Resumo sobre Doença relacionada à IgG4: definição, manifestações clínicas e mais!

E aí, doc! Vamos explorar mais um tema essencial? Hoje o foco é a Doença relacionada à IgG4, uma condição fibroinflamatória sistêmica caracterizada pela infiltração de tecidos por plasmócitos produtores de IgG4, podendo acometer múltiplos órgãos e levar ao aumento de volume, inflamação e fibrose das estruturas afetadas.

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Vamos nessa!

Definição de Doença relacionada à IgG4 

A doença relacionada à IgG4 (IgG4-RD) é uma enfermidade fibroinflamatória sistêmica mediada pelo sistema imunológico, caracterizada pela infiltração de tecidos por plasmócitos produtores de IgG4 e pelo desenvolvimento progressivo de fibrose. Pode acometer um ou múltiplos órgãos, incluindo pâncreas, vias biliares, glândulas salivares e lacrimais, rins, pulmões, órbitas, tireoide, vasos sanguíneos e retroperitônio.

A doença geralmente se manifesta por aumento difuso de órgãos ou formação de massas inflamatórias, muitas vezes simulando tumores, infecções ou outras doenças autoimunes. Em diversos casos, o diagnóstico é feito incidentalmente por exames de imagem ou por análise histopatológica de biópsias.

O reconhecimento precoce é essencial, pois a fase inflamatória da doença costuma responder bem ao tratamento com glicocorticoides e outras terapias imunossupressoras. Sem tratamento adequado, pode ocorrer progressão para fibrose irreversível e dano permanente aos órgãos afetados.

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Manifestações clínicas da Doença relacionada à IgG4

As manifestações clínicas da doença relacionada à IgG4 (IgG4-RD) são bastante heterogêneas, pois a doença pode acometer praticamente qualquer órgão. Em geral, os pacientes apresentam aumento de órgãos, massas pseudotumorais ou lesões inflamatórias que podem simular neoplasias. 

O quadro costuma ter evolução lenta e subaguda, frequentemente sem sintomas sistêmicos importantes. Linfadenopatia é comum, e cerca de 40% dos pacientes apresentam histórico de doenças alérgicas ou asma.

Acometimento pancreatobiliar

O pâncreas é um dos órgãos mais frequentemente envolvidos, manifestando-se como pancreatite autoimune tipo 1. Os pacientes podem apresentar:

  • Icterícia obstrutiva indolor;
  • Massa pancreática;
  • Pancreatite recorrente ou crônica;
  • Diabetes mellitus;
  • Insuficiência pancreática exócrina.

O acometimento das vias biliares pode causar colangite esclerosante relacionada à IgG4, caracterizada por icterícia, prurido, dor abdominal e alterações das enzimas hepáticas.

Glândulas salivares e lacrimais

O envolvimento das glândulas salivares e lacrimais é uma das apresentações mais clássicas da doença. As manifestações incluem:

  • Aumento bilateral das glândulas parótidas e submandibulares;
  • Dor e edema glandular;
  • Aumento das glândulas lacrimais;
  • Sensação de olhos secos.

Esses achados podem lembrar a síndrome de Sjögren, mas representam uma condição distinta.

Acometimento orbitário

Quando a órbita é afetada, podem ocorrer:

  • Proptose (olhos projetados para frente);
  • Edema periorbitário;
  • Diplopia;
  • Dor ocular;
  • Pseudotumores orbitários.

O acometimento dos músculos extraoculares também é relativamente frequente.

Linfonodos

A linfadenopatia relacionada à IgG4 geralmente é:

  • Indolor;
  • Generalizada ou multifocal;
  • Associada ao aumento de linfonodos móveis e de consistência elástica.

Em alguns pacientes, pode ser a manifestação inicial da doença.

Retroperitônio e vasos sanguíneos

A doença pode causar fibrose retroperitoneal, levando a:

  • Dor lombar ou abdominal;
  • Hidronefrose;
  • Obstrução ureteral.

O acometimento vascular pode manifestar-se como:

  • Aortite;
  • Periaortite;
  • Formação de aneurismas.

Essas alterações são potencialmente graves devido ao risco de comprometimento vascular progressivo.

Pulmões

As manifestações respiratórias são variadas e incluem:

  • Tosse;
  • Dispneia;
  • Dor torácica;
  • Hemoptise.

Em muitos casos, as alterações pulmonares são detectadas incidentalmente em exames de imagem.

Rins

O acometimento renal ocorre principalmente como nefrite tubulointersticial e pode provocar:

  • Insuficiência renal aguda ou crônica;
  • Alterações urinárias;
  • Elevação da creatinina sérica.

Sistema nervoso e tireoide

Embora menos frequentes, podem ocorrer:

  • Hipofisite relacionada à IgG4;
  • Paquimeningite hipertrófica;
  • Tireoidite de Riedel.

Essas manifestações resultam da infiltração inflamatória e da fibrose dos tecidos acometidos.

Diagnóstico da doença relacionada à IgG4

O diagnóstico da doença relacionada à IgG4 (IgG4-RD) pode ser desafiador, pois suas manifestações frequentemente simulam neoplasias, infecções e outras doenças inflamatórias ou autoimunes. Por esse motivo, o diagnóstico não deve ser baseado em um único exame, mas sim na integração de dados clínicos, laboratoriais, radiológicos e histopatológicos, além da exclusão de diagnósticos alternativos.

A suspeita diagnóstica surge diante da presença de aumento de órgãos, massas pseudotumorais ou lesões fibroinflamatórias em um ou mais sítios anatômicos. O acometimento simultâneo de múltiplos órgãos aumenta significativamente a probabilidade da doença.

Exames laboratoriais

A dosagem sérica de IgG4 é frequentemente utilizada na investigação, porém apresenta limitações importantes. Embora muitos pacientes apresentem níveis elevados de IgG4, valores normais não excluem a doença, e níveis elevados podem ocorrer em diversas outras condições. Assim, a dosagem isolada de IgG4 não é suficiente para estabelecer o diagnóstico.

Outros exames laboratoriais podem auxiliar na avaliação do comprometimento orgânico e na exclusão de diagnósticos diferenciais.

Exames de imagem

Os métodos de imagem desempenham papel importante na identificação de massas, aumento de órgãos e extensão da doença. A tomografia computadorizada (TC) é o exame mais utilizado, enquanto a tomografia por emissão de pósitrons (PET) pode ser útil em casos com suspeita de acometimento vascular. 

Entretanto, nenhum achado radiológico é específico para IgG4-RD, e os exames de imagem não conseguem distinguir de forma confiável a doença de neoplasias ou outras condições inflamatórias.

Biópsia e histopatologia

A confirmação diagnóstica idealmente deve ser realizada por meio de biópsia do órgão acometido. Sempre que possível, recomenda-se obter amostras de tecido para avaliação histológica, pois a histopatologia representa o principal elemento para a confirmação da doença. 

A biópsia por agulha grossa (core biopsy) geralmente é suficiente, enquanto a punção aspirativa por agulha fina não fornece material adequado para avaliação diagnóstica.

Os principais achados histopatológicos incluem:

  • Infiltrado linfoplasmocitário rico em plasmócitos IgG4-positivos;
  • Fibrose em padrão estoriforme;
  • Flebite obliterativa;
  • Eosinofilia tecidual.

A coloração imunohistoquímica para IgG4 deve ser realizada em todos os casos suspeitos. Em geral, considera-se sugestiva a presença de aproximadamente 30 a 50 plasmócitos IgG4-positivos por campo de grande aumento, embora esse valor possa variar conforme o órgão analisado.

Critérios para o diagnóstico

Segundo o documento, o diagnóstico é estabelecido quando há:

  1. Evidência clínica ou radiológica de aumento tumefativo de um órgão acometido; e
  2. Biópsia compatível com IgG4-RD, demonstrando as alterações histopatológicas características.

Tratamento da doença relacionada à IgG4

O tratamento da doença relacionada à IgG4 tem como objetivo controlar a inflamação, evitar danos permanentes aos órgãos acometidos e prevenir a progressão para fibrose. O tratamento precoce é fundamental, pois as lesões inflamatórias respondem melhor à terapia do que as áreas já fibrosadas.

Corticosteroides: primeira linha de tratamento

Os glicocorticoides constituem a terapia de primeira linha para a maioria dos pacientes com doença ativa. A prednisona é geralmente utilizada na dose inicial de aproximadamente 0,6 mg/kg/dia (30–40 mg/dia), promovendo melhora clínica, redução das lesões e recuperação funcional dos órgãos afetados em poucas semanas. Após a resposta inicial, recomenda-se redução gradual da dose até a suspensão do tratamento.

Medicamentos imunossupressores

Embora a resposta inicial aos corticosteroides seja geralmente excelente, recaídas são frequentes durante a redução da dose ou após a suspensão do tratamento. Nesses casos, podem ser necessários medicamentos imunossupressores para manter a doença controlada e reduzir a necessidade de corticosteroides por longos períodos.

O rituximabe é atualmente uma das principais opções para pacientes com doença recorrente, extensa ou resistente aos corticosteroides, apresentando elevadas taxas de resposta clínica. Outras alternativas incluem azatioprina, micofenolato de mofetila e leflunomida.

Tratamento de manutenção

Alguns pacientes, especialmente aqueles com acometimento de múltiplos órgãos ou maior risco de recaída, podem necessitar de tratamento de manutenção para evitar novas manifestações da doença. O rituximabe e outros imunossupressores podem ser utilizados com essa finalidade.

Procedimentos complementares

Em situações específicas, podem ser necessários procedimentos para corrigir complicações causadas pela doença, como colocação de stents em obstruções biliares ou urinárias decorrentes da fibrose e do aumento dos tecidos acometidos.

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Referências

STONE, John H.; DESHPANDE, Vikram. Clinical manifestations and diagnosis of IgG4-related disease. In: POST, Theodore W. (ed.). UpToDate. Waltham, MA: UpToDate, 2026. Disponível em: https://www.uptodate.com. Acesso em: 1 jun. 2026.

MOUTSOPOULOS, Haralampos M.; FRAGOULIS, George E.; STONE, John H. Treatment and prognosis of IgG4-related disease. In: POST, Theodore W. (ed.). UpToDate. Waltham, MA: UpToDate, 2026. Disponível em: https://www.uptodate.com. Acesso em: 1 jun. 2026.

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