Resumo sobre Intolerância à histamina: definição, manifestações clínicas e mais!
Fonte: Freepik

Resumo sobre Intolerância à histamina: definição, manifestações clínicas e mais!

E aí, doc! Vamos explorar mais um tema essencial? Hoje o foco é a Intolerância à histamina, uma condição caracterizada pela incapacidade do organismo de degradar adequadamente a histamina, geralmente por deficiência da enzima diamino oxidase (DAO), levando ao seu acúmulo e ao surgimento de sintomas como cefaleia, rubor, sintomas gastrointestinais e manifestações cutâneas.

O Estratégia MED está aqui para descomplicar esse conceito e ajudar você a aprofundar seus conhecimentos, promovendo uma prática clínica cada vez mais eficaz e segura.

Vamos nessa!

Definição de Intolerância a histamina

A intolerância à histamina é um termo utilizado para descrever uma condição hipotética caracterizada por um desequilíbrio entre a ingestão, produção e degradação da histamina no organismo. A histamina é uma amina biogênica com papel relevante em processos fisiológicos, como a regulação da resposta imune, secreção gástrica e neurotransmissão.

Apesar de ter sido introduzido na literatura médica na década de 1980 e amplamente difundido, especialmente fora do meio científico, o conceito permanece controverso. Até o momento, não há evidências consistentes, provenientes de estudos prospectivos e controlados, que confirmem um mecanismo fisiopatológico definido, como deficiência comprovada das enzimas responsáveis pela metabolização da histamina, incluindo a diamino oxidase (DAO) e a histamina-N-metiltransferase (HNMT).

A ntolerância à histamina não é universalmente reconhecida como uma entidade clínica bem estabelecida, sendo considerada por muitos autores como uma hipótese diagnóstica ainda não completamente validada pela medicina baseada em evidências.

Conheça o curso mais completo para conquistar sua vaga na Residência Médica!

Prepare-se com o Estratégia MED!

Etiologia da Intolerância a histamina

A etiologia da intolerância à histamina é multifatorial e está principalmente relacionada a um desequilíbrio entre a quantidade de histamina disponível no organismo e a sua capacidade de degradação, com destaque para a redução da atividade da enzima diamino oxidase (DAO), considerada um dos principais mecanismos protetores contra o acúmulo de histamina.

A diminuição da atividade da DAO pode ocorrer por diferentes mecanismos. Entre eles, destacam-se fatores genéticos, como polimorfismos nos genes envolvidos no metabolismo da histamina, especialmente aqueles que codificam a própria DAO. Algumas dessas variações genéticas podem resultar em alterações na atividade enzimática, predispondo ao acúmulo de histamina.

Além disso, há causas patológicas, particularmente doenças que afetam a mucosa intestinal, como doenças inflamatórias intestinais e distúrbios funcionais do trato gastrointestinal. Nessas condições, a integridade da mucosa pode estar comprometida, levando à redução da produção ou atividade da DAO.

Fatores farmacológicos também têm papel relevante, uma vez que diversos medicamentos podem inibir a atividade da DAO de forma direta ou indireta, contribuindo para a diminuição da degradação da histamina.

Outros elementos associados incluem o consumo de álcool, que pode aumentar a liberação de histamina e interferir em sua metabolização, e deficiências nutricionais, especialmente de cofatores importantes para a atividade da DAO, como vitamina C e cobre.

Manifestações clínicas da Intolerância a histamina

As manifestações clínicas da intolerância à histamina são variadas, inespecíficas e podem acometer diferentes sistemas do organismo, devido à ampla distribuição dos receptores de histamina . De forma didática, podem ser organizadas da seguinte maneira:

Sistema gastrointestinal (mais frequente)

  • Distensão abdominal
  • Dor abdominal
  • Diarreia ou constipação
  • Plenitude pós-prandial

Essas são as manifestações mais comuns e frequentemente predominantes nos pacientes .

Manifestações cutâneas

  • Prurido
  • Rubor (flushing)
  • Urticária
  • Dermatite

Relacionam-se à ação da histamina nos receptores cutâneos .

Sistema respiratório

  • Rinorreia
  • Congestão nasal
  • Espirros
  • Dispneia

Decorrentes da ativação de receptores nas vias aéreas .

Além disso, há manifestações em outros sistemas, como o cardiovascular (tontura, palpitações), o sistema nervoso (cefaleia) e o sistema reprodutivo (cólicas menstruais), embora essas sejam menos frequentes.

Diagnóstico da Intolerância a histamina

O diagnóstico da intolerância à histamina é desafiador, pois não há um teste único, específico e validado para confirmar a condição. Dessa forma, trata-se essencialmente de um diagnóstico clínico e de exclusão, considerando a sobreposição com outras doenças e a ausência de critérios diagnósticos padronizados.

A dosagem sérica da enzima diamino oxidase (DAO) é uma das abordagens mais utilizadas, uma vez que a redução de sua atividade está relacionada à fisiopatologia da condição. No entanto, sua aplicação isolada é limitada pela grande variabilidade intraindividual, como flutuações ao longo do dia, o que reduz sua confiabilidade como marcador diagnóstico único.

Testes cutâneos, como o prick test, também podem ser empregados, baseando-se na observação de uma degradação mais lenta da histamina na pele. Contudo, esses testes apresentam baixa especificidade, não sendo capazes de diferenciar adequadamente a intolerância à histamina de outras condições alérgicas.

O teste de provocação com histamina é outra estratégia possível, permitindo avaliar o limiar individual de tolerância. Apesar disso, sua utilidade é limitada por dificuldades na padronização da dose, necessidade de supervisão especializada e pelo fato de que pode desencadear manifestações até mesmo em indivíduos saudáveis.

Outras abordagens, como a dosagem de histamina fecal, têm valor restrito devido à interferência da microbiota intestinal, que também produz histamina. Já os testes genéticos podem identificar predisposição associada a alterações no metabolismo da histamina, sendo mais úteis quando combinados a outros métodos diagnósticos.

Tratamento da Intolerância a histamina

O tratamento da intolerância à histamina baseia-se principalmente em medidas que reduzem a carga de histamina no organismo e melhoram sua degradação, embora ainda haja limitação de evidências robustas e ausência de protocolos padronizados.

A principal estratégia terapêutica é a dieta com baixo teor de histamina, considerada o padrão-ouro. Essa abordagem consiste na restrição de alimentos ricos em histamina ou outras aminas biogênicas, com posterior reintrodução gradual conforme a tolerância individual. Estudos mostram que a adesão a essa dieta pode levar à melhora clínica e até ao aumento dos níveis de DAO.

Outra medida importante é a suspensão de medicamentos que possam inibir a atividade da DAO, quando possível, já que diversos fármacos interferem no metabolismo da histamina.

A suplementação de DAO exógena tem sido proposta como alternativa terapêutica, com estudos demonstrando melhora clínica em alguns pacientes. No entanto, os dados ainda são limitados, com amostras pequenas, sendo necessária maior validação em estudos de maior escala.

O uso de anti-histamínicos (bloqueadores H1 e H2) pode ser considerado em casos selecionados, especialmente para controle sintomático. Contudo, seu uso é empírico, sem evidência robusta de eficácia específica para essa condição, e deve ser feito de forma cautelosa e por tempo limitado.

Além disso, a correção de deficiências nutricionais, como vitamina C, vitamina B6, cobre e zinco, pode ser útil, uma vez que esses nutrientes atuam como cofatores na atividade da DAO.

Veja também!

Referências

Jochum C. Histamine Intolerance: Symptoms, Diagnosis, and Beyond. Nutrients. 2024 Apr 19;16(8):1219. doi: 10.3390/nu16081219. PMID: 38674909; PMCID: PMC11054089.

Scott P Commins, MD, PhD. Food intolerance and food allergy in adults: An overview. UpToDate, 2024. Disponível em: UpToDate

Você pode gostar também