Resumo sobre Síndrome da Congestão Pélvica: definição, manifestações clínicas e mais!
Fonte: Magnific

Resumo sobre Síndrome da Congestão Pélvica: definição, manifestações clínicas e mais!

E aí, doc! Vamos explorar mais um tema essencial? Hoje o foco é a síndrome da congestão pélvica, uma condição caracterizada pela dilatação e insuficiência das veias pélvicas, levando à dor pélvica crônica, geralmente pior ao final do dia, em ortostatismo prolongado ou após relações sexuais.

O Estratégia MED está aqui para descomplicar esse conceito e ajudar você a aprofundar seus conhecimentos, promovendo uma prática clínica cada vez mais eficaz e segura.

Vamos nessa!

Definição de Síndrome da Congestão Pélvica

A síndrome da congestão pélvica é uma condição caracterizada pela presença de dor pélvica crônica em mulheres, geralmente em idade reprodutiva, associada à dilatação e disfunção das veias pélvicas.

Essa dor é tipicamente descrita como contínua ou intermitente, com duração superior a 3 a 6 meses, localizada na região pélvica ou abdominal inferior, não relacionada à gestação e podendo ocorrer ao longo de todo o ciclo menstrual. 

Frequentemente, está associada a insuficiência venosa pélvica, na qual ocorre refluxo sanguíneo e estase nas veias ovarianas e pélvicas, levando à sua dilatação e aumento da pressão venosa local.

A fisiopatologia envolve múltiplos fatores, como alterações anatômicas, disfunção valvar venosa, influência hormonal (especialmente estrogênio), e possível predisposição genética, resultando em congestão venosa crônica. Trata-se de uma causa importante, porém frequentemente subdiagnosticada, de dor pélvica crônica, com impacto significativo na qualidade de vida das pacientes.

Conheça o curso mais completo para conquistar sua vaga na Residência Médica!

Prepare-se com o Estratégia MED!

Etiologia da Síndrome da congestão pélvica

A etiologia da síndrome da congestão pélvica não é completamente definida, sendo considerada multifatorial.

De modo geral, a condição está relacionada à insuficiência venosa pélvica, especialmente pela incompetência de estruturas como a veia ovariana, a veia ilíaca interna ou ambas. Essa disfunção leva ao refluxo sanguíneo e à dilatação das veias pélvicas.

Diversos fatores contribuem para o desenvolvimento da síndrome:

  • Disfunção valvar venosa: falha no funcionamento das válvulas das veias pélvicas, favorecendo o refluxo sanguíneo;
  • Influência hormonal: hormônios, especialmente o estrogênio, podem promover dilatação venosa;
  • Obstrução venosa: dificulta o retorno do sangue, contribuindo para a congestão;
  • Condições associadas: doenças concomitantes, como doença arterial periférica, podem contribuir para alterações hemodinâmicas.

Além disso, a dor característica da síndrome parece estar relacionada à dilatação venosa e à estase sanguínea, que levam à liberação de substâncias algogênicas (indutoras de dor).

Fisiopatologia da Síndrome da congestão pélvica

A fisiopatologia está relacionada à dilatação anormal e ao refluxo sanguíneo nas veias pélvicas, especialmente envolvendo as veias ovarianas e os ramos da veia ilíaca interna.

Alterações venosas pélvicas

O sistema venoso pélvico é composto por múltiplos plexos interconectados. Na síndrome, ocorre:

  • Dilatação do plexo venoso ovariano;
  • Comprometimento das veias que drenam para a veia ilíaca interna (hemorroidárias, uterinas, sacrais, vesicais);
  • Envolvimento frequente de ramos parametriais e do ligamento largo.

Essa desorganização leva à estase sanguínea e aumento da pressão venosa, favorecendo a congestão.

Insuficiência valvar e refluxo

Um dos principais mecanismos é a insuficiência venosa primária, causada por:

  • Ausência congênita de válvulas venosas (mais comum à esquerda);
  • Incompetência das válvulas, permitindo refluxo sanguíneo.

Isso resulta em fluxo retrógrado, dilatação progressiva das veias e formação de varizes pélvicas.

Influência da gestação

Mulheres multíparas apresentam maior risco devido a:

  • Aumento de até 50% da capacidade venosa pélvica durante a gestação;
  • Possível persistência dessas alterações mesmo após o parto;
  • Desenvolvimento de refluxo venoso e disfunção valvar.

Causas secundárias (obstrutivas)

A congestão também pode ocorrer por obstrução do fluxo venoso, como em:

  • Compressão da veia renal esquerda (fenômeno do “quebra-nozes”);
  • Compressão da veia ilíaca comum esquerda (síndrome de May-Thurner);
  • Tromboses, tumores, cirrose ou malformações vasculares.

Essas condições aumentam a pressão venosa e contribuem para a congestão pélvica.

Fatores anatômicos

Há maior acometimento à esquerda porque:

  • A veia gonadal esquerda drena para a veia renal esquerda, que possui maior pressão;
  • Já a direita drena diretamente para a veia cava inferior.

Isso favorece o refluxo e a dilatação venosa no lado esquerdo.

Influência hormonal

Os hormônios, especialmente o estrogênio, desempenham papel importante:

  • Promovem vasodilatação venosa;
  • Contribuem para a formação e manutenção da congestão;
  • Explicam a melhora dos sintomas após a menopausa.

Mecanismo da dor

A dor na síndrome está associada a:

  • Distensão das veias pélvicas;
  • Estase sanguínea;
  • Liberação de substâncias algogênicas.

Epidemiologia da Síndrome da congestão pélvica

A síndrome da congestão pélvica ocorre principalmente em mulheres pré-menopáusicas, sendo mais comum em multíparas.Não há relatos consistentes em mulheres na pós-menopausa, sugerindo influência hormonal. Está presente em cerca de 30% das mulheres com dor pélvica crônica, sendo uma causa importante dessa condição.

Manifestações da Síndrome da congestão pélvica

A principal manifestação da síndrome da congestão pélvica é a dor pélvica crônica, que apresenta características típicas:

  • Dor em peso ou desconforto surdo na pelve
  • Duração superior a 3 a 6 meses
  • Pode ser unilateral ou bilateral, podendo alternar de lado
  • Piora ao longo do dia, especialmente no final do dia

Fatores de piora da dor

A dor pode ser exacerbada por situações que aumentam a pressão abdominal, como:

  • Permanecer muito tempo em pé (ortostatismo prolongado)
  • Caminhar ou realizar esforços físicos
  • Mudanças posturais
  • Levantar peso

Além disso, também há piora:

  • Antes ou durante o período menstrual
  • Durante ou após a relação sexual (dor pós-coito)
  • Com o aumento do número de gestações

Achados ao exame físico

No exame ginecológico, podem estar presentes:

  • Sensibilidade uterina
  • Dor à palpação dos ovários (anexos)
  • Dor à mobilização do colo uterino

A associação entre dor pélvica crônica, dor pós-coito e sensibilidade anexial apresenta alta sensibilidade e especificidade para o diagnóstico da síndrome.

A presença de varizes pélvicas nem sempre está relacionada aos sintomas, pois alterações venosas podem existir mesmo em mulheres assintomáticas, o que torna o diagnóstico um desafio.

Diagnóstico da Síndrome de congestão pélvica

O diagnóstico é baseado na associação entre quadro clínico e achados de imagem, sendo desafiador devido à possibilidade de alterações venosas também ocorrerem em mulheres assintomáticas.

Avaliação clínica e imagem

A presença de alterações venosas pélvicas nos exames de imagem apoia o diagnóstico, mas não é suficiente isoladamente, pois veias dilatadas podem ser encontradas em pacientes sem sintomas. Assim, a correlação com a clínica é fundamental.

Em pacientes candidatas a tratamento intervencionista, é necessária a avaliação detalhada do refluxo venoso pélvico por métodos de imagem.

Ultrassonografia

A ultrassonografia pélvica com Doppler é o exame de primeira linha:

  • Permite avaliar anatomia pélvica e excluir outras causas de dor;
  • Identifica veias ovarianas dilatadas e tortuosas;
  • Detecta fluxo venoso lento e refluxo sanguíneo;
  • Avalia incompetência valvar com a manobra de Valsalva.

Critérios diagnósticos incluem:

  • Veia ovariana com diâmetro ≥ 6 mm (ou ≥ 7 mm);
  • Fluxo venoso lento (< 3 cm/s);
  • Presença de refluxo venoso;
  • Associação com varizes vulvares e sintomas (dismenorreia, disúria e dispareunia).

Tomografia Computadorizada e Ressonância Magnética

  • Permitem avaliação detalhada da anatomia vascular pélvica;
  • A TC não é recomendada em mulheres pré-menopáusicas devido à radiação;
  • A ressonância magnética (angiorressonância) é uma alternativa não invasiva, porém com baixa especificidade;
  • Técnicas específicas de RM podem avaliar direção e velocidade do fluxo sanguíneo.

Venografia

A venografia por cateter (ovariana e ilíaca) é o padrão-ouro:

  • Avalia diretamente o sistema venoso;
  • Identifica veias dilatadas (>5–10 mm);
  • Detecta refluxo venoso e congestão em múltiplos territórios;
  • Pode ser realizada com manobra de Valsalva para melhor avaliação;

Laparoscopia

  • Frequentemente realizada na investigação de dor pélvica crônica;
  • Pode identificar congestão pélvica em parte dos casos;
  • Não é exame específico para o diagnóstico da síndrome.

Tratamento da Síndrome da congestão pélvica

O tratamento é feito de forma progressiva, conforme a gravidade dos sintomas e resposta da paciente:

  • Tratamento conservador (primeira linha): inclui fisioterapia do assoalho pélvico e terapia cognitivo-comportamental, podendo controlar os sintomas em até 70% dos casos.
  • Tratamento medicamentoso:
    • Hormônios (progestagênios, anticoncepcionais, agonistas do GnRH como goserelina);
    • Danazol;
    • Flebotônicos;
    • AINEs.
      Esses medicamentos ajudam principalmente no controle da dor e da congestão venosa, embora alguns tenham uso limitado no tempo
  • Tratamento invasivo (casos refratários):
    • Embolização das veias ovarianas (principal método)
    • Escleroterapia venosa
      A embolização é considerada o padrão-ouro, com melhora dos sintomas em 82% a 100% dos casos, baixa recorrência e poucas complicações
  • Tratamento cirúrgico:
    • Ligadura das veias ovarianas;
    • Histerectomia com retirada dos ovários (em casos selecionados).
      Apresenta resultados menos favoráveis, sendo cada vez menos utilizado
  • Casos com varizes vulvares:
    O tratamento do refluxo venoso pélvico geralmente reduz as varizes, podendo ser feito por técnicas endovasculares minimamente invasivas, com recuperação rápida.

Veja também!

Referências

Kuo CH, Martingano DJ, Singh P. Pelvic Congestion Syndrome. [Updated 2025 Jan 19]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2026 Jan-. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK560790/

Natasha R Johnson, MDDania Daye, MD, PhD. Pelvic venous disorder in females: Clinical presentation, evaluation, and diagnosis. UpToDate, 2025. Disponível em: UpToDate

Você pode gostar também