Resumo sobre Divertículo de Zenker: definição, manifestações clínicas e mais!
Endoscopia do divertículo de Zenker. Fonte: UpToDate

Resumo sobre Divertículo de Zenker: definição, manifestações clínicas e mais!

E aí, doc! Vamos explorar mais um tema essencial? Hoje o foco é o Divertículo de Zenker, uma condição caracterizada pela formação de uma bolsa na região posterior da hipofaringe, acima do esfíncter esofágico superior, levando a sintomas como disfagia, regurgitação, halitose e risco de aspiração.

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Vamos nessa!

Definição de Divertículo de Zenker

O divertículo de Zenker é um pseudodivertículo da hipofaringe caracterizado pela herniação da mucosa e submucosa através do triângulo de Killian, uma área de fraqueza muscular localizada entre as fibras do músculo cricofaríngeo e do músculo constritor inferior da faringe. Situa-se acima do esfíncter esofágico superior, projetando-se posteriormente, sendo considerado um divertículo “falso” por não envolver todas as camadas da parede esofágica. 

Ocorre principalmente em adultos idosos e está associado à disfunção do esfíncter esofágico superior e alterações da motilidade faríngea. Clinicamente, manifesta-se sobretudo com disfagia orofaríngea progressiva, regurgitação de alimentos não digeridos, halitose, sensação de gargarejo cervical e, em casos avançados, perda ponderal e risco de aspiração pulmonar. 

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Classificação do Divertículo de Zenker

A classificação dos divertículos esofágicos pode ser feita de acordo com a estrutura da parede envolvida e com a localização anatômica. 

Quanto à localização anatômica, os divertículos esofágicos dividem-se em:

  • Divertículos próximos ao esfíncter esofágico superior, grupo no qual se encontra o divertículo de Zenker;
  • Divertículos do terço médio do esôfago, chamados divertículos de tração;
  • Divertículos epifrênicos, localizados imediatamente acima do esfíncter esofágico inferior.

Dentro dos divertículos da região cervical, existem ainda subclasses anatômicas importantes:

  • Divertículo de Zenker: localizado acima do músculo cricofaríngeo, com protrusão posterior;
  • Divertículo de Killian-Jamieson: situado abaixo do músculo cricofaríngeo, com extensão anterolateral;
  • Divertículo de Laimer: localizado abaixo do músculo cricofaríngeo, com protrusão posterior.

Além disso, o divertículo de Zenker também pode ser classificado conforme o tamanho, o que possui relevância terapêutica:

  • Pequeno: menor que 2 cm;
  • Moderado: entre 2 e 5 cm;
  • Grande: maior que 5 cm.

Etiopatogenia do Divertículo de Zenker

A etiopatogenia do divertículo de Zenker envolve a associação entre uma área de fraqueza anatômica da hipofaringe e alterações funcionais do esfíncter esofágico superior. O divertículo se forma no triângulo de Killian, região situada entre o músculo cricofaríngeo e o músculo constritor inferior da faringe, onde ocorre herniação da mucosa e submucosa.

O principal mecanismo fisiopatológico é a disfunção do músculo cricofaríngeo, com relaxamento inadequado do esfíncter esofágico superior durante a deglutição. Isso provoca aumento da pressão faríngea e dificuldade na passagem do bolo alimentar, favorecendo a protrusão da mucosa através da área de fraqueza.

Fatores como distúrbios da motilidade esofágica, refluxo gastroesofágico e alterações degenerativas relacionadas ao envelhecimento também podem contribuir para o desenvolvimento do divertículo. A doença é mais comum em homens e em idosos, especialmente entre a sétima e oitava décadas de vida.

Manifestações clínicas do Divertículo de Zenker

As manifestações clínicas do divertículo de Zenker variam conforme o tamanho do divertículo. Pequenos divertículos podem ser assintomáticos, enquanto os maiores geralmente causam sintomas progressivos relacionados à disfagia orofaríngea. A disfagia é a manifestação mais comum, presente em cerca de 80 a 90% dos pacientes, principalmente para alimentos sólidos.

Com o aumento do divertículo, alimentos, saliva, muco e medicamentos podem ficar retidos no saco diverticular, levando à regurgitação de alimentos não digeridos, halitose, sensação de gargarejo cervical e tosse após as refeições. Alguns pacientes relatam sensação de massa no pescoço ou ruídos cervicais durante a deglutição.

Nos casos mais avançados, podem ocorrer perda ponderal, desnutrição e episódios de broncoaspiração, com risco de pneumonia aspirativa. Raramente, divertículos muito volumosos podem comprimir o esôfago e causar obstrução quase completa da passagem alimentar.

Diagnóstico do Divertículo de Zenker

O diagnóstico do divertículo de Zenker deve ser suspeitado em adultos de meia-idade ou idosos com disfagia orofaríngea progressiva, especialmente para sólidos, associada à regurgitação de alimentos não digeridos, halitose e episódios de aspiração. 

  • Esofagograma baritado: é o exame de escolha para o diagnóstico. A fluoroscopia com contraste mostra uma imagem sacular posterior na junção faringoesofágica, permitindo avaliar localização, tamanho do divertículo e retenção de alimento. Divertículos pequenos podem não ser facilmente visualizados, sendo úteis manobras dinâmicas e mudanças de posição durante o exame.
  • Endoscopia digestiva alta: não é obrigatória para confirmar o diagnóstico, mas é recomendada para excluir neoplasias e outras causas de disfagia. Deve ser realizada com cautela devido ao risco de perfuração do divertículo.
  • Ultrassonografia cervical: pode ser utilizada como método complementar, principalmente para diferenciar o divertículo de massas cervicais ou nódulos tireoidianos.
  • Diagnóstico diferencial: inclui outras causas de disfagia progressiva, como estenose péptica e carcinoma esofágico.
Divertículo de Zenker
O estudo com bário do esôfago superior de uma mulher de 82 anos com disfagia demonstra um grande divertículo originado na parede posterior do esôfago superior (seta grande), produzindo um estreitamento extrínseco da luz esofágica mais anterior (ponta de seta). Fonte: UpToDate

Tratamento do Divertículo de Zenker

O tratamento do divertículo de Zenker tem como principais objetivos aliviar a disfagia, reduzir a regurgitação e melhorar a passagem do alimento pela junção faringoesofágica. O princípio central da terapia é a secção do músculo cricofaríngeo, responsável pela obstrução funcional do esfíncter esofágico superior.

  • Pacientes assintomáticos: não necessitam tratamento imediato. O acompanhamento clínico é suficiente até aparecimento de sintomas ou aumento do divertículo.
  • Tratamento endoscópico flexível: é atualmente a terapia de primeira linha para a maioria dos pacientes sintomáticos, por ser menos invasiva, apresentar menor tempo de internação e recuperação mais rápida.
    • Septotomia endoscópica flexível (FES): técnica mais utilizada. Consiste na secção do septo entre o esôfago e o divertículo, incluindo o músculo cricofaríngeo, criando uma cavidade comum que facilita a drenagem alimentar. É preferida em divertículos maiores que 2 cm.
    • Z-POEM e POES: técnicas mais recentes que utilizam tunelização submucosa para realizar miotomia mais completa do septo diverticular. São particularmente úteis em divertículos menores que 2 cm.
  • Endoscopia rígida: alternativa terapêutica realizada sob anestesia geral, utilizando grampeadores ou laser para dividir o septo diverticular. Pode apresentar maior dificuldade técnica em pacientes com limitação da mobilidade cervical.
  • Cirurgia aberta transcervical: indicada quando o tratamento endoscópico não é possível ou viável. Pode incluir:
    • Diverticulectomia associada à miotomia cricofaríngea;
    • Diverticulopexia em pacientes de maior risco cirúrgico.
  • Recorrência: pode ocorrer após qualquer modalidade terapêutica, sendo mais frequente após tratamento endoscópico. Nesses casos, a reabordagem endoscópica flexível costuma ser a opção preferida.

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Referências

Foke van Delft, MD, FEBGH. Zenker’s diverticulum. UpToDate, 2025. Disponível em: UpToDate

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