Resumo sobre Escore de Padua: definição, usabilidade e mais!
Fonte: Magnific

Resumo sobre Escore de Padua: definição, usabilidade e mais!

E aí, doc! Vamos explorar mais um tema essencial? Hoje o foco é o Escore de Padua, uma ferramenta de estratificação utilizada para avaliar o risco de tromboembolismo venoso (TEV) em pacientes clínicos hospitalizados, com base na presença de fatores de risco clínicos e características relacionadas à condição do paciente.

O Estratégia MED está aqui para descomplicar esse conceito e ajudar você a aprofundar seus conhecimentos, promovendo uma prática clínica cada vez mais eficaz e segura.

Vamos nessa!

Definição de Escore de Padua

O Escore de Padua é uma ferramenta de estratificação do risco de tromboembolismo venoso (TEV) em pacientes clínicos hospitalizados, desenvolvida para identificar aqueles que apresentam maior probabilidade de desenvolver eventos tromboembólicos, como trombose venosa profunda (TVP) e embolia pulmonar (EP). 

O modelo considera 11 fatores de risco clínicos, relacionados tanto às características do paciente quanto à sua condição clínica e ao motivo da hospitalização, atribuindo uma pontuação específica a cada fator.

A partir da soma dos pontos, os pacientes são classificados em baixo risco (< 4 pontos) ou alto risco (≥ 4 pontos) para TEV. Essa classificação auxilia na decisão sobre a necessidade de tromboprofilaxia durante a internação, sempre considerando também o risco individual de sangramento e as contraindicações ao uso de anticoagulantes. 

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Benefícios de utilizar o Escore de Padua

O principal benefício do Escore de Padua é permitir uma avaliação sistemática e objetiva do risco de tromboembolismo venoso (TEV) em pacientes clínicos hospitalizados. Ao reunir diferentes fatores de risco em uma única pontuação, o escore facilita a identificação dos pacientes que apresentam maior risco trombótico e que podem se beneficiar de medidas de prevenção.

Entre os principais benefícios, destacam-se:

  • Identificação precoce de pacientes de alto risco: permite reconhecer, já na admissão hospitalar, pacientes com pontuação ≥ 4, considerados de maior risco para TEV.
  • Auxílio na indicação de tromboprofilaxia: contribui para selecionar os pacientes nos quais a profilaxia farmacológica deve ser considerada, desde que não haja contraindicações.
  • Padronização da avaliação: transforma diversos fatores clínicos em uma pontuação objetiva, reduzindo a dependência de uma avaliação exclusivamente subjetiva.
  • Prevenção de complicações tromboembólicas: ao identificar pacientes de maior risco, possibilita a adoção precoce de estratégias preventivas, contribuindo para reduzir a ocorrência de TVP e EP.
  • Facilidade de aplicação: é um instrumento relativamente simples, baseado em informações clínicas habitualmente disponíveis durante a internação.
  • Apoio à tomada de decisão clínica: fornece uma estrutura para discutir o risco trombótico juntamente com o risco de sangramento, permitindo uma decisão individualizada sobre a profilaxia.

Critérios do Escore de Padua

O Escore de Padua é composto por 11 critérios clínicos, que recebem de 1 a 3 pontos de acordo com sua associação com o risco de tromboembolismo venoso (TEV). A soma pode chegar a 20 pontos, sendo ≥ 4 pontos considerada a faixa de alto risco para TEV.

1. Câncer ativo: 3 pontos

Considera-se câncer ativo a presença de neoplasia com metástases locais ou à distância e/ou a realização de quimioterapia ou radioterapia nos últimos 6 meses.

As neoplasias aumentam o risco de TEV por diversos mecanismos, incluindo ativação da coagulação, inflamação sistêmica, lesão endotelial e redução da mobilidade. Por isso, o câncer ativo recebe 3 pontos, estando entre os fatores de maior peso no escore.

2. TEV prévio: 3 pontos

Corresponde à história prévia de trombose venosa profunda (TVP) ou embolia pulmonar (EP).

Um episódio anterior de TEV está associado a maior risco de recorrência, justificando a atribuição de 3 pontos. A tromboflebite superficial isolada não é considerada nesse critério.

3. Mobilidade reduzida: 3 pontos

É definida como repouso no leito previsto por pelo menos 3 dias, com possibilidade de sair da cama apenas para ir ao banheiro. Pode decorrer da própria condição clínica do paciente ou de uma orientação médica.

A imobilidade favorece a estase venosa, um dos componentes da tríade de Virchow, aumentando o risco de formação de trombos. Por isso, esse critério também recebe 3 pontos.

4. Trombofilia conhecida: 3 pontos

Refere-se à presença de uma condição trombofílica previamente conhecida, como:

  • deficiência de antitrombina
  • deficiência de proteína C
  • deficiência de proteína S
  • fator V de Leiden
  • mutação da protrombina G20210A
  • síndrome do anticorpo antifosfolípide

Essas condições aumentam a tendência à formação de trombos e, portanto, recebem 3 pontos.

5. Trauma e/ou cirurgia recente: 2 pontos

Recebe 2 pontos o paciente que apresentou trauma ou foi submetido a cirurgia no último mês.

Esses eventos podem aumentar o risco de TEV por mecanismos como lesão tecidual, ativação da coagulação, resposta inflamatória e redução da mobilidade.

6. Idade > 70 anos: 1 ponto

Pacientes com mais de 70 anos recebem 1 ponto.

A idade avançada está associada a maior risco de TEV, devido à combinação de alterações da coagulação, maior frequência de comorbidades e redução da mobilidade.

7. Insuficiência cardíaca e/ou respiratória: 1 ponto

A presença de insuficiência cardíaca e/ou respiratória acrescenta 1 ponto.

Essas condições podem favorecer o TEV por mecanismos que incluem estase sanguínea, alterações hemodinâmicas, inflamação e redução da mobilidade, especialmente durante períodos de descompensação clínica.

8. Infarto agudo do miocárdio ou AVC isquêmico: 1 ponto

Pacientes com infarto agudo do miocárdio (IAM) ou acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico recebem 1 ponto.

Além da ativação inflamatória e pró coagulante associada aos eventos agudos, esses pacientes frequentemente apresentam redução da mobilidade, contribuindo para o aumento do risco de TEV.

9. Infecção aguda e/ou doença reumatológica: 1 ponto

A presença de infecção aguda ou doença reumatológica acrescenta 1 ponto.

Processos inflamatórios podem promover um estado pró coagulante, aumentando a ativação da coagulação e favorecendo a formação de trombos.

10. Obesidade: 1 ponto

A obesidade, definida pelo IMC ≥ 30 kg/m², recebe 1 ponto.

O aumento do risco trombótico está relacionado a fatores como estase venosa e estado inflamatório associado ao tecido adiposo, além da maior frequência de outras condições que favorecem TEV.

11. Terapia hormonal em curso: 1 ponto

O uso atual de terapia hormonal acrescenta 1 ponto. O critério inclui, por exemplo, contraceptivos orais, terapia de reposição hormonal e moduladores seletivos do receptor de estrogênio.

A exposição a hormônios estrogênicos pode aumentar a atividade pró coagulante e, consequentemente, o risco de eventos tromboembólicos.

CritérioPontos
Câncer ativo3
TEV prévio3
Mobilidade reduzida ≥ 3 dias3
Trombofilia conhecida3
Trauma e/ou cirurgia recente2
Idade > 70 anos1
Insuficiência cardíaca e/ou respiratória1
IAM ou AVC isquêmico1
Infecção aguda e/ou doença reumatológica1
Obesidade (IMC ≥ 30 kg/m²)1
Terapia hormonal em curso1
Total máximo20

Limitações do Escore de Padua

Apesar de ser uma ferramenta prática, o Escore de Padua apresenta limitações importantes. Sua capacidade discriminativa é moderada, com estudos de validação externa encontrando AUC em torno de 0,60 a 0,64, e, em algumas análises, seu desempenho não foi superior ao da idade avançada isoladamente.

Além disso, seu desempenho e sua sensibilidade variam entre diferentes populações, podendo deixar de identificar alguns pacientes que posteriormente desenvolverão TEV. Também existem limitações na validação original e na aplicação em populações específicas, além da possibilidade de dados necessários ao cálculo, como o IMC, não estarem disponíveis.

Outra questão é a incerteza sobre o benefício da profilaxia orientada exclusivamente pelo escore, já que a prevenção farmacológica deve sempre considerar o risco de sangramento. Estudos comparativos não demonstram superioridade consistente do Padua em relação a outros modelos, como IMPROVE, Caprini e Genebra.

Veja também!

Referências

DROZDINSKY, G.; ZUSMAN, O.; KUSHNIR, S.; LEIBOVICI, L.; GAFTER-GVILI, A. The effect of obligatory Padua prediction scoring in hospitalized medically ill patients: a retrospective cohort study. PLOS ONE, v. 19, n. 2, e0292661, 2024. DOI: 10.1371/journal.pone.0292661.

HÄFLIGER, E.; KOPP, B.; DARBELLAY FARHOUMAND, P. et al. Risk assessment models for venous thromboembolism in medical inpatients. JAMA Network Open, v. 7, n. 5, e249980, 2024. DOI: 10.1001/jamanetworkopen.2024.9980.

PANDOR, A.; TONKINS, M.; GOODACRE, S. et al. Risk assessment models for venous thromboembolism in hospitalised adult patients: a systematic review. BMJ Open, v. 11, n. 7, e045672, 2021. DOI: 10.1136/bmjopen-2020-045672.

KAHN, S. R.; LIM, W.; DUNN, A. S. et al. Prevention of VTE in nonsurgical patients: antithrombotic therapy and prevention of thrombosis, 9th ed: American College of Chest Physicians evidence-based clinical practice guidelines. Chest, v. 141, n. 2, supl., p. e195S-e226S, 2012. DOI: 10.1378/chest.11-2296.

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