Resumo de acantose nigricans: diagnóstico, tratamento e mais!

Resumo de acantose nigricans: diagnóstico, tratamento e mais!

A acantose nigricans representa lesões da pele que estão associadas a doenças subjacentes benignas, principalmente obesidade e diabetes com resistência à insulina, mas também pode estar presente em condições de malignidade.  

Confira os principais aspectos referentes a esta condição clínica, que aparecem nos atendimentos e como são cobrados nas provas de residência médica!

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Seu tempo é precioso e sabemos disso. Se for muito escasso neste momento, veja abaixo os principais tópicos referentes à acantose nigricans (AN).

  • A obesidade é a condição mais comum associada à acantose nigricans. 
  • Mesmo que mais raro, certas condições malignas, principalmente adenocarcinomas gastrointestinais podem ser a causa de AN. 
  • A AN tipicamente se apresenta com placas hiperpigmentadas espessas, aveludadas a verrucosas, marrom-acinzentadas na pele.
  • Na maioria das vezes a AN é um quadro benigno e melhoraria após tratamento da doença subjacente. 
  • Por questões estéticas, terapias tópicas com retinóides tópicos e análogos de vitaminas D são muitas vezes utilizados.   

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Definição da doença

A acantose nigricans (AN) é uma manifestação cutânea de uma condição subjacente, caracterizada por placas aveludadas e hiperpigmentadas na pele. É mais comumente associada à síndrome metabólica, diabetes e resistência à insulina, mas raramente pode ser um sinal de malignidade interna. 

Epidemiologia e fisiopatologia da acantose nigricans

A acantose nigricans pode afetar indivíduos de todas as idades e sexos, incluindo bebês e crianças. As taxas de prevalência desse distúrbio tenham variado entre os estudos, mas o aumento da prevalência de obesidade e diabetes tem sido associada aumento na prevalência de AN observada recentemente, variando de 7% a 74%, conforme idade, raça, frequência do tipo, grau de obesidade e endocrinopatia concomitante. 

Etiologia 

#Ponto importante: A obesidade é a condição mais comum associada à acantose nigricans. 

Das formas benignas, também associada a outras doenças como diabetes tipo II (resistente à insulina), hipotireoidismo, acromegalia, doença dos ovários policísticos, Cushing e doenças de Addison.

Alguns medicamentos têm sido classicamente associado ao desenvolvimento da AN, como ácido nicotínico, glicocorticóides sistêmicos, dietilestilbestrol, pílula anticoncepcional oral combinada, terapia com hormônio de crescimento, estrogênio, inibidores de protease, niacina, insulina injetável. 

No entanto, por mais que seja raro, a acantose nigricans pode preceder ou acompanhar o início de certas condições malignas, principalmente adenocarcinomas gastrointestinais e cânceres geniturinários, como próstata, mama e ovário. A forma paraneoplásica da acantose nigricans é diagnosticada com mais frequência em indivíduos mais velhos e os pacientes geralmente não são obesos. 

Patogênese

Por mais que as vias que levam à acantose nigricans não sejam bem compreendidas, nos casos de resistência a insulina, como ocorre na obesidade e diabetes II, níveis elevados de insulina podem estimular a proliferação de queratinócitos e fibroblastos dérmicos por meio da interação com IGFR1, resultando em lesões da AN.

Outros mecanismos também podem estar envolvidos na acantose nigricans, principalmente nos casos em que a resistência à insulina está ausente. Por exemplo, mutações em certos receptores do fator de crescimento de fibroblasto (FGFRs) podem contribuir através da promoção da proliferação e sobrevivência de queratinócitos.

O fator transformador de crescimento (TGF)-alfa, uma citocina que pode exercer efeitos proliferativos por meio da ativação do receptor do fator de crescimento epidérmico (EGFR), também pode contribuir para o desenvolvimento de acantose nigricans associada a malignidades.  

Manifestações clínicas da acantose nigricans

A AN tipicamente se apresenta com placas hiperpigmentadas espessas, aveludadas a verrucosas, marrom-acinzentadas na pele. A nuca, as laterais do pescoço e as axilas são os locais mais comuns de acometimento. A hiperceratose é a principal responsável pelo quadro clínico de hiperpigmentação cutânea. 

À medida que as lesões progridem, a pele torna-se mais espessa e apresenta acentuação dos dermatoglíficos (linhas da pele) e das projeções papilomatosas. Acrocórdons (marcas na pele) podem estar presentes dentro ou ao redor das áreas afetadas. 

(a) Pele característica escura, áspera e espessada com textura aveludada de acantose nigricans (AN). (b) AN das axilas com acrocórdons. Crédito: Phiske MM. An approach to acanthosis nigricans. Indian Dermatol Online J. 2014. 

A AN associada a malignidade geralmente tem um início rápido e é acompanhada por crescimento rápido de acrocórdons, múltiplas ceratoses seborreicas(sinal de Leser-Trelat) ou tripe palms (palmas de tripas). As palmas de tripas apresentam-se como hiperqueratose rugosa e dermatoglifos proeminentes das palmas, semelhantes ao revestimento do intestino bovino. 

Tripe palm. Crédito: Uptodate.

Diagnóstico da acantose nigricans 

A anamnese e achados do exame físico geral e das lesões costumam ser suficientes para estabelecer o diagnóstico de acantose nigricans. A biópsia não é necessária, mas quando realizada as principais características são hiperceratose e a papilomatose epidérmica. 

Exame adicionais de sangue adicionais visam pesquisa de causas subjacentes, como diabetes tipo II, síndrome metabólica, hipotireodismo ou síndrome do ovário policístico nas mulheres.  

Não há avaliação padronizada para casos suspeitos de malignidade, como pacientes mais velhos, sem diabetes ou obesidade. Como muitos dos tumores associados envolvem o trato gastrointestinal, o encaminhamento para gastroenterologia é indicado.

Manejo de acantose nigricans

Na maioria das vezes a AN é um quadro benigno e melhoraria após tratamento da doença subjacente, como controlar os níveis de glicose,  perda de peso ou, se possível, interromper uso de possíveis medicações causadoras da AN. Nos casos malignos associados, a AN também pode resolver se o tumor causador for removido com sucesso. 

Para pacientes nos quais a reversão da causa subjacente da acantose nigricans é impossível ou o grau de melhora é insatisfatório ou que desejam uma melhora acelerada na aparência cosmética das lesões, terapias tópicas são usadas, como retinóides tópicos (por exemplo, tretinoína tópica) e análogos de vitaminas D tópicas (por exemplo, calcipotriol 0.005%), que agem diminuindo a proliferação de queratinócitos e causam melhora das lesões de Acantose nigricans. A melatonina também pode melhorar os sintomas cutâneos em pacientes obesos, melhorando o estado inflamatório e a sensibilidade à insulina. 

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Referências bibliográficas:

  • Andrea D Maderal, MD. Acanthosis nigricans. Disponível em Uptodate
  • Brady MF, Rawla P. Acantose Nigricans. [Atualizado em 9 de outubro de 2022]. In: StatPearls [Internet]. Ilha do Tesouro (FL): StatPearls Publishing; 2022 Jan-. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK431057/
  • Phiske MM. An approach to acanthosis nigricans. Indian Dermatol Online J. 2014 Jul;5(3):239-49. doi: 10.4103/2229-5178.137765.
  • Crédito da imagem em destaque: Pexels
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