Resumo sobre Dermografismo: definição, manifestações clínicas e mais!
Fonte: UpToDate

Resumo sobre Dermografismo: definição, manifestações clínicas e mais!

E aí, doc! Vamos explorar mais um tema essencial? Hoje o foco é o Dermografismo, uma forma de urticária física caracterizada pelo aparecimento de pápulas e eritema após estímulo mecânico da pele, como fricção ou pressão, decorrente da liberação de histamina pelos mastócitos.

O Estratégia MED está aqui para descomplicar esse conceito e ajudar você a aprofundar seus conhecimentos, promovendo uma prática clínica cada vez mais eficaz e segura.

Vamos nessa!

Definição de Dermografismo

O dermografismo, também chamado de urticária dermografística ou urticária factícia, é uma forma de urticária física/induzível caracterizada pelo aparecimento de pápulas eritematosas lineares na pele após estímulos mecânicos, como pressão, fricção ou trauma. 

O termo significa literalmente “escrever na pele”, pois as lesões reproduzem o formato do estímulo aplicado. 

Trata-se do tipo mais comum de urticária física, com prevalência estimada entre 2% e 5% da população, podendo ser assintomático ou acompanhado por sintomas como prurido, ardor ou sensação de formigamento em uma parcela dos pacientes.

Descubra como as bancas cobram na prática!

Conheça o Banco de Questões!

Epidemiologia do Dermografismo

O dermografismo é a forma mais comum de urticária, sendo mais frequente em adultos jovens, especialmente na segunda e terceira décadas de vida. Não há associação clara com raça, embora alguns dados indiquem predominância feminina em crianças.

Pode estar relacionado a diferentes condições, como atopia e síndrome hipereosinofílica em crianças, além de fatores psicológicos e eventos traumáticos em cerca de um terço dos casos. Situações de estresse fisiológico, como gravidez (principalmente no segundo trimestre) e menopausa, também estão associadas a maior incidência.

Apesar de geralmente ser idiopático, o dermografismo pode estar associado a infecção por Helicobacter pylori, uso de antibióticos (como penicilina), infestações (como escabiose) e picadas de insetos. Também pode ocorrer em doenças como a doença de Behçet e, mais raramente, como manifestação inicial de mastocitose sistêmica.

Fisiopatologia do Dermografismo

A fisiopatologia do dermografismo não é completamente elucidada, mas envolve uma resposta exagerada da pele a estímulos mecânicos. O trauma, como fricção ou pressão, leva à ativação de mastócitos, com liberação de mediadores vasoativos, possivelmente desencadeada pela interação entre antígenos e IgE.

Esse processo resulta na chamada resposta tripla de Lewis. Inicialmente ocorre vasodilatação capilar, gerando eritema local. Em seguida, há uma resposta reflexa mediada por fibras nervosas, com aumento da vasodilatação arteriolar e expansão do eritema ao redor da área estimulada. Por fim, forma-se a pápula linear devido ao extravasamento de líquido para a derme.

Essa resposta costuma surgir em até 5 minutos após o estímulo e pode persistir por 15 a 30 minutos, duração maior do que a resposta fisiológica normal, que tende a desaparecer em menos de 10 minutos. Diversos mediadores participam desse processo, incluindo histamina, leucotrienos, bradicinina, heparina, calicreína e substância P.

Manifestações clínicas do Dermografismo

As manifestações clínicas incluem o surgimento de pápulas urticariformes após estímulos mecânicos na pele, como fricção, arranhões ou pressão. Essas lesões aparecem rapidamente, geralmente entre 5 a 7 minutos após o estímulo, e desaparecem de forma espontânea em cerca de 15 a 30 minutos. No dermografismo sintomático, podem surgir em menos de 5 minutos, durar mais tempo e estar associadas a prurido.

As lesões costumam ser lineares, acompanhando o formato do estímulo aplicado. Podem ser desencadeadas por situações simples do dia a dia, como coçar a pele, apoiar-se em objetos ou pelo atrito de roupas e lençóis. Muitas vezes, o paciente não identifica o fator desencadeante, sendo o prurido prévio, frequentemente relacionado à pele seca, o gatilho inicial.

Além da forma clássica, existem variantes clínicas, como o dermografismo folicular e o dermografismo vermelho, caracterizado por lesões mais inflamadas e edemaciadas. Fatores como água quente, exercício físico, estresse emocional e exposição ao frio podem intensificar o quadro.

Embora geralmente seja idiopático, o início dos sintomas pode, em alguns casos, estar relacionado a processos inflamatórios prévios, como infecções (bacterianas, virais, fúngicas ou escabiose) ou uso de medicamentos, como penicilina e famotidina.

Essas lesões de dermatografismo se desenvolveram cinco minutos após o atrito da pele com um palito de madeira. Fonte: UpToDate

Diagnóstico de Dermografismo

O diagnóstico do dermografismo é essencialmente clínico e baseado na provocação direta das lesões. O método mais utilizado consiste em friccionar ou pressionar a pele com um objeto firme e rombo. Após o estímulo, observa-se o aparecimento de uma pápula urticariforme linear no local, geralmente entre 6 a 7 minutos, com resolução espontânea em 15 a 30 minutos.

Existem dispositivos específicos que permitem padronizar a intensidade do estímulo, embora não sejam indispensáveis na prática clínica. Para evitar resultados falso-negativos, recomenda-se que o paciente suspenda o uso de anti-histamínicos por alguns dias antes do teste.

Tratamento do Dermografismo

Nos casos em que não há prurido, não é necessário tratamento medicamentoso. A principal conduta é a orientação para evitar fatores desencadeantes, como fricção e pressão na pele. Em pacientes com pele seca, o uso de emolientes, como petrolato após o banho, pode ajudar a reduzir a irritação.

Dermografismo sintomático

  • Anti-histamínicos H1: são a primeira linha de tratamento. Reduzem o prurido e a formação das pápulas. Podem ser utilizados:
    • Anti-histamínicos de primeira geração, como hidroxizina;
    • Anti-histamínicos de segunda geração, como cetirizina.

Na prática, prefere-se iniciar com os de segunda geração devido ao melhor perfil de efeitos colaterais.

  • Anti-histamínicos H2:podem ser associados quando a resposta aos anti-histamínicos H1 isolados é insuficiente. Alguns estudos mostram benefício adicional, embora os resultados sejam inconsistentes.
  • Omalizumabe: indicado em casos refratários. Há relatos de melhora significativa com seu uso.

A fototerapia com luz ultravioleta B pode ser considerada em pacientes com sintomas persistentes e impacto importante na qualidade de vida. Alguns pacientes também relatam melhora com exposição solar.

Veja também!

Referências

Nobles T, Muse ME, Schmieder GJ. Dermatographism. [Updated 2023 Feb 20]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2026 Jan-. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK531496/

John P Dice, MDErika Gonzalez-Reyes, MD. Physical (inducible) urticaria. UpToDate, 2025. Disponível em: UpToDate

Você pode gostar também