Resumo sobre Paratormônio: secreção, regulação, função e mais!

Resumo sobre Paratormônio: secreção, regulação, função e mais!

E aí, doc! Vamos falar sobre mais um assunto? Agora vamos comentar sobre a o Paratormônio, secretado pelas paratireoides.

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Definição de Paratormônio

O hormônio da paratireoide (PTH) desempenha um papel fundamental na regulação da homeostase do cálcio e do fosfato no corpo humano. Junto com o calcitriol (1,25-di-hidroxivitamina D) e o fator de crescimento de fibroblastos 23 (FGF23), o PTH forma um trio de hormônios essenciais para manter os níveis adequados desses minerais.

O controle preciso da concentração sérica de cálcio ionizado é mediado exclusivamente pelo PTH, que trabalha para manter essa concentração dentro de uma faixa estreita. Ele realiza isso estimulando a reabsorção tubular renal de cálcio e a reabsorção óssea.

O PTH é inicialmente sintetizado como um polipeptídeo de 115 aminoácidos, conhecido como pré-pró-PTH. Esse precursor é clivado dentro das células da paratireoide, primeiro em pró-PTH (90 aminoácidos) e, finalmente, em PTH (84 aminoácidos), que é a forma biologicamente ativa e predominante do hormônio. O processo de biossíntese do PTH é relativamente rápido, ocorrendo em menos de uma hora. 

Uma vez secretado, o PTH é prontamente eliminado do plasma, principalmente através da captação pelo fígado e rim. No rim, o PTH (1-84) é clivado em fragmentos amino-terminais ativos e inativos, os quais são então excretados na urina. O PTH intacto tem uma meia-vida plasmática curta, variando de dois a quatro minutos.

Regulação do Paratormônio

A regulação da secreção de paratormônio (PTH) é um processo altamente sofisticado que envolve a interação de múltiplos fatores, sendo os principais o cálcio extracelular, o fosfato extracelular, o calcitriol e o fator de crescimento de fibroblastos 23 (FGF23). Receptores sensíveis ao cálcio (CaSR) nas células da paratireoide detectam até pequenas variações na concentração de cálcio, desencadeando uma resposta rápida: em caso de hipocalcemia, a secreção de PTH é estimulada, enquanto em hipercalcemia, ela é inibida.

Além do cálcio, o fosfato também influencia a secreção de PTH. A hiperfosfatemia, ou seja, altos níveis de fosfato no sangue, podem estimular diretamente a síntese e secreção de PTH, além de promover o crescimento das células da paratireoide. Esta resposta pode ser mediada pela indução de hipocalcemia secundária ao aumento do fosfato sérico. 

O calcitriol, a forma ativa da vitamina D, exerce uma influência significativa sobre a secreção de PTH. Ao se ligar aos receptores de vitamina D nas células da paratireoide, o calcitriol inibe a expressão do gene do PTH, reduzindo assim a síntese e secreção do hormônio. Além disso, o calcitriol também pode inibir a proliferação das células da paratireoide e aumentar a expressão do CaSR, contribuindo para a regulação fina da secreção de PTH em resposta aos níveis de cálcio.

O FGF23, além de seu papel primário na regulação do metabolismo do fosfato, também exerce efeitos diretos sobre a paratireoide. Ele atua inibindo a síntese e secreção de PTH pelas células da paratireoide, contribuindo para o equilíbrio entre os hormônios que regulam o cálcio e o fosfato no organismo. 

Ações biológicas do Paratormônio

Uma das principais ações do PTH é o aumento da reabsorção óssea. Isso ocorre em duas fases: inicialmente, o PTH mobiliza o cálcio das reservas esqueléticas prontamente disponíveis, seguido por uma estimulação da liberação de cálcio e fosfato pela ativação da reabsorção óssea. Essas ações visam aumentar os níveis de cálcio no líquido extracelular.

Além disso, o PTH tem efeitos renais significativos. Ele estimula a reabsorção de cálcio nos túbulos renais, reduzindo assim a excreção urinária de cálcio. Também influencia a reabsorção de fosfato no rim, principalmente inibindo a reabsorção tubular proximal de fosfato. 

Outra ação importante do PTH é sua capacidade de estimular a síntese de calcitriol, a forma ativa da vitamina D, nos túbulos renais. O calcitriol aumenta a absorção intestinal de cálcio, complementando assim o efeito do PTH na manutenção dos níveis séricos de cálcio.

O PTH pode ter efeitos em outros tecidos e sistemas, como intestino, fígado, tecido adiposo, função cardiovascular e neuromuscular. Esses efeitos podem estar relacionados a manifestações clínicas associadas ao hiperparatireoidismo, como hipertensão, alterações no metabolismo lipídico e anormalidades neuromusculares.

Valor de referência do Paratormônio

O nível normal de paratormônio no sangue pode variar dependendo do laboratório, devido ao uso de diferentes métodos de análise. No entanto, em geral, considera-se que os valores normais de PTH no sangue estão na faixa de 12 a 65 picogramas por mililitro (pg/mL).

Paratormônio alto

Quando os níveis de paratormônio estão elevados, indicando paratormônio alto, isso geralmente sugere a presença de hiperparatireoidismo. O hiperparatireoidismo é uma condição na qual as glândulas paratireoides produzem excesso de PTH, levando a níveis elevados de cálcio no sangue (hipercalcemia). 

Diversas razões podem levar a essa condição, como tumores nas glândulas paratireoides, insuficiência renal crônica, deficiência de vitamina D ou hipercalciúria. O aumento do PTH tem como objetivo compensar a hipercalcemia, estimulando a excreção de cálcio pelos rins e a mobilização de cálcio dos ossos.

Paratormônio baixo

Por outro lado, quando os níveis de paratormônio estão baixos, indicando paratormônio baixo, isso geralmente sugere hipoparatireoidismo. O hipoparatireoidismo é uma condição na qual as glândulas paratireoides produzem quantidades insuficientes de PTH, resultando em níveis baixos de cálcio no sangue (hipocalcemia). 

Isso pode ocorrer devido a várias razões, incluindo doença autoimune, remoção cirúrgica das glândulas paratireoides ou desenvolvimento incorreto das glândulas paratireoides. A hipocalcemia resultante do hipoparatireoidismo pode levar a sintomas como espasmos musculares, dormência e formigamento, e em casos graves, convulsões e arritmias cardíacas.

O diagnóstico e tratamento do paratormônio alto ou baixo dependem da identificação da causa subjacente da desregulação do PTH. Isso pode envolver uma combinação de exames de sangue para avaliar os níveis de cálcio, fosfato e vitamina D, bem como exames de imagem para investigar possíveis anormalidades nas glândulas paratireoides. 

O tratamento geralmente visa corrigir o desequilíbrio mineral subjacente e pode incluir o uso de medicamentos, suplementação de cálcio e vitamina D, ou até mesmo cirurgia para remover tumores ou corrigir anormalidades nas glândulas paratireoides.

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Referências

Michael Mannstadt, MD. Parathyroid hormone secretion and action. UpToDate, 2023. Disponível em: UpToDate

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