Resumo sobre ceratose actínica: definição, manifestações clínicas e mais!
Fonte: Magnific

Resumo sobre ceratose actínica: definição, manifestações clínicas e mais!


E aí, doc! Vamos explorar mais um tema essencial? Hoje o foco é a ceratose actínica, uma neoplasia epitelial benigna caracterizada pela proliferação atípica de queratinócitos em áreas cronicamente expostas ao sol.

O Estratégia MED está aqui para descomplicar esse conceito e ajudar você a dominar o diagnóstico e o manejo dessa lesão, promovendo uma prática clínica cada vez mais eficaz e segura.

Vamos nessa!

Definição da ceratose actínica

A ceratose actínica, também conhecida como ceratose solar ou senil, é uma neoplasia epitelial benigna caracterizada pela proliferação atípica de queratinócitos na epiderme. Essa condição desenvolve-se predominantemente em áreas cronicamente fotoexpostas de adultos e idosos de pele clara, funcionando como um importante marcador cutâneo de fotoenvelhecimento e dano solar acumulado.

Clinicamente, as lesões apresentam-se como pápulas ou placas eritematosas, secas e descamativas, apresentando textura áspera à palpação. Embora muitas lesões permaneçam estáveis ou possam apresentar regressão espontânea, a ceratose actínica é amplamente reconhecida como a lesão pré-maligna mais comum da pele.

Por compartilhar alterações genéticas e histopatológicas com o carcinoma espinocelular (CEC), a lesão é considerada o principal precursor direto dessa neoplasia maligna invasiva. A presença de múltiplas lesões reflete o dano actínico no “campo de cancerização” subjacente, o que eleva o risco cumulativo de progressão para carcinoma invasivo e exige acompanhamento clínico.

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Etiologia da ceratose actínica

A ceratose actínica é uma condição de etiologia predominantemente induzida pela radiação ultravioleta, resultando dos efeitos acumulativos da exposição solar ao longo da vida. O seu desenvolvimento decorre da combinação de danos diretos ao DNA dos queratinócitos e de alterações nas vias de proliferação e apoptose celular.

Os principais fatores de risco incluem:

  • Características demográficas e fenotípicas: sexo masculino, idade avançada, fototipos claros de Fitzpatrick (I e II), cabelos e olhos claros, presença de sardas e calvície.
  • Padrões de exposição à radiação: exposição solar crônica acumulativa (ocupacional ou recreativa) e histórico de queimaduras solares na infância ou na vida adulta.
  • Condições médicas e imunológicas: imunossupressão (como em pacientes transplantados de órgãos), histórico pessoal de outros cânceres de pele não melanoma, vitiligo e genodermatoses com defeito de reparo do DNA, como o xeroderma pigmentoso.
  • Fármacos e exposição a substâncias: uso de medicamentos fotossensibilizantes (como diuréticos tiazídicos e certos anti-hipertensivos), tratamento prévio com fototerapia (PUVA) e exposição a carcinógenos ambientais como o arsênio.
  • Fatores protetores associados: o uso diário e regular de protetor solar atua como um fator protetor significativo, reduzindo a incidência da doença.

Em conjunto, esses fatores promovem mutações em genes supressores de tumor (como o p53) e a proliferação anormal de queratinócitos atípicos, resultando na formação das lesões características da ceratose actínica.

Manifestações clínicas da ceratose actínica

A manifestação clínica mais característica da ceratose actínica é o surgimento de lesões ásperas e descamativas em superfícies cutâneas cronicamente fotoexpostas, sendo a palpação frequentemente tão ou mais elucidativa do que a própria inspeção visual.

Aspecto e localização das lesões

As lesões costumam se apresentar como pápulas ou placas de crescimento lento, avermelhadas, castanhas ou amareladas, secas e cobertas por escamas aderentes, medindo geralmente menos de 1 cm de diâmetro. A sua característica mais marcante ao toque é a textura áspera e rugosa, decorrente de graus variáveis de hiperceratose. 

Elas localizam-se predominantemente em áreas fotoexpostas, como face, couro cabeludo calvo, orelhas, pescoço, dorso das mãos e antebraços. Além disso, a pele ao redor costuma exibir outros sinais visíveis de dano actinício crônico, como rugas, elastose, telangiectasias e alterações de pigmentação.

Sintomatologia e sinais de alerta

Embora muitas lesões sejam assintomáticas, os pacientes podem relatar desconforto local, incluindo prurido, dor ou sangramento provocado por pequenos traumas. É fundamental atentar para manifestações que sugerem um risco aumentado de progressão para o carcinoma espinocelular (CEC) invasivo. 

Achados como endurecimento da base (induração), crescimento rápido, inflamação intensa, ulceração, sangramento recorrente ou diâmetro superior a 1 cm servem como sinais de alerta que exigem intervenção dermatológica imediata.

Diagnóstico da ceratose actínica

O diagnóstico da ceratose actínica é essencialmente clínico, fundamentado na inspeção visual minuciosa e na palpação de lesões ásperas em áreas fotoexpostas de pacientes com fatores de risco. A dermatoscopia atua como uma ferramenta não invasiva complementar de grande utilidade, podendo revelar achados característicos como o padrão em “morango” nas lesões faciais não pigmentadas.

A confirmação definitiva é estabelecida por meio do exame histopatológico obtido via biópsia cutânea. Essa investigação é indicada sobretudo diante de lesões atípicas, refratárias às terapias iniciais ou que apresentem sinais clínicos de alarme para transformação em carcinoma espinocelular invasivo, tais como endurecimento da base (induração), ulceração, sangramento e crescimento rápido. 

Sob análise microscópica, a doença caracteriza-se pela presença de queratinócitos atípicos e perda da maturação epidérmica, podendo ser graduada em níveis de Neoplasia Intraepitelial Queratinocítica (KIN I, II e III).

Para o correto manejo do paciente, é indispensável estabelecer o diagnóstico diferencial com outras dermatoses benignas e malignas. O quadro deve ser diferenciado de condições como lentigo solar, ceratose seborreica, doença de Bowen, carcinoma basocelular, carcinoma espinocelular, lúpus eritematoso discoide e verrugas virais.

Tratamento da ceratose actínica

O tratamento da ceratose actínica é individualizado e visa reduzir o número de lesões e mitigar o risco de progressão para o carcinoma espinocelular. A escolha terapêutica baseia-se nas características e na quantidade de lesões, dividindo-se em abordagens direcionadas a lesões isoladas e intervenções focadas no tratamento do “campo de cancerização”.

Terapias direcionadas às lesões

Para o manejo de lesões visíveis e isoladas, a crioterapia com nitrogênio líquido representa a modalidade mais comum e eficaz. Procedimentos como curetagem, shaving com eletrocoagulação ou a excisão cirúrgica simples são reservados prioritariamente para lesões hiperceratósicas ou casos com suspeita clínica de malignidade, garantindo o envio do material para confirmação histopatológica.

Tratamento do campo de cancerização e prevenção

Nos pacientes com múltiplas lesões ou dano actínico difuso, aplicam-se estratégias para tratar todo o campo afetado. Entre as opções estão os medicamentos tópicos (como 5-fluorouracil, imiquimode, gel de diclofenaco a 3% e ingenol mebutato) e procedimentos de campo, como a terapia fotodinâmica (PDT), peelings químicos, laser de resurfacing e dermabrasão.

O manejo é concluído com a orientação para fotoproteção diária rigorosa, suplementação oral de nicotinamida (vitamina B3) para reduzir o surgimento de novas lesões e o rastreamento dermatológico periódico para vigilância contínua da pele.

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Referências

MARQUES, Erik; CHEN, Teris M. Ceratose actínica. In: STATPEARLS [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing, 2023.

LI, Yongshuang; WANG, Jinhua; XIAO, Weimian; LIU, Jing; ZHA, Xushan. Risk factors for actinic keratoses: A systematic review and meta-analysis. Indian Journal of Dermatology, v. 67, n. 1, p. 92, 2022.

SCHMITT, Juliano Vilaverde; MIOT, Hélio Amante. Actinic keratosis: a clinical and epidemiological revision. Anais Brasileiros de Dermatologia, v. 87, n. 3, p. 425-434, 2012.

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