No último sábado (16), a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou emergência de saúde pública de importância internacional após o avanço de um novo surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC) e em Uganda. A medida foi anunciada diante do aumento de casos suspeitos e confirmados relacionados à cepa Bundibugyo do vírus, variante para a qual ainda não há vacina aprovada.
Segundo os dados divulgados pelas autoridades sanitárias e pela OMS, o surto já soma mais de 240 casos suspeitos e ao menos 80 mortes na província de Ituri, no nordeste da RDC. Além disso, Uganda confirmou casos na capital Kampala, incluindo um óbito, após a entrada de viajantes vindos do território congolês.
Em comunicado, a OMS afirmou que o cenário representa risco de disseminação internacional e exige coordenação urgente entre países para reforçar ações de vigilância, rastreamento de contatos, testagem e controle da doença. Apesar do alerta máximo, a entidade destacou que o episódio ainda não configura uma “emergência pandêmica”, conforme os critérios do Regulamento Sanitário Internacional.
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Variante Bundibugyo preocupa por ausência de vacina específica
O atual surto é causado pela variante Bundibugyo do vírus ebola, considerada menos frequente, mas associada a altas taxas de letalidade em surtos anteriores. Autoridades de saúde afirmam que a mortalidade pode chegar a 50% em alguns cenários.
A principal preocupação das autoridades sanitárias é que, diferentemente da cepa Zaïre — responsável por outros surtos recentes, ainda não existem vacinas ou tratamentos específicos aprovados para a variante Bundibugyo.
A OMS e o Centro de Controle e Prevenção de Doenças da África (CDC África) também alertaram para as dificuldades de contenção da doença em regiões marcadas por conflitos armados, deslocamento populacional e acesso limitado aos serviços de saúde.
O que significa a emergência de saúde pública internacional
A declaração de emergência de saúde pública de importância internacional é o nível máximo de alerta emitido pela OMS para eventos com potencial de propagação entre países. A medida busca mobilizar governos, acelerar recursos e fortalecer a cooperação internacional para conter o avanço da doença.
Entre as recomendações emitidas pela entidade estão o reforço da vigilância epidemiológica, ampliação da capacidade laboratorial, treinamento de profissionais de saúde e intensificação das medidas de prevenção e controle de infecções em hospitais.
A OMS também orientou que casos suspeitos e contatos próximos evitem viagens internacionais, embora não recomende, neste momento, o fechamento de fronteiras ou restrições ao comércio.
Como ocorre a transmissão do ebola
O ebola é transmitido por contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas, incluindo sangue, secreções e outros materiais contaminados. A transmissão também pode ocorrer no manejo de corpos durante funerais sem proteção adequada.
Os sintomas incluem febre alta, fadiga intensa, dores musculares, vômitos, diarreia e hemorragias em casos mais graves. O período de incubação pode chegar a 21 dias, e a pessoa só transmite o vírus após o início dos sintomas.
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