E aí, doc! Vamos explorar mais um tema essencial? Hoje o foco é a Nutrição Parenteral, uma modalidade de suporte nutricional que fornece nutrientes diretamente à corrente sanguínea, por via intravenosa, sendo indicada quando o trato gastrointestinal não pode ser utilizado ou não consegue atender adequadamente às necessidades nutricionais do paciente.
O Estratégia MED está aqui para descomplicar esse conceito e ajudar você a aprofundar seus conhecimentos, promovendo uma prática clínica cada vez mais eficaz e segura.
Vamos nessa!
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Definição de Nutrição parenteral
A nutrição parenteral (NP) é uma terapia nutricional que consiste na administração intravenosa de nutrientes, como glicose, aminoácidos, lipídios, vitaminas, minerais e eletrólitos, com o objetivo de fornecer suporte nutricional e prevenir ou tratar a desnutrição.
É indicada principalmente quando o trato gastrointestinal apresenta comprometimento funcional ou quando a nutrição enteral é contraindicada, insuficiente ou inviável. Quando fornece todas as necessidades nutricionais do paciente, constitui a nutrição parenteral total (NPT), sendo necessária a monitorização clínica e laboratorial para avaliar a resposta ao tratamento e prevenir complicações metabólicas, infecciosas e relacionadas ao acesso venoso.
Indicações de Nutrição parenteral
As principais indicações incluem situações em que o trato gastrointestinal não funciona adequadamente ou em que a nutrição enteral é contraindicada, inviável ou insuficiente para atender às necessidades nutricionais do paciente. A nutrição parenteral total é utilizada quando a administração intravenosa constitui a única fonte de nutrientes.
As principais indicações são:
- Obstrução intestinal: crônica ou do intestino delgado, especialmente quando impede a progressão adequada dos nutrientes pelo trato gastrointestinal.
- Pseudo-obstrução intestinal: quando há intolerância alimentar e comprometimento do trânsito intestinal.
- Fístulas gastrointestinais de alto débito: para auxiliar no suporte nutricional e, em casos selecionados, reduzir o estímulo à atividade intestinal.
- Imaturidade ou malformações gastrointestinais congênitas: especialmente em recém-nascidos cujo sistema gastrointestinal não permite nutrição enteral adequada.
- Deiscência ou vazamento de anastomose intestinal no pós-operatório: quando a alimentação pelo trato gastrointestinal não é segura ou suficiente.
- Diarreia ou vômitos graves e persistentes: quando impedem a absorção adequada dos nutrientes ou a manutenção do estado nutricional.
- Estados hipercatabólicos: como sepse, politraumatismos e fraturas importantes, quando a via enteral não consegue suprir as necessidades nutricionais.
- Jejum prolongado: quando se prevê impossibilidade de alimentação oral ou enteral por período prolongado, especialmente em pacientes desnutridos ou criticamente enfermos.
Contraindicações da Nutrição parenteral
As contraindicações da nutrição parenteral estão relacionadas principalmente às situações em que sua utilização não oferece benefícios clínicos suficientes, quando a via gastrointestinal pode ser utilizada ou quando existem condições clínicas que precisam ser estabilizadas antes do início da terapia.
As principais contraindicações e situações que exigem cautela são:
- Trato gastrointestinal funcional: quando a alimentação oral ou enteral é possível e suficiente para atender às necessidades nutricionais, essas vias são preferidas à nutrição parenteral.
- Instabilidade cardiovascular ou metabólica grave: alterações críticas devem ser corrigidas ou estabilizadas antes do início da terapia, conforme as condições clínicas do paciente.
- Estado nutricional adequado: pacientes bem nutridos que necessitam apenas de suporte nutricional por um período muito curto geralmente não apresentam indicação para NPT.
- Ausência de objetivo terapêutico: a NPT não deve ser utilizada quando não houver benefício clínico esperado, especialmente em situações nas quais a morte é inevitável e a terapia apenas prolongaria o processo de morrer.
- Recém-nascidos com intestino delgado extremamente curto: a condição exige avaliação especializada, considerando a viabilidade da nutrição enteral, a anatomia intestinal e as necessidades nutricionais.
- Prematuros que recebem emulsões lipídicas intravenosas: requerem atenção especial devido ao risco de complicações pulmonares associadas ao acúmulo de gordura intravascular, sendo necessária a seleção criteriosa da formulação e o acompanhamento conforme as recomendações específicas para essa população.
Mecanismo de ação da Nutrição parenteral
O mecanismo de ação baseia-se na administração intravenosa de nutrientes, permitindo que sejam disponibilizados diretamente na circulação sanguínea, sem a necessidade de digestão e absorção pelo trato gastrointestinal.
Dessa forma, fornece os substratos necessários para a produção de energia, a síntese de proteínas e a manutenção das funções metabólicas do organismo, sendo especialmente útil em pacientes com disfunção gastrointestinal ou impossibilidade de receber nutrição enteral adequada.
A solução é composta por três macronutrientes principais: dextrose, aminoácidos e emulsões lipídicas. A dextrose fornece energia para o metabolismo celular; os aminoácidos participam da síntese proteica e da reparação dos tecidos e os lipídios fornecem calorias e ácidos graxos essenciais, prevenindo suas deficiências.
Além disso, a formulação contém eletrólitos, vitaminas, minerais e oligoelementos, que contribuem para o equilíbrio hidroeletrolítico e para o funcionamento adequado das reações metabólicas.
A composição da nutrição parenteral deve ser individualizada conforme as necessidades nutricionais e as condições clínicas de cada paciente. Pode ser administrada em uma formulação 3 em 1, que reúne os três macronutrientes em uma única bolsa, ou em uma formulação 2 em 1, na qual os lipídios são infundidos separadamente.
É fundamental monitorar a resposta metabólica e garantir a estabilidade e a compatibilidade da solução com outros medicamentos intravenosos, reduzindo o risco de complicações, como hiperglicemia, hipertrigliceridemia e formação de precipitados.
Administração da Nutrição parenteral
A administração da nutrição parenteral é realizada por via intravenosa, geralmente por meio de um acesso venoso central quando se trata da nutrição parenteral total, devido à elevada osmolaridade da solução, que pode causar irritação e lesões nas veias periféricas.
O acesso pode ser estabelecido por diferentes dispositivos, conforme o tempo previsto de tratamento e as condições clínicas do paciente.
Os principais tipos de acesso são:
- Cateter central de inserção periférica (PICC): inserido em uma veia periférica, como a basílica, cefálica ou braquial, com a extremidade posicionada na veia cava superior. Pode ser utilizado quando a NPT é necessária por semanas ou meses.
- Cateter venoso central (CVC): inserido em veias centrais, como a jugular interna, subclávia ou femoral, sendo utilizado conforme as necessidades clínicas e a duração do tratamento.
- Cateter totalmente implantável: dispositivo colocado sob a pele, geralmente na região torácica, conectado a um cateter cuja extremidade fica na veia cava superior. Pode ser utilizado em pacientes que necessitam de nutrição parenteral prolongada.
Efeitos adversos da Nutrição parenteral
Os efeitos adversos estão relacionados principalmente às complicações do acesso venoso, às infecções associadas ao cateter e às alterações metabólicas decorrentes da administração de nutrientes por via intravenosa.
Complicações relacionadas ao acesso venoso
- Pneumotórax: pode ocorrer durante a inserção do cateter venoso central.
- Embolia gasosa: entrada de ar na circulação sanguínea.
- Sangramento e lesão vascular: decorrentes da inserção ou manipulação do cateter.
- Trombose venosa: formação de coágulos associada ao dispositivo ou ao acesso vascular.
Complicações infecciosas
- Infecção da corrente sanguínea associada ao cateter: complicação potencialmente grave, que pode evoluir para sepse.
- Infecção local: pode ocorrer na pele ao redor do local de inserção ou saída do cateter.
Alterações metabólicas
- Hiperglicemia: causada pelo excesso de glicose administrada ou pela resposta metabólica ao estresse.
- Hipoglicemia: pode ocorrer após a interrupção abrupta da infusão, especialmente em determinadas condições clínicas.
- Síndrome de realimentação: alteração metabólica potencialmente grave em pacientes com desnutrição importante ou jejum prolongado, caracterizada principalmente por alterações nos níveis de fósforo, potássio e magnésio.
- Distúrbios eletrolíticos: alterações nas concentrações séricas de sódio, potássio, magnésio, cálcio e fósforo.
- Encefalopatia de Wernicke: pode ocorrer em pacientes com deficiência de tiamina, especialmente quando há risco nutricional elevado e reposição inadequada dessa vitamina.
- Colestase associada à nutrição parenteral: alteração do fluxo biliar que pode ocorrer, sobretudo durante tratamentos prolongados, contribuindo para disfunção hepática.
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Referências
KIM, Dong Wook; SERES, David S. Nutrition support. In: YAMADA’S TEXTBOOK OF GASTROENTEROLOGY. 7. ed. 2022. Cap. 23. Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/9781119600206.ch23. Acesso em: 22 out. 2026.
WORTHINGTON, P. et al. When is parenteral nutrition appropriate? Journal of Parenteral and Enteral Nutrition, v. 41, n. 3, p. 324-377, 2017. Disponível em: https://doi.org/10.1177/0148607117695251. Acesso em: 22 out. 2026.



