Resumo dos Critérios Diagnósticos de Fibromialgia

Resumo dos Critérios Diagnósticos de Fibromialgia

Olá, querido doutor e doutora! A escala diagnóstica de fibromialgia baseada nos critérios do American College of Rheumatology foi desenvolvida para padronizar a avaliação clínica da dor difusa e dos sintomas associados. O instrumento combina o Widespread Pain Index (WPI) e a Symptom Severity Scale (SSS), permitindo quantificar tanto a distribuição da dor quanto a intensidade dos sintomas sistêmicos. 

O diagnóstico pode ser considerado quando há WPI ≥ 7 associado a SSS ≥ 5, ou WPI entre 4 e 6 associado a SSS ≥ 9.

O que são os critérios diagnósticos de Fibromialgia

A Escala Diagnóstica de Fibromialgia corresponde ao conjunto de instrumentos clínicos utilizados para quantificar sintomas e apoiar o diagnóstico da fibromialgia, baseados nos critérios estabelecidos pelo American College of Rheumatology (ACR)

Entre esses instrumentos, destacam-se o Widespread Pain Index (WPI) e o Symptom Severity Score (SSS), que constituem os principais componentes utilizados nos critérios diagnósticos contemporâneos.

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Evolução dos critérios diagnósticos 

A evolução dos critérios diagnósticos da fibromialgia do American College of Rheumatology (ACR) ocorreu de forma progressiva, refletindo mudanças na compreensão da doença e na forma de avaliá-la clinicamente. Inicialmente baseados em achados de exame físico, os critérios passaram a incorporar instrumentos padronizados de avaliação de dor e sintomas, com maior aplicabilidade clínica e epidemiológica.

Critérios de 1990

Os critérios estabelecidos em 1990 definiram fibromialgia como dor musculoesquelética generalizada com duração mínima de três meses, associada à presença de pelo menos 11 de 18 pontos dolorosos específicos à palpação. O diagnóstico dependia obrigatoriamente do exame físico dirigido aos tender points, com avaliação da sensibilidade em regiões anatômicas específicas. Nesse modelo, sintomas frequentemente relatados pelos pacientes, como fadiga, distúrbios do sono e alterações cognitivas, não faziam parte da definição diagnóstica.

Critérios de 2010

Os critérios publicados em 2010 modificaram substancialmente o processo diagnóstico ao eliminar a necessidade da avaliação dos pontos dolorosos. Nesse contexto foram introduzidos o Widespread Pain Index (WPI) e o Symptom Severity Score (SSS). O diagnóstico passou a considerar a distribuição da dor corporal e a intensidade de sintomas associados, incluindo fadiga, sono não reparador e sintomas cognitivos. Os critérios estabeleciam diagnóstico quando havia WPI ≥ 7 e SSS ≥ 5, ou WPI entre 3 e 6 associado a SSS ≥ 9.

Modificações de 2011

Em 2011, os critérios foram adaptados para facilitar a aplicação em estudos populacionais e pesquisas clínicas. Nessa modificação, a avaliação detalhada de sintomas somáticos foi substituída por um escore baseado em três sintomas autorreferidos, especificamente fadiga, sono não reparador e sintomas cognitivos. Essa mudança tornou o instrumento mais simples e passível de autoaplicação, ampliando sua utilização em investigações epidemiológicas.

Atualização de 2016

A atualização publicada em 2016 introduziu o critério de dor generalizada presente em pelo menos quatro de cinco regiões corporais, com o objetivo de reduzir a classificação incorreta de síndromes de dor regional como fibromialgia. O diagnóstico passou a exigir dor persistente por pelo menos três meses, associada a WPI ≥ 7 e SSS ≥ 5, ou WPI entre 4 e 6 com SSS ≥ 9, além do critério de distribuição da dor generalizada. Outra mudança relevante foi o reconhecimento de que o diagnóstico pode ser estabelecido mesmo na presença de outras doenças, desde que os critérios sejam preenchidos.

Widespread Pain Index (WPI)

O Widespread Pain Index (WPI) é um instrumento utilizado para avaliar a distribuição da dor corporal em pacientes com suspeita de fibromialgia. Esse índice quantifica o número de regiões anatômicas nas quais o paciente refere dor recente, permitindo uma avaliação padronizada da extensão da dor musculoesquelética.

Regiões corporais avaliadas

O WPI considera 19 regiões anatômicas distribuídas em diferentes segmentos do corpo. O objetivo é identificar a presença de dor em múltiplas áreas, característica frequentemente observada na fibromialgia.

Região 1Região 2Região 3
Mandíbula esquerdaMandíbula direitaPescoço
Ombro esquerdoOmbro direitoTórax
Braço superior esquerdoBraço superior direitoAbdome
Braço inferior esquerdoBraço inferior direitoCostas superiores
Quadril ou região glútea esquerdaQuadril ou região glútea direitaCostas inferiores
Perna superior esquerdaPerna superior direita
Perna inferior esquerdaPerna inferior direita

Método de pontuação

A pontuação é determinada pela presença de dor em cada região corporal nas últimas semanas. Para cada área dolorosa é atribuído 1 ponto, enquanto regiões sem dor recebem 0 ponto. O escore total varia de 0 a 19. O instrumento não avalia intensidade da dor, considerando apenas presença ou ausência do sintoma em cada região.

Interpretação clínica

Na prática clínica, o WPI é utilizado em conjunto com o Symptom Severity Score (SSS) para aplicação dos critérios diagnósticos da fibromialgia propostos pelo American College of Rheumatology. O diagnóstico pode ser considerado quando há WPI ≥ 7 associado a SSS ≥ 5, ou WPI entre 4 e 6 associado a SSS ≥ 9

TelessaudeRS.

Symptom Severity Scale (SSS)

A Symptom Severity Scale (SSS) é um instrumento clínico utilizado para quantificar a intensidade dos principais sintomas associados à fibromialgia, conforme os critérios diagnósticos do American College of Rheumatology. A escala permite avaliar a gravidade dos sintomas sistêmicos frequentemente relatados pelos pacientes e complementa a avaliação da distribuição da dor realizada pelo Widespread Pain Index (WPI).

Domínios avaliados

A escala analisa quatro domínios principais de sintomas, que refletem manifestações clínicas comuns na fibromialgia.

Domínio avaliadoDescrição
FadigaSensação persistente de cansaço ou exaustão física
Sono não reparadorPercepção de sono de baixa qualidade ou sensação de não descanso após o sono
Déficits cognitivosDificuldades de atenção, memória ou concentração
Sintomas somáticos adicionaisPresença de múltiplos sintomas físicos, como cefaleia, dor abdominal ou manifestações semelhantes

Método de pontuação

Cada um dos três primeiros domínios, fadiga, sono não reparador e déficits cognitivos, recebe pontuação de 0 a 3, na qual 0 indica ausência do sintoma e 3 representa gravidade máxima. O componente relacionado aos sintomas somáticos adicionais também recebe pontuação de 0 a 3, considerando a quantidade e intensidade de manifestações físicas associadas. O escore total da SSS varia de 0 a 12.

Interpretação clínica

Na prática clínica, escores mais elevados na SSS indicam maior gravidade dos sintomas e maior impacto funcional. A escala contribui para a estratificação clínica da fibromialgia e auxilia na diferenciação em relação a outras condições reumatológicas que podem cursar com dor musculoesquelética.

A SSS apresenta boa consistência interna e associação com medidas de qualidade de vida, além de correlação com sintomas psiquiátricos frequentemente observados em pacientes com fibromialgia, como ansiedade e depressão.  

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Referências bibliográficas 

  1. WOLFE, F.; CLAUW, D. J.; FITZCHARLES, M. A. et al. 2016 revisions to the 2010/2011 fibromyalgia diagnostic criteria. Seminars in Arthritis and Rheumatism, 2016.
  1. WINSLOW, B. T.; VANDAL, C.; DANG, L. Fibromyalgia: diagnosis and management. American Family Physician, 2023.
  1. WOLFE, F.; CLAUW, D. J.; FITZCHARLES, M. A. et al. The American College of Rheumatology preliminary diagnostic criteria for fibromyalgia and measurement of symptom severity. Arthritis Care & Research, 2010.

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