Olá, querido doutor e doutora! A dermatite causada pelo Paederus, conhecida como pederismo, é um quadro inflamatório cutâneo resultante do contato com a toxina pederina, liberada pelo inseto ao ser esmagado contra a pele. Com distribuição predominante em regiões tropicais e associada a fatores ambientais, essa condição pode ser confundida com outras dermatites vesicantes.
O tempo de latência entre o contato com a pederina e o surgimento das lesões varia de 12 a 36 horas, o que pode dificultar a associação com o inseto.
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Conceito de Pederismo
O pederismo, também conhecido como dermatite linear ou dermatite vesicante por Paederus, é uma reação cutânea inflamatória causada pelo contato com a toxina pederina, presente na hemolinfa de besouros do gênero Paederus, popularmente chamados de potós. Esses insetos não picam nem mordem, mas, quando acidentalmente esmagados sobre a pele, liberam a toxina, desencadeando um quadro dermatológico caracterizado por lesões avermelhadas, bolhosas e, em alguns casos, ulceradas.
O gênero Paederus
O Paederus é um gênero de besouros da família Staphylinidae, popularmente conhecidos como “potós” no Brasil. Esses insetos têm hábitos noturnos e são atraídos por fontes de luz artificial. Diferente de outros artrópodes venenosos, o Paederus não causa envenenamento por mordida ou picada, mas sim pelo contato da pele humana com sua hemolinfa, que contém uma toxina chamada pederina.
A pederina é uma substância química que, ao entrar em contato com a pele, provoca um quadro inflamatório caracterizado por lesões cutâneas, conhecidas como pederismo ou dermatite linear. Essa reação ocorre quando a pessoa, ao tentar afastar o besouro, o esmaga contra a pele, espalhando a toxina. As lesões resultantes se assemelham a queimaduras químicas e evoluem de eritema para formação de bolhas, podendo levar semanas para cicatrizar.
Epidemiologia do paderismo
A ocorrência de acidentes envolvendo Paederus é amplamente registrada em regiões tropicais e subtropicais, com relatos frequentes na Ásia, África e América do Sul, incluindo diversas áreas do Brasil. Esses besouros são particularmente abundantes em períodos quentes e úmidos, como após chuvas intensas, quando sua população aumenta e sua atividade se intensifica.
No Brasil, os casos de pederismo são mais comuns nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, onde o clima favorece a reprodução desses insetos. No entanto, surtos já foram documentados em outras áreas, especialmente em locais com vegetação densa, proximidade a corpos d’água e ambientes urbanos com presença de luz artificial intensa, que atrai os besouros para dentro das residências.
Como é feito o diagnóstico do paderismo
O diagnóstico da dermatite causada pelo Paederus é clínico e baseado na história do paciente, características das lesões e padrão evolutivo.
A dermatite causada pelo Paederus, conhecida como pederismo ou dermatite linear, resulta da exposição à pederina, uma toxina presente na hemolinfa do inseto. Os sintomas surgem após o contato com a substância e evoluem progressivamente, podendo variar em intensidade conforme a quantidade de toxina envolvida e a extensão da área afetada.
Fase | Características | Tempo Estimado |
Período de Latência | Sintomas não aparecem imediatamente. | 12 a 36 horas |
Fase Inicial | Eritema (mancha avermelhada), leve edema, sensação de ardência ou queimação. | Primeiras 24 horas |
Fase de Formação de Lesões | Aparecimento de bolhas (vesiculação), padrão linear ou em arrasto, lesão em beijo. | 24 a 48 horas |
Fase de Ulceração e Cicatrização | Rompimento das vesículas, formação de crostas sero-hemáticas, hiperpigmentação residual. | 7 a 14 dias |
Manifestações Sistêmicas | Febre, cefaleia, dor nas articulações, náuseas e vômitos (raros em casos mais graves). | Variável (casos mais graves) |
Diagnóstico diferencial
O quadro pode ser confundido com outras dermatites e infecções de pele. As principais condições a serem diferenciadas incluem:
- Herpes simples e herpes zóster: apresentam bolhas agrupadas e dor pré-lesional intensa.
- Fitofotodermatite: causada pelo contato com plantas seguido de exposição solar.
- Erucismo (dermatite por lagartas): normalmente há dor intensa e sensação de queimação no momento do contato.
- Queimaduras químicas: geralmente associadas a agentes irritantes específicos e exposição direta.
- Loxoscelismo (picada de aranha-marrom): evolui para necrose central e pode apresentar sintomas sistêmicos.
Tratamento do pederismo
O manejo da dermatite causada pelo Paederus é sintomático e visa reduzir a inflamação, aliviar o desconforto e evitar complicações secundárias. O tratamento deve ser iniciado o mais cedo possível para minimizar a progressão das lesões.
Medidas Imediatas
- Lavagem da área afetada: assim que houver suspeita de contato com o inseto, a pele deve ser lavada com água e sabão para remover resíduos da toxina antes que ela penetre mais profundamente.
- Evitar esfregar a área: o atrito pode espalhar a toxina e agravar as lesões.
Tratamento Sintomático
- Compressas frias: ajudam a reduzir a inflamação e aliviar a sensação de ardência.
- Anti-histamínicos orais (loratadina, fexofenadina, prometazina): indicados para casos com prurido intenso.
- Corticosteroides tópicos (hidrocortisona, betametasona): reduzem a resposta inflamatória e diminuem a progressão das lesões. São recomendados principalmente nos primeiros dias, especialmente se houver eritema e edema significativos.
- Analgésicos comuns (dipirona, paracetamol, ibuprofeno): para controle da dor, caso necessário.
Evolução
O curso da dermatite por Paederus é autolimitado, e a maioria dos pacientes apresenta resolução completa das lesões em 7 a 14 dias, sem necessidade de intervenções invasivas. No entanto, algumas complicações podem ocorrer:
- Hiperpigmentação residual: pode persistir por semanas ou meses, especialmente em indivíduos de pele mais escura.
- Infecção bacteriana secundária: pode ocorrer se houver manipulação excessiva das lesões.
- Casos extensos ou múltiplas áreas afetadas: exigem maior acompanhamento médico, mas geralmente evoluem bem sem sequelas.
- Lesões periorbitais: quando a toxina atinge a região dos olhos, pode causar conjuntivite química, necessitando de lavagem imediata e avaliação oftalmológica.
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Referências Bibliográficas
- FONSECA, Janaina Molinari Veloso et al. Dermatite vesicante pelo Paederus sp.: relato de 19 casos em Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Revista Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, Florianópolis, v. 7, n. 25, p. 255-258, 2012.
- SECRETARIA DA SAÚDE DO CEARÁ. Nota Técnica Nº 01 – Acidentes por Coleópteros (Potó e Vaquinha). Ceará, 2021.
- UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA – CIATox. Pederismo: Dermatite causada por Potós. João Pessoa, 2023.