ResuMED de cervicites: definições, etiologia, diagnóstico e muito mais!

ResuMED de cervicites: definições, etiologia, diagnóstico e muito mais!

Como vai, futuro Residente! Você sabia que o tema cervicites é extremamente frequente nas provas de Residência Médica? Em cerca de 4% das questões o tema vem associado à sua principal complicação, a doença inflamatória pélvica, por isso é extremamente importante que você esteja inteirado do assunto para alcançar sua tão sonhada vaga!

Dessa forma, nós do Estratégia MED, preparamos um resumo exclusivo com tudo o que você precisa saber sobre o tema, desde suas definições e classificações até sua conduta. Para saber mais, continue a leitura. Bons estudos!

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Introdução

De modo geral, as cervicites são infecções sexualmente transmissíveis (IST’s) que culminam em importantes complicações ginecológicas e materno-fetais, em média de 35% a 45% da população feminina sofre com alguma cervicite. 

Os agentes infecciosos que mais causam cervicites são as bactérias Chlamydia trachomatis (CT) e Neisseria gonorrhoeae (NG), mas também podem ser causadas por Trichomonas vaginalis, Herpes simplex virus e Mycoplasma genitalium

Existem alguns fatores de risco que são importantes que você saiba, são eles: 

  • Idade jovem;
  • Baixo nível socioeconômico;
  • Múltiplos parceiros;
  • Antecedente de IST; e
  • Uso irregular de preservativos. 

Conceitos e definições

Por definição, a cervicite é uma inflamação da mucosa endocervical – o epitélio colunar do colo uterino -, geralmente por causas infecciosas, que podem ser gonocócicas (causada pela N. gonorrhoeae), ou não gonocócica. Pode acometer não só o epitélio colunar, mas também o epitélio escamoso, o ectocérvice, principalmente nas infecções por herpes e tricomonas.  

Etiologia

Como dito até aqui, as cervicites podem ser causadas por diferentes agentes infecciosos, e cada um deles apresenta suas características, associado a diferentes manifestações clínicas e complicações. Vamos abordar a clamídia e o gonococo, os mais comuns e mais cobradas em provas.

Clamídia

É causada pela bactéria Chlamydia trachomatis, bactéria gram-negativa e intracelular obrigatória, ou seja, que necessita da célula do hospedeiro para sobreviver. É a maior responsável de IST bacteriana no mundo.

Mais de 70% dos casos são assintomáticos, e nos 30% restantes geralmente é provocado edema de colo, hiperemia mucorréia, acentuação da ectopia, dor à mobilização do colo e sangramento após relação sexual ou intermenstrual. Não costuma haver secreção mucopurulenta do colo. 

Gonococo

É a infecção causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae, uma bactéria gram-negativa, sem flagelos, encapsulada, intracelular e anaeróbia facultativa, menos prevalente que a clamídia. 

Geralmente, causa maior processo inflamatório em resposta à infecção gonocócica, causando um quadro mais complexo e sintomático que as outras infecções. Quando sintomática, suas principais manifestações são secreção purulenta ou mucopurulenta mucocervical, sangramento endocervical e edema cervical, além de disúria e bartolinite (infecção das glândulas de Bartholin).

Quadro clínico

Como dito anteriormente, o quadro clínico das cervicites é assintomático na maioria das pacientes, causando sintomas em somente cerca de 30% delas. Nesses 30%, os sintomas variam de acordo com o agente infeccioso da patologia, como apresentado anteriormente, mas os mais comuns incluem: secreção vaginal mucopurulenta e sangramento após a relação sexual ou entre as menstruações. Também podem estar presentes a disúria (dor ao urinar), dispareunia (dor na relação sexual) e irritação vulvovaginal).

Ao exame físico, pode ser possível visualizar um edema de colo de útero com exacerbação da ectopia e descarga mucopurulenta pelo orifício externo.  

Diagnóstico

Novamente, as cervicites são assintomáticas em cerca de 70% dos casos, o que dificulta seu diagnóstico. Porém, mesmo com sintomatologia aparente, não é possível confirmar o agente infeccioso apenas pelas manifestações clínicas.

Pelo Ministério da Saúde, o diagnóstico das cervicites causada por C. trachomatis e N. gonorrhoeae devem ser feitos por detecção de material genético dos agentes infecciosos por biologia molecular, sendo feito tanto nos casos sintomáticos quanto nos assintomáticos. 

Pode ser utilizado o método NAAT (Nucleic Acid Amplification Test) ou pela captura híbrida,  menos sensível que o NAAT. 

Tratamento

Para tratar as cervicites por IST, seria necessário identificar o agente infeccioso para um tratamento mais efetivo, porém, como não é sempre possível, é necessário saber ao menos os mais comuns. 

No caso da gonorreia, é utilizado ceftriaxona e ciprofloxacino, enquanto na clamídia é usado azitromicina e doxiciclina. 

Segundo o Ministério da Saúde, no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis, em 2020, há um tratamento específico para cada condição clínica. Confira a seguir:

  • Infecção anogenital não complicada e da faringe (uretra, colo uterino e reto) ⇒  ceftriaxona 500 mg, IM, dose única + azitromicina 500 mg, 2 cp, VO, dose única;
  • Infecção gonocócica disseminada: ceftriaxona 1g, IM ou IV/dia por pelo menos 7 dias + azitromicina 500 mg, 2 cp, VO, dose única;
  • Conjuntivite gonocócica no adulto: ceftriaxona 1g, IM, dose única; e
  • Infecção por clamídia: azitromicina 500 mg, 2 cp, VO, dose única OU doxiciclina 100 mg, VO, 2x/dia, 7 dias (exceto em gestantes). 

Obs.: todo parceiro que teve contato com o agente infeccioso antes do diagnóstico para CT ou NG deve ser tratado igualmente a paciente com a cervicite. 

Rastreamento e prevenção

O Ministério da Saúde não recomenda o rastreamento para clamídia e gonococo, mas o CDC recomenda o screening, em mulheres com menos de 25 anos e vida sexual ativa ou com mais de 25 anos e com fatores de risco, abordados no início do texto. É realizado por testes moleculares para detecção das bactérias no conteúdo cervical.

O rastreamento teria como objetivo reduzir o risco das complicações que podem levar as cervicites, além de identificar possíveis parceiros também acometidos pelas patologias, reduzindo a incidência também da sua complicação mais comum: a doença inflamatória pélvica.

Doença inflamatória pélvica

Falando rapidamente sobre essa patologia, a principal complicação das cervicites, a doença inflamatória pélvica (DIP) é uma síndrome clínica, causada por multifatores, como a cervicite apresentada até aqui. É causada geralmente por agentes infecciosos, mas também pode ser após procedimento médicos locais, como a colocada de DIU, curetagem, entre outros. 

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