Resumo sobre Carcinoma de Células Renais parte 2: manifestações clínicas, estadiamento e mais!
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Resumo sobre Carcinoma de Células Renais parte 2: manifestações clínicas, estadiamento e mais!

E aí, doc! Vamos dar continuidade a esse tema essencial? Na Parte 2 sobre o Carcinoma de Células Renais, o foco agora é no diagnóstico e estadiamento. A identificação precoce pode envolver exames de imagem, como ultrassonografia e tomografia.

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Vamos nessa!

Manifestações clínicas do Carcinoma de Células Renais

O carcinoma de células renais (CCR) pode se manifestar de diferentes formas, desde casos assintomáticos até sintomas decorrentes do crescimento tumoral e da disseminação para outros órgãos. Muitos diagnósticos ocorrem de maneira incidental, em exames de imagem realizados por outros motivos.

Manifestações locais

  • Hematúria: presença de sangue na urina, que pode ser visível a olho nu ou identificado em exames laboratoriais. Em alguns casos, coágulos urinários podem surgir.
  • Dor no flanco: resultado da distensão da cápsula renal ou da invasão de estruturas vizinhas pelo tumor.
  • Massa palpável no abdômen: mais comum em estágios avançados da doença, sendo mais perceptível em pacientes com menos gordura corporal.
  • Varicocele esquerda persistente: ocorre quando o tumor comprime a veia gonadal, impedindo a drenagem venosa normal. Diferente da varicocele comum, essa não desaparece ao deitar.
  • Invasão vascular: o comprometimento da veia cava inferior pode levar a inchaço nos membros inferiores, ascite e risco aumentado de embolia pulmonar.

Manifestações sistêmicas

  • Sintomas constitucionais: fadiga, febre, sudorese noturna e perda de peso sem causa aparente podem estar presentes, sobretudo em estágios avançados.
  • Anemia: frequentemente associada ao CCR, pode resultar da inflamação crônica ou da destruição de glóbulos vermelhos.
  • Disfunção hepática (síndrome de Stauffer): caracterizada por alterações nas enzimas hepáticas sem a presença de metástases no fígado, o que pode indicar um pior prognóstico.
  • Hipercalcemia: pode ocorrer devido à produção anormal de hormônios pelo tumor ou à destruição óssea em casos de metástases.
  • Eritrocitose: alguns tumores produzem eritropoietina em excesso, aumentando a produção de glóbulos vermelhos no sangue.
  • Trombocitose: número elevado de plaquetas no sangue, associado a uma resposta inflamatória exacerbada do organismo.

Disseminação para outros órgãos

O CCR pode se espalhar para os pulmões, ossos, fígado, linfonodos, glândulas suprarrenais e cérebro. Em casos menos comuns, pode afetar o pâncreas, tireoide e trato gastrointestinal.

A variedade de sinais e sintomas do CCR reflete sua natureza agressiva e a importância do diagnóstico precoce para melhorar as chances de tratamento e controle da doença.

Avaliação diagnóstica

A avaliação diagnóstica do carcinoma de células renais (CCR) envolve uma abordagem estruturada baseada em achados clínicos, exames laboratoriais e, principalmente, métodos de imagem. O CCR é frequentemente assintomático em seus estágios iniciais e, quando os sintomas surgem, a doença pode estar avançada. Assim, a detecção incidental em exames de imagem realizados por outras razões é comum.

Manifestações clínicas

A tríade clássica de sintomas – hematúria macroscópica, dor em flanco e massa palpável – é rara atualmente, aparecendo em menos de 10% dos casos. 

Exames laboratoriais

Os exames laboratoriais não são específicos para o CCR, mas podem indicar alterações sugestivas da neoplasia. Entre os exames recomendados estão:

  • Hemograma completo: pode evidenciar anemia ou policitemia secundária à produção ectópica de eritropoetina.
  • Função renal (ureia e creatinina): útil para avaliar comprometimento da função renal, principalmente em pacientes com doença bilateral ou única.
  • Cálcio sérico: níveis elevados podem estar associados à hipercalcemia paraneoplásica.
  • Enzimas hepáticas: podem estar elevadas, mesmo sem metástases hepáticas, devido à Síndrome de Stauffer.

Exames de imagem

Os exames de imagem são fundamentais para o diagnóstico do CCR, permitindo a identificação da lesão e a avaliação de suas características. Entre os principais métodos diagnósticos estão:

Ultrassonografia

  • Primeiro exame realizado em muitos casos devido à sua acessibilidade e segurança;
  • Identifica massas renais sólidas e diferencia cistos simples de lesões suspeitas;
  • Não é o exame mais sensível para caracterização detalhada de tumores renais.

Tomografia Computadorizada (TC) com contraste

  • Método de escolha para o diagnóstico e caracterização de massas renais;
  • Avalia tamanho, realce pós-contraste e possíveis extensões para estruturas adjacentes;
  • Permite detecção de trombo tumoral em veia renal ou veia cava inferior;
  • Essencial para planejamento cirúrgico.

Ressonância magnética (RM)

  • Indicada em pacientes com contraindicação ao contraste iodado da TC, como aqueles com insuficiência renal;
  • Melhor para avaliar invasão vascular (trombo tumoral);
  • Útil em caracterização de lesões renais complexas.

Urografia excretora e pielografia retrógrada

  • Métodos menos utilizados atualmente devido à superioridade da TC e RM;
  • Podem ser úteis para avaliar lesões na pelve renal e no ureter.

Cintilografia óssea e tomografia por emissão de pósitrons (PET-CT)

  • Não são exames de rotina no diagnóstico inicial do CCR;
  • A cintilografia óssea pode ser útil na presença de dor óssea ou elevação de fosfatase alcalina;
  • O PET-CT tem valor limitado, pois o CCR pode apresentar captação variável do traçador radioativo.

Biópsia renal

A biópsia renal não é frequentemente necessária para o diagnóstico do CCR, pois a maioria dos casos é diagnosticada com base em achados de imagem. No entanto, pode ser indicada nos seguintes cenários:

  • Dúvida diagnóstica em massas renais pequenas;
  • Pacientes com contraindicação à cirurgia ou que podem ser candidatos a vigilância ativa;
  • Suspeita de linfoma renal, metástase ou abscesso.

A combinação desses métodos permite um diagnóstico preciso do CCR, direcionando a escolha terapêutica. O diagnóstico precoce, especialmente por detecção incidental, melhora significativamente o prognóstico do paciente.

Estadiamento do Carcinoma de Células Renais

O estadiamento do carcinoma de células renais (CCR) é fundamental para determinar a extensão da doença e guiar a escolha do tratamento. O sistema mais utilizado para esse propósito é o TNM (Tumor, Linfonodo, Metástase), que classifica a doença com base no tamanho do tumor primário, no envolvimento linfonodal e na presença de metástases à distância.

Classificação TNM do CCR

  1. T (Tumor Primário)
    • T1: Tumor confinado ao rim, com até 7 cm de diâmetro.
      • T1a: Tumor ≤ 4 cm.
      • T1b: Tumor entre 4 cm e 7 cm.
    • T2: Tumor > 7 cm, ainda restrito ao rim.
      • T2a: Entre 7 cm e 10 cm.
      • T2b: > 10 cm.
    • T3: Tumor que invade estruturas adjacentes, mas não além da fáscia de Gerota.
      • T3a: Invasão da veia renal ou tecido perirrenal dentro da fáscia de Gerota.
      • T3b: Extensão para a veia cava abaixo do diafragma.
      • T3c: Extensão para a veia cava acima do diafragma ou invasão da parede da veia cava.
    • T4: Tumor que invade além da fáscia de Gerota, atingindo órgãos adjacentes.
  2. N (Linfonodos Regionais)
    • N0: Sem metástase linfonodal.
    • N1: Metástase em linfonodo regional.
  3. M (Metástases à Distância)
    • M0: Sem metástase à distância.
    • M1: Presença de metástase em locais distantes (pulmão, fígado, ossos, cérebro).

Estágios do CCR

Com base na classificação TNM, os estágios clínicos do CCR são:

  • Estágio I: Tumor ≤ 7 cm (T1), sem envolvimento linfonodal (N0) e sem metástases (M0).
  • Estágio II: Tumor > 7 cm, mas restrito ao rim (T2), com N0 e M0.
  • Estágio III: Tumor com invasão da veia renal ou estruturas perirrenais (T3) e/ou metástase linfonodal (N1), mas sem metástase à distância (M0).
  • Estágio IV: Tumor que invade além da fáscia de Gerota ou atinge órgãos adjacentes (T4), qualquer N ou presença de metástases à distância (M1).

Importância do Estadiamento

O estadiamento do CCR tem um papel essencial na definição do prognóstico e da estratégia terapêutica. Enquanto os estágios iniciais (I e II) são geralmente tratados com cirurgia curativa, os estágios avançados (III e IV) podem exigir abordagens sistêmicas, como imunoterapia ou terapia-alvo.

De olho na prova!

Não pense que esse assunto fica fora das provas de residência, cuncursos públicos e até nas avaliações da graduação. Veja um exemplo abaixo:

SP – Centro Médico de Campinas – CMC – 2016 – Residência (Acesso Direto)

Qual o tipo histológico abaixo representa o tumor maligno do rim mais frequente no adulto?

A) Carcinoma Oncocítico.

B)Carcinoma células claras.

C)Coriocarcinoma.

D)Nefroblastoma.

Comentário da questão:

GABARITO: ALTERNATIVA “B”

A. Incorreta a alternativa “a” porque tumores oncocíticos são raros. Acometem principalmente a tiróide, o rim, a glândula salivar e mais raramente a supra-renal Geralmente são uma variante do carcinoma medular de tireóide.

B. Correta a alternativa “b”, porque o Carcinoma de Células Renais (CCR), é a neoplasia maligna mais comum no rim, responsável por aproximadamente 80 a 85 % dos casos. Ela apresenta quatro subtipos, sendo o mais comum o carcinoma de células claras (60%), carcinoma paiplífero (10 a 15%), carcinoma cromofóbico (5%) e carcinoma do ducto coletor (< 1%). A segunda neoplasia renal mais comum é o carcinoma de células transicionais da pelve renal.

C. Incorreta a alternativa “c”, porque o coriocarcinoma é uma apresentação maligna originária do epitélio trofoblástico placentário, associado ou não a mola hidatiforme.

D. Incorreta a alternativa “d”, porque o nefroblastoma ou tumor de Wilms é o tumor renal mais comum em crianças.

Veja também!

Referências

Michael B Atkins, MD. Clinical presentation, diagnosis, and staging of renal cell carcinoma. UpToDate, 2025. Disponível em: UpToDate

Michael B Atkins, MDZiad El Bakouny, MDToni K Choueiri, MD. Epidemiology, pathology, and pathogenesis of renal cell carcinoma. UpToDate, 2025. Disponível em: UpToDate

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