Resumo sobre Febre Tifóide: definição, manifestações clínicas e mais!
Fonte: Magnific

Resumo sobre Febre Tifóide: definição, manifestações clínicas e mais!

E aí, doc! Vamos explorar mais um tema essencial? Hoje o foco é a Febre tifoide, uma doença infecciosa sistêmica causada pela bactéria Salmonella enterica sorovar Typhi, transmitida principalmente pela ingestão de água ou alimentos contaminados. 

O Estratégia MED está aqui para descomplicar esse conceito e ajudar você a aprofundar seus conhecimentos, promovendo uma prática clínica cada vez mais eficaz e segura.

Vamos nessa!

Definição de Febre Tifóide

A febre tifoide é uma doença infecciosa sistêmica causada pela bactéria Salmonella enterica sorotipo Typhi, transmitida pela via fecal-oral, principalmente pela ingestão de água e alimentos contaminados. 

A febre paratifoide, causada pelos sorotipos Paratyphi A, B e C, apresenta manifestações clínicas semelhantes, sendo ambas denominadas febres entéricas. Essas doenças constituem importantes problemas de saúde pública mundial, especialmente em regiões com saneamento básico inadequado, acesso limitado à água potável e condições precárias de higiene. 

Após um período de incubação de 6 a 30 dias, a febre tifoide manifesta-se geralmente de forma gradual, com febre persistente, cefaleia, fadiga, anorexia, mal-estar e sintomas abdominais. O diagnóstico pode ser dificultado pela apresentação clínica inespecífica e pela sensibilidade limitada dos testes diagnósticos. 

Além disso, a crescente resistência aos antimicrobianos, incluindo o surgimento de cepas extensivamente resistentes, representa um desafio para o tratamento. Quando não tratada adequadamente, a doença pode evoluir para complicações graves, como sepse e perfuração intestinal. 

Descubra como as bancas cobram na prática!

Conheça o Banco de Questões!

Etiologia da Febre Tifóide

A febre tifoide é causada pela bactéria Salmonella enterica, subespécie enterica, sorotipo Typhi (S. Typhi), pertencente à família Enterobacteriaceae. Trata-se de um bacilo Gram-negativo, anaeróbio facultativo, não fermentador de lactose e oxidase-negativo, capaz de produzir sulfeto de hidrogênio (H₂S) em meios de cultura específicos. 

A febre tifoide é transmitida principalmente pela via fecal-oral, por meio da ingestão de água e alimentos contaminados com fezes de indivíduos infectados, incluindo portadores crônicos assintomáticos e pessoas em recuperação. 

As bactérias S. Typhi e S. Paratyphi podem persistir no ambiente por períodos prolongados, favorecendo a contaminação de alimentos, inclusive produtos agrícolas, e a ocorrência de surtos. A vesícula biliar pode atuar como reservatório bacteriano em portadores crônicos. Além disso, há relatos de transmissão sexual, especialmente entre homens que fazem sexo com homens.

Fisiopatologia da Febre Tifóide

A fisiopatologia da febre tifoide envolve a ingestão de Salmonella enterica sorotipo Typhi, que sobrevive à acidez gástrica e atravessa o epitélio do intestino delgado, invadindo enterócitos e células M associadas às placas de Peyer. 

Após a invasão, as bactérias disseminam-se pelo organismo através de células do sistema fagocítico mononuclear, como os macrófagos, nos quais conseguem sobreviver e multiplicar-se intracelularmente, escapando parcialmente das defesas imunológicas e da ação de alguns antimicrobianos.

Durante o período de incubação, ocorre disseminação bacteriana, seguida de bacteremia secundária persistente, responsável pelo desenvolvimento progressivo da febre e das manifestações sistêmicas. 

As bactérias podem atingir órgãos como fígado, baço e vesícula biliar, favorecendo sua persistência e a eliminação pelas fezes. Nos casos graves, a inflamação e a necrose do tecido linfoide intestinal, especialmente nas placas de Peyer, podem provocar hemorragia digestiva e perfuração intestinal. Além disso, a capacidade de evasão imunológica e o desenvolvimento de resistência aos antimicrobianos dificultam o controle da infecção e podem agravar sua evolução clínica.

Manifestações clínicas da Febre Tifóide

As manifestações clínicas da febre tifoide são geralmente inespecíficas e apresentam início insidioso, após um período de incubação de 6 a 30 dias, com média de 10 a 14 dias. O quadro caracteriza-se por febre progressiva, que pode atingir 38 – 40 °C até o terceiro ou quarto dia da doença, acompanhada de fadiga, cefaleia, anorexia e mal-estar.

São frequentes os sintomas gastrointestinais, como dor e distensão abdominal, constipação ou diarreia, podendo ocorrer vômitos e, em casos graves, diarreia sanguinolenta. Tosse seca, mialgia e dor de garganta também podem estar presentes.

Ao exame físico, podem ser observados palidez, desidratação, letargia, hepatoesplenomegalia e distensão e sensibilidade abdominal. Em alguns pacientes, surgem manchas rosadas (rose spots), lesões maculopapulares eritematosas, geralmente localizadas no tórax e no abdome. Bradicardia relativa e icterícia também podem ocorrer, embora não sejam achados constantes.

Em crianças, são mais comuns diarreia, vômitos e manifestações neurológicas, incluindo convulsões febris. Nos casos graves, podem surgir alterações do nível de consciência, hemorragia digestiva, perfuração intestinal, peritonite, sepse e choque séptico. Outras complicações incluem miocardite, hepatite, pancreatite e osteomielite. 

Como os sinais e sintomas são inespecíficos, a avaliação clínica deve considerar o histórico epidemiológico e as possíveis exposições, sendo necessária a investigação diagnóstica para diferenciar a febre tifoide de outras doenças febris, como dengue e malária.

Diagnóstico de Febre Tifóide

O diagnóstico da febre tifoide baseia-se na avaliação clínica, no histórico epidemiológico e em exames laboratoriais, sendo fundamental a investigação precoce para reduzir o risco de complicações. 

Deve-se suspeitar da doença em pacientes com febre persistente por pelo menos 3 dias, especialmente quando residem ou viajaram recentemente para áreas endêmicas ou tiveram contato com pessoas infectadas. É importante realizar o diagnóstico diferencial com outras doenças febris, como dengue, malária e meningite.

A hemocultura é o método padrão-ouro para o diagnóstico, pois permite o isolamento de Salmonella enterica sorotipo Typhi ou Paratyphi e a avaliação da sensibilidade aos antimicrobianos. Entretanto, sua sensibilidade é limitada, especialmente quando realizada uma única vez, e o resultado pode demorar vários dias. A cultura da medula óssea apresenta maior sensibilidade, inclusive após o uso de antibióticos, mas é invasiva e pouco utilizada na prática rotineira.

Outros métodos incluem testes sorológicos, como o teste de Widal, cuja utilização é limitada pela baixa sensibilidade e especificidade, e testes moleculares, como a reação em cadeia da polimerase (PCR), que permitem detectar o material genético bacteriano, embora sua sensibilidade possa ser reduzida pela baixa concentração de bactérias no sangue. 

Exames complementares, como hemograma e provas de função hepática, podem revelar leucopenia, neutropenia, anemia e elevação de enzimas hepáticas, mas não confirmam isoladamente a doença.

Tratamento da Febre Tifóide

O tratamento baseia-se principalmente na antibioticoterapia precoce, com o objetivo de eliminar a bactéria, reduzir a duração da doença e prevenir complicações. A escolha do antimicrobiano deve considerar a gravidade clínica, os padrões regionais de resistência bacteriana e, sempre que possível, os resultados da cultura e do teste de sensibilidade aos antibióticos.

  • Casos leves: a azitromicina é uma opção preferencial em regiões com elevada resistência às fluoroquinolonas. A ciprofloxacina pode ser utilizada em locais onde a sensibilidade bacteriana esteja preservada.
  • Casos graves: a ceftriaxona intravenosa é uma opção de tratamento empírico. Em regiões com elevada prevalência de cepas extensivamente resistentes (XDR), pode ser necessário utilizar carbapenêmicos, como o meropenem, conforme o histórico epidemiológico e a avaliação clínica.
  • Tratamento de suporte: inclui hidratação oral ou intravenosa, antitérmicos e reposição de líquidos e eletrólitos em casos de vômitos, diarreia ou desidratação. Pacientes com doença grave, hemorragia intestinal, perfuração, sepse ou choque necessitam de hospitalização e cuidados específicos.
  • Monitoramento da resposta: a febre costuma diminuir entre o terceiro e o quinto dia de antibioticoterapia eficaz. A persistência da febre por mais de cinco dias exige reavaliação, investigação de complicações e consideração de resistência antimicrobiana ou de outro foco infeccioso.

O tratamento deve ser ajustado à função renal e, em crianças, ao peso corporal. Corticosteroides podem ser indicados em situações graves específicas, como choque ou comprometimento do sistema nervoso central, sob supervisão médica.

Veja também!

Referências

Jenks JD, Swinkels HM. Typhoid Fever. [Updated 2026 Sep 14]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2026 Jan-. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK557513/ 

Você pode gostar também