Resumo sobre Estado Hiperosmolar Hiperglicêmico: definição, tratamento e mais!
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Resumo sobre Estado Hiperosmolar Hiperglicêmico: definição, tratamento e mais!

E aí, doc! Vamos explorar mais um tema essencial? Hoje o foco é o Estado Hiperosmolar Hiperglicêmico, uma complicação metabólica grave do diabetes, caracterizada por hiperglicemia acentuada, hiperosmolaridade plasmática e desidratação profunda, geralmente sem cetose significativa. 

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Vamos nessa!

Definição de Estado Hiperosmolar HIperglicêmico

O estado hiperosmolar hiperglicêmico é uma complicação metabólica grave e potencialmente fatal do diabetes mellitus, ocorrendo predominantemente em pacientes com diabetes tipo 2. Caracteriza-se por hiperglicemia intensa e persistente, aumento significativo da osmolaridade plasmática e desidratação profunda, geralmente na ausência de cetose ou acidose metabólica relevantes.

Essa condição resulta de uma deficiência relativa de insulina associada à resistência periférica à sua ação. Embora as células beta pancreáticas ainda produzam insulina, sua quantidade é insuficiente para promover a adequada captação de glicose pelos tecidos periféricos, levando à hiperglicemia progressiva. Ao mesmo tempo, a presença residual de insulina inibe parcialmente a lipólise, o que explica a ausência de produção significativa de corpos cetônicos.

O estado hiperosmolar hiperglicêmico está associado a altas taxas de mortalidade, superiores às observadas na cetoacidose diabética, sendo o prognóstico influenciado principalmente pela idade do paciente, grau de desidratação e presença de comorbidades associadas.

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Etiologia do Estado Hiperosmolar Hiperglicêmico

A etiologia do estado hiperosmolar hiperglicêmico está associada a fatores que aumentam a hiperglicemia e a desidratação em pacientes com diabetes mellitus, principalmente o tipo 2. Embora possa ocorrer em crianças e jovens com diabetes tipo 1 ou tipo 2, é mais comum em indivíduos com diabetes tipo 2 e controle glicêmico inadequado.

A infecção é o principal fator desencadeante, sendo responsável por aproximadamente 50% a 60% dos casos. Infecções dos sistemas respiratório, gastrointestinal e geniturinário promovem perda hídrica insensível e liberação de hormônios contrarreguladores, resultando em hiperglicemia acentuada e diurese osmótica.

O uso de medicamentos, especialmente em idosos, também contribui para o desenvolvimento do quadro. Diuréticos tiazídicos, betabloqueadores, glicocorticoides e antipsicóticos atípicos podem aumentar a resistência à insulina, elevar a glicemia ou intensificar a desidratação.

Além disso, eventos cardiovasculares agudos, como acidente vascular cerebral, angina e infarto do miocárdio, atuam como estressores metabólicos, estimulando a liberação de hormônios contrarreguladores e agravando a hiperglicemia e a desidratação. 

Fatores como obesidade e consumo excessivo de bebidas ricas em carboidratos também estão associados ao aumento da incidência do estado hiperosmolar hiperglicêmico, especialmente na população pediátrica.

Fisiopatologia do Estado Hiperosmolar Hiperglicêmico

A fisiopatologia do estado hiperosmolar hiperglicêmico decorre da deficiência relativa de insulina associada ao aumento de hormônios contrarreguladores, como glucagon, catecolaminas e cortisol. Esse desequilíbrio metabólico leva a hiperglicemia extrema, hiperosmolaridade plasmática elevada e desidratação grave, sem cetose significativa.

A resistência periférica à insulina e a quantidade insuficiente de insulina circulante impedem a adequada captação de glicose pelos tecidos, enquanto ocorre aumento da gliconeogênese e da glicogenólise hepáticas, elevando a glicemia frequentemente para valores acima de 600 mg/dL. A hiperglicemia intensa provoca diurese osmótica, resultando em perda excessiva de água e eletrólitos, especialmente sódio e potássio.

A desidratação progressiva e a hipovolemia aumentam a osmolaridade sérica, geralmente superior a 320 mOsm/kg, levando à desidratação celular, com destaque para o sistema nervoso central. Esse mecanismo explica as manifestações neurológicas, que variam de confusão mental a coma.

Diferentemente da cetoacidose diabética, há insulina residual suficiente para inibir a lipólise e a cetogênese, motivo pelo qual não ocorre acidose metabólica significativa. Além disso, a redução da perfusão renal secundária à hipovolemia compromete a excreção de glicose, perpetuando a hiperglicemia e agravando o quadro clínico.

Manifestações clínicas do Estado Hiperosmótico Hiperglicêmico

As manifestações clínicas do estado hiperosmolar hiperglicêmico podem ser organizadas nos seguintes sinais e sintomas:

Manifestações gerais e metabólicas

  • Poliúria devido à diurese osmótica;
  • Polidipsia nos estágios iniciais;
  • Hiperglicemia acentuada;
  • Perda ponderal e fraqueza intensa.
  • Náuseas e vômitos, geralmente menos intensos que na cetoacidose diabética;
  • Dor abdominal, menos frequente;
  • Ausência de respiração de Kussmaul;
  • Ausência de hálito cetônico.

Sinais de desidratação e hipovolemia

  • Mucosas secas;
  • Diminuição do turgor cutâneo;
  • Taquicardia;
  • Hipotensão, especialmente ortostática;
  • Oligúria ou redução do débito urinário em fases avançadas;
  • Choque hipovolêmico nos casos graves.

Manifestações neurológicas

  • Cefaleia;
  • Letargia;
  • Confusão mental;
  • Desorientação;
  • Sonolência;
  • Convulsões;
  • Estupor ou coma, relacionados à hiperosmolaridade elevada;

Sinais relacionados à causa desencadeante

  • Febre e sintomas respiratórios em infecções pulmonares;
  • Disúria ou alterações urinárias em infecções do trato geniturinário;
  • Déficits neurológicos focais quando associados a eventos cerebrovasculares;

Diagnóstico da Estado Hiperosmótico Hiperglicêmico

O diagnóstico do estado hiperosmolar hiperglicêmico é fundamentado na associação entre achados clínicos e laboratoriais, sendo essencial para diferenciar essa condição de outras emergências hiperglicêmicas, especialmente da cetoacidose diabética. A suspeita diagnóstica deve ser levantada diante de pacientes, em geral com diabetes tipo 2, que apresentam hiperglicemia grave, desidratação intensa e alterações do estado mental.

Do ponto de vista clínico, observa-se um quadro progressivo de poliúria e polidipsia, seguido de sinais de hipovolemia, como mucosas secas, taquicardia e hipotensão. As manifestações neurológicas, que variam de confusão mental a coma, são particularmente importantes, pois se correlacionam diretamente com o grau de hiperosmolaridade plasmática. A investigação de fatores precipitantes, como infecções, uso de medicamentos hiperglicemiantes, eventos cardiovasculares ou falha no tratamento do diabetes, é parte fundamental da avaliação diagnóstica.

A confirmação do diagnóstico é realizada por meio de exames laboratoriais, que demonstram hiperglicemia extrema, geralmente com valores de glicose plasmática iguais ou superiores a 600 mg/dL, associada a osmolaridade plasmática efetiva elevada, habitualmente acima de 320 mOsm/kg. Diferentemente da cetoacidose diabética, observa-se pH arterial preservado, com valores ≥ 7,30, bicarbonato sérico ≥ 18 mEq/L e ausência ou mínima cetonemia, com ânion gap normal ou discretamente aumentado.

Além dos critérios diagnósticos principais, são frequentes distúrbios hidroeletrolíticos, decorrentes da diurese osmótica. Destacam-se a hiponatremia dilucional, que deve ser corrigida conforme a glicemia, o déficit total de potássio, mesmo quando os níveis séricos iniciais estão normais ou elevados, e a elevação de ureia e creatinina, sugerindo comprometimento da perfusão renal.

Principais critérios laboratoriais do diagnóstico

  • Glicose plasmática ≥ 600 mg/dL
  • Osmolaridade plasmática efetiva > 320 mOsm/kg
  • pH arterial ≥ 7,30
  • Bicarbonato sérico ≥ 18 mEq/L
  • Cetonemia ausente ou discreta
  • Ânion gap normal ou levemente aumentado

Exames complementares, como gasometria, avaliação seriada de eletrólitos e função renal, além de exames para identificação da causa desencadeante, como hemograma, urinálise e radiografia de tórax, devem ser realizados para confirmar o diagnóstico, orientar o manejo e prevenir complicações associadas.

Tratamento do Estado Hiperosmótico Hiperglicêmico

O tratamento do estado hiperosmolar hiperglicêmico é uma emergência médica e deve ser conduzido de forma rápida, sistemática e monitorizada, conforme descrito nos documentos enviados. Os objetivos centrais são restaurar o volume intravascular, reduzir a hiperglicemia de forma segura, corrigir distúrbios eletrolíticos e tratar o fator desencadeante, reduzindo assim a elevada morbimortalidade associada à condição.

A reposição volêmica é a primeira e mais importante etapa do tratamento. A hiperglicemia intensa provoca diurese osmótica prolongada, resultando em desidratação severa e hipovolemia. A administração inicial de soluções cristaloides isotônicas, como soro fisiológico a 0,9%, tem como finalidade restaurar a perfusão tecidual, melhorar a função renal e reduzir gradualmente a osmolaridade plasmática. Essa correção deve ser lenta e controlada, pois reduções rápidas da osmolaridade aumentam o risco de edema cerebral.

 Insulinoterapia

  • Iniciada após reposição hídrica inicial e avaliação do potássio;
  • Utiliza-se insulina intravenosa em baixa dose.
  • Efeitos:
    • Aumenta a captação periférica de glicose;
    • Reduz a produção hepática de glicose.
  • Particularidades:
    • Reposição volêmica isolada já reduz a glicemia de forma significativa;
    • Insulina deve ser usada com cautela.
  • Objetivo:
    • Queda progressiva e controlada da glicose
    • Evitar reduções abruptas

Correção dos distúrbios eletrolíticos

  • Etapa essencial do manejo
  • Potássio:
    • Déficit corporal total importante, apesar de níveis séricos iniciais normais ou elevados;
    • Insulina promove deslocamento intracelular do potássio;
    • Risco de hipocalemia grave;
    • Reposição deve ser criteriosa e monitorada.
  • Outros eletrólitos:
    • Avaliar e corrigir sódio, fósforo e magnésio conforme necessidade clínica.

Tratamento da causa desencadeante

  • Fundamental para resolução do quadro e prevenção de recidivas;
  • Principais causas:
    • Infecções
    • Eventos cardiovasculares agudos
    • Interrupção ou uso inadequado do tratamento do diabetes
    • Uso de medicamentos hiperglicemiantes
  • Conduta direcionada conforme a etiologia identificada

Monitorização e evolução

  • Monitorização rigorosa e contínua de:
    • Estado hemodinâmico;
    • Nível de consciência;
    • Glicemia;
    • Osmolaridade plasmática;
    • Eletrólitos séricos;
    • Função renal.
  • Transição para insulinoterapia subcutânea:
    • Somente após estabilização clínica;
    • Redução segura da osmolaridade;
    • Recuperação do estado mental.

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Referências

Adeyinka A, Kondamudi NP. Hyperosmolar Hyperglycemic Syndrome. [Updated 2023 Aug 12]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2025 Jan-. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK482142/

ALMEIDA, Ana Maria Rezende Machado et al. Estado Hiperglicêmico Hiperosmolar (EHH): revisão abrangente sobre etiologia, fisiopatologia, diagnóstico, tratamento e prevenção. Brazilian Journal of Health and Biological Science, v. 1, n. 1, p. 1–19, 2024.

Diabetic ketoacidosis and hyperosmolar hyperglycemic state in adults: clinical features, evaluation, and diagnosis. Waltham: UpToDate, [s.d.]. Disponível em: https://www.uptodate.com. Acesso em: 7 jan. 2026.

Hyperosmolar hyperglycemic state in adults: treatment. Waltham: UpToDate, [s.d.]. Disponível em: https://www.uptodate.com. Acesso em: 7 jan. 2026.

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