E aí, doc! Vamos explorar mais um tema essencial? Hoje o foco é o LDL (lipoproteína de baixa densidade), uma das principais partículas responsáveis pelo transporte de colesterol no sangue.
O Estratégia MED está aqui para descomplicar esse conceito e ajudar você a aprofundar seus conhecimentos, promovendo uma prática clínica cada vez mais eficaz e segura.
Vamos nessa!
Definição de LDL
O LDL (lipoproteína de baixa densidade) é uma das principais lipoproteínas responsáveis pelo transporte do colesterol no sangue, levando-o principalmente do fígado para os diferentes tecidos do organismo.
O colesterol transportado pelo LDL é essencial para funções celulares, incluindo a produção de hormônios e vitamina D. Entretanto, níveis elevados de LDL estão associados ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, como aterosclerose, infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral.
Por esse motivo, o LDL é frequentemente denominado “colesterol ruim” e sua concentração é utilizada, em conjunto com outros parâmetros do perfil lipídico, para avaliar o risco cardiovascular individual.
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Como calcular o LDL?
O LDL-colesterol (LDL-C) pode ser estimado a partir do perfil lipídico, utilizando principalmente a equação de Friedewald. O cálculo considera os valores de colesterol total, HDL-colesterol e triglicerídeos (TG).
Equação de Friedewald:
LDL-C = Colesterol Total − HDL-C − (TG ÷ 5)
Todos os valores devem estar expressos em mg/dL. Nessa equação, o termo TG ÷ 5 representa uma estimativa do colesterol presente nas lipoproteínas de muito baixa densidade (VLDL-C).
Exemplo:
Um paciente apresenta:
- Colesterol total: 200 mg/dL
- HDL-C: 50 mg/dL
- Triglicerídeos: 150 mg/dL
Aplicando a fórmula:
LDL-C = 200 − 50 − (150 ÷ 5)
LDL-C = 200 − 50 − 30
LDL-C = 120 mg/dL
Assim, o LDL-C estimado é de 120 mg/dL.
Apesar de ser amplamente utilizada, a equação de Friedewald apresenta algumas limitações. Não deve ser utilizada quando os triglicerídeos são ≥ 400 mg/dL, além de poder subestimar o LDL-C em situações de triglicerídeos elevados e LDL-C baixo. Nesses casos, podem ser empregadas equações mais modernas, como Martin/Hopkins e Sampson/NIH, ou métodos de dosagem direta do LDL-C.
Motivos de medir o LDL
A medição dos níveis de LDL-colesterol é importante porque o LDL é um dos principais marcadores utilizados na avaliação do risco cardiovascular. Quando seus níveis estão elevados, há maior associação com o desenvolvimento de aterosclerose e doenças cardiovasculares, como infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral.
Por isso, o LDL-C costuma ser avaliado em conjunto com colesterol total, HDL-C e triglicerídeos, permitindo uma análise mais completa do perfil lipídico e do risco cardiovascular do indivíduo. A dosagem também é importante para acompanhar pacientes com alterações do colesterol e avaliar a resposta às medidas de tratamento, como mudanças no estilo de vida e uso de medicamentos, quando indicados.
Níveis de LDL
Os níveis de LDL-colesterol (LDL-C) são classificados de acordo com sua concentração no sangue. De forma geral, quanto maior o LDL-C, maior o risco cardiovascular, embora a meta ideal varie de acordo com o risco cardiovascular individual.
| Classificação | LDL-C |
| Desejável | < 100 mg/dL |
| Limítrofe alto | 100–129 mg/dL |
| Elevado | 130–159 mg/dL |
| Alto | 160–189 mg/dL |
| Muito alto | ≥ 190 mg/dL |
Principais causas de LDL alto
As principais causas de LDL-colesterol elevado podem ser divididas em causas primárias (genéticas) e causas secundárias, relacionadas a doenças, medicamentos e fatores de estilo de vida.
- Hipercolesterolemia familiar: é a principal causa genética de LDL muito elevado. Alterações nos genes relacionados à remoção do LDL, principalmente LDLR, APOB e PCSK9, reduzem a depuração hepática do colesterol, levando a níveis elevados desde a infância.
- Alimentação: dietas com elevada ingestão de gorduras saturadas presentes, por exemplo, em carnes gordurosas, manteiga, leite integral e óleos de coco e palma estão associadas ao aumento do LDL. As gorduras trans também podem contribuir.
- Hipotireoidismo: a redução da atividade tireoidiana diminui o metabolismo e a remoção do LDL, podendo elevar significativamente sua concentração.
- Doenças renais: a doença renal crônica, especialmente a síndrome nefrótica, pode causar alterações importantes no metabolismo das lipoproteínas e aumentar o LDL.
- Doenças hepáticas colestáticas: condições que comprometem o fluxo biliar, como doenças obstrutivas das vias biliares, podem provocar elevação do colesterol.
- Diabetes, resistência à insulina e obesidade: alterações metabólicas podem modificar o perfil das lipoproteínas e favorecer a presença de partículas de LDL mais aterogênicas.
- Medicamentos: alguns remédios podem elevar o LDL, incluindo diuréticos tiazídicos em doses elevadas, glicocorticoides, alguns hormônios, antipsicóticos atípicos e ciclosporina.
- Alterações fisiológicas: a gravidez e a transição menopáusica também podem provocar elevações do LDL.
Diante de um LDL-C ≥ 190 mg/dL, é especialmente importante investigar causas secundárias e considerar a possibilidade de hipercolesterolemia familiar, principalmente quando há história familiar de colesterol elevado ou doença cardiovascular precoce.
Medidas para redução do LDL
A redução do LDL-colesterol (LDL-C) envolve duas abordagens principais: medidas não farmacológicas, que devem fazer parte da estratégia de tratamento de todos os pacientes, e terapia farmacológica, indicada de acordo com o risco cardiovascular e a magnitude da redução de LDL necessária.
Medidas não farmacológicas
A alimentação é um dos principais pilares para reduzir o LDL-C. Recomenda-se priorizar frutas, verduras, legumes, leguminosas, grãos integrais e alimentos ricos em fibras, além de substituir gorduras saturadas e trans por gorduras mono e poli-insaturadas, presentes em alimentos como peixes, oleaginosas, azeite e abacate. Essa substituição apresenta efeito mais consistente sobre o LDL-C do que simplesmente restringir o colesterol da dieta.
Outras estratégias alimentares também podem contribuir para a redução do LDL-C, como o aumento do consumo de proteínas vegetais, fibras viscosas, oleaginosas e fitosteróis ou estanóis vegetais. Padrões alimentares específicos, como a dieta Portfolio, podem produzir reduções ainda mais expressivas.
A perda de peso, quando indicada em pessoas com sobrepeso ou obesidade, também contribui para melhorar o perfil lipídico. Da mesma forma, a atividade física regular é recomendada, com pelo menos 150 minutos por semana de exercício moderado ou 75–150 minutos de exercício vigoroso, associada a exercícios de resistência pelo menos duas vezes por semana. O efeito isolado do exercício sobre o LDL-C é modesto, mas seus benefícios cardiovasculares são amplos.
É importante destacar que suplementos não devem substituir as medidas comprovadamente eficazes. Produtos como alho, cúrcuma, arroz de levedura vermelha e óleo de peixe não prescrito não são recomendados como estratégia principal para redução do LDL-C.
Medidas farmacológicas
A terapia com estatinas é a primeira escolha farmacológica para redução do LDL-C e prevenção de eventos cardiovasculares. A intensidade do tratamento determina a magnitude da redução, que pode variar aproximadamente entre 18% e 55%.
Quando a redução obtida com a estatina na dose máxima tolerada não é suficiente para atingir a meta de LDL-C, podem ser adicionados medicamentos não estatínicos:
- Ezetimiba: reduz a absorção intestinal de colesterol e proporciona redução adicional do LDL-C, especialmente quando associada à estatina.
- Inibidores de PCSK9: como alirocumabe e evolocumabe, aumentam a disponibilidade dos receptores hepáticos de LDL e podem reduzir o LDL-C em aproximadamente 45–64%.
- Inclisirana: atua por RNA de interferência, reduzindo a produção de PCSK9 e promovendo redução do LDL-C de aproximadamente 48–52%.
- Ácido bempedoico: reduz a síntese hepática de colesterol e pode diminuir o LDL-C em cerca de 21–24% quando utilizado isoladamente, com maior efeito quando combinado à estatina.
- Sequestrantes de ácidos biliares: podem ser utilizados em situações selecionadas, apresentando redução variável do LDL-C.
- Evinacumabe: atua por uma via independente do receptor de LDL e possui papel especialmente relevante no tratamento da hipercolesterolemia familiar homozigota.
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Referências
GRUNDY, Scott M. et al. 2018 AHA/ACC/AACVPR/AAPA/ABC/ACPM/ADA/AGS/APhA/ASPC/NLA/PCNA guideline on the management of blood cholesterol. Circulation, Dallas, v. 139, n. 25, p. e1082-e1143, 2019.
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VIRANI, Salim S. et al. 2025 ACC/AHA/ACEP/NAEMSP/SCAI guideline for the management of patients with acute coronary syndromes. Circulation, Dallas, 2025.
LLOYD-JONES, Donald M. et al. 2026 ACC/AHA guideline for management of dyslipidemia. Circulation, Dallas, 2026.



