alívio dos sintomas em boa parte dos casos.

Evolução

Pacientes com estenose leve a moderada podem evoluir de forma estável ou apresentar melhora clínica com tratamento conservador. Em contrapartida, cerca de um terço dos casos sintomáticos tende a progredir, sendo a intervenção cirúrgica indicada em situações de piora funcional. A melhora pós-cirurgia é mais evidente para dor irradiada do que para dor lombar axial.

Complicações

  • Dor crônica lombar e/ou nos membros inferiores; 
  • Claudicação persistente; 
  • Fraqueza muscular e atrofia; 
  • Disfunções urinárias ou intestinais (em casos graves); 
  • Síndrome da cauda equina; e
  • Restrição de mobilidade e perda funcional. 

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Referências Bibliográficas 

  1. WU, Lite; MUNAKOMI, Sunil; CRUZ, Ricardo. Lumbar Spinal Stenosis. StatPearls. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2025.
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