Sarampo: transmissão, sintomas e muito mais!

Sarampo: transmissão, sintomas e muito mais!

Quer saber mais sobre o que é o sarampo? O Estratégia MED separou as informações mais importantes do tema para você. Vamos lá!

O que é o sarampo?

O sarampo é uma doença viral causada por um vírus da família Paramyxovirus e pertencente ao gênero Morbillivirus. Esse vírus possui uma única molécula de RNA negativo fita simples, sendo classificado, portanto, no grupo V de Baltimore. Em sua estrutura, apresenta um nucleocapsídeo helicoidal e um envelope externo de composição lipoproteica. 

Para que ocorra a infecção, o vírus precisa de sua maquinaria proteica, composta, principalmente, pela enzima RNA-polimerase RNA-dependente, que transcreve o material genético original – um RNA de polaridade negativa – em um RNA mensageiro. Dessa forma, o genoma não é diretamente infectivo.

Quais são os sintomas do sarampo?

O período de incubação do vírus é de 10 a 14 dias. Depois desse momento, a fase prodrômica passa a acontecer e o paciente começa a apresentar sintomas como: febre, conjuntivite, tosse e coriza. Além disso, a disseminação do vírus para os olhos pode causar certa fotofobia. 

Um outro sinal importante da virose são as manchas de Koplik, que se apresentam com lesões brancas no centro e vermelho forte nas bordas. Essas alterações são vistas principalmente na região da mucosa oral e praticamente confirmam o diagnóstico da infecção

Passado o período inicial, algumas erupções maculopapulares podem aparecer na face e se espalhar por todo o corpo, chegando nos membros inferiores e suas extremidades. Após alguns dias, as erupções adquirem uma coloração marrom

Além dos sintomas mais clássicos e leves, o sarampo pode desencadear um quadro bastante grave. Algumas das complicações são:

  • Encefalite, cuja taxa de mortalidade pode chegar a 10%. Quase 40% dos pacientes que desenvolvem esse quadro ficam com sequelas;
  • Pneumonia, que pode ser tanto primária, ou seja, causada pelo próprio vírus do sarampo, ou secundária, provocada por uma infecção bacteriana. Um achado histológico comum são as células gigantes;
  • Panencefalite esclerosante subaguda é um quadro raro, porém fatal. Nessa situação, os vírus infectam o sistema nervoso central, o que pode ocorrer muitos anos após a infecção inicial; e
  • Em mulheres grávidas, o sarampo está associado a um aumento da chance de nascimento de natimortos, ao contrário da rubéola, infecção que normalmente causa anomalias congênitas ao invés de morte fetal.

Como acontece a transmissão do sarampo?

O sarampo é um vírus que tem o ser humano como único hospedeiro natural. Dessa forma, a transmissão do causador do sarampo acontece de homem a homem, como ocorre na grande maioria dos vírus.

O vírus do sarampo é transmitido por gotículas respiratórias, ou saliva, liberadas no ar pelo espirro e pela tosse do paciente contaminado. 

Vacina contra o sarampo

A vacinação é a forma mais importante de prevenção da doença. No Brasil, ela é dada em crianças com 12 meses e depois aos 15 meses de idade. No primeiro momento, compõe a tríplice viral, uma vacina que imuniza contra sarampo, caxumba e rubéola. Já na segunda dose, faz parte da quádrupla viral, uma vacina contra sarampo, caxumba, rubéola e varicela.

A vacina é composta por vírus vivos atenuados e deve ser reforçada aos 5 anos de idade.

A vacinação não é recomendada para grávidas, pacientes alérgicos ao ovo e imunossuprimidos. Para os últimos, existem vacinas de vírus mortos que podem ser utilizadas.

No Brasil, os dados relacionados à vacinação contra o sarampo demonstram sua importância e eficácia. Após a Campanha Nacional de Vacinação, ocorreu uma diminuição de 81% no número de casos notificados – que foram de 42.934 casos, em 1991, para 7.934 casos, em 1992. 

Já nos anos posteriores a diminuição foi ainda mais elevada. A incidência no ano de 1991 foi de 28,95 por 100.000 habitantes para 1,6 por 100.000 habitantes, em 1996, ou seja, verificou-se uma redução de 94,5%. Vale ressaltar que o sarampo é uma doença de notificação compulsória no Brasil, obrigatoriedade que facilita o estudo epidemiológico da infecção.

Diagnóstico

O diagnóstico do sarampo é basicamente clínico e está associado à análise dos sintomas e à visualização das manchas de Koplik. Médicos que começaram suas práticas clínicas após a grande disseminação da vacina podem ter pouca familiaridade com o quadro, que deve ser, portanto, analisado com cuidado.

Os principais diagnósticos diferenciais do sarampo são: infecção por herpesvírus humano tipo 6, infecção por parvovírus B19, rubéola e dengue.

Uma das funções do médico diante de um quadro de sarampo é tentar prever as potenciais complicações que essa doença pode trazer. Além disso, quadros concomitantes de desnutrição, infecção por HIV, deficiência de vitamina A e sistema imune debilitado são fatores de risco importantes que precisam ser monitorados depois do diagnóstico.

Alguns indivíduos doentes podem não apresentar as manchas eritematosas e as erupções cutâneas, o que dificulta o diagnóstico da virose. Nesses casos, o exame laboratorial mais utilizado é a sorologia do anticorpo IgM específico. Ele pode não estar presente em até 25% dos pacientes durante as primeiras 72 horas após o aparecimento das erupções, entretanto, após 4 dias, pode ser detectado em praticamente todos os pacientes.

Tratamento

Não existe um tratamento específico para o sarampo. Dessa forma, as principais abordagens têm como objetivo tratar os sintomas da virose. Hidratação é uma recomendação importante, e paracetamol também pode ser utilizado. 

Vale ressaltar que medicamentos com ácido acetilsalicílico são contraindicados, assim como os antibióticos, que só devem ser utilizados na presença de uma infecção secundária, como uma pneumonia bacteriana.

A administração de altas doses de vitamina A tem se mostrado eficaz para evitar possíveis complicações, diminuindo a mortalidade da doença. As doses de vitamina A indicadas pela Organização Mundial da Saúde são:

  • 200.000 UI por dois dias consecutivos para pacientes acima de 12 meses;
  • 100.000 UI por dois dias consecutivos para crianças de 6 a 12 meses; e 
  • 50.000 UI por dois dias consecutivos para crianças menores do que 6 meses.

A alimentação correta e controle de uma eventual subnutrição do paciente são medidas que podem ajudar no tratamento, diminuindo o risco de morte por sarampo.

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