E aí, doc! Vamos explorar mais um tema essencial? Hoje o foco é o Plexo Braquial, uma complexa rede nervosa formada pelos ramos anteriores dos nervos espinhais de C5 a T1, responsável pela inervação motora e sensitiva do membro superior, organizada em raízes, troncos, divisões, fascículos e ramos terminais.
O Estratégia MED está aqui para descomplicar esse conceito e ajudar você a aprofundar seus conhecimentos, promovendo uma prática clínica cada vez mais eficaz e segura.
Vamos nessa!
Definição de Plexo braquial
O plexo braquial é uma rede de nervos formada pelos ramos anteriores dos nervos espinhais de C5 a T1, responsável pela inervação motora e sensitiva do membro superior, incluindo a região escapular. Ele se estende da região cervical até a axila e é organizado, no sentido proximal-distal, em raízes, troncos, divisões, fascículos e ramos terminais.
Os três troncos são formados pela união das raízes: o tronco superior por C5-C6, o tronco médio por C7 e o tronco inferior por C8-T1. Cada tronco se divide em porções anterior e posterior, que posteriormente se reorganizam para formar os fascículos lateral, posterior e medial, relacionados à artéria axilar. A partir desses fascículos originam-se os principais ramos terminais que levam fibras nervosas para o membro superior.
Embriologia do Plexo Braquial
A formação do plexo braquial está relacionada ao desenvolvimento dos nervos espinhais e ao crescimento dos membros superiores durante o período embrionário. As fibras motoras têm origem em células da placa basal da medula espinal em desenvolvimento e emergem através das raízes nervosas ventrais. Já as fibras sensitivas originam-se de células da crista neural, formando as raízes nervosas dorsais.
Durante o desenvolvimento, as raízes dorsais crescem em direção às raízes ventrais e se unem a elas, formando os nervos espinhais. Posteriormente, cada nervo espinhal divide-se em ramos primários dorsais e ventrais. Os ramos ventrais dos nervos C5 a T1 participam da formação do plexo braquial.
Com o desenvolvimento do broto do membro superior, os nervos se alongam e crescem em direção ao membro, organizando-se de acordo com padrões dermatoméricos e miotômicos. Assim, a disposição do plexo braquial resulta da combinação entre o desenvolvimento dos nervos espinhais e o crescimento progressivo do membro superior.

Estrutura e função do Plexo Braquial
O plexo braquial é uma rede nervosa responsável pela inervação motora e sensitiva do membro superior, incluindo a região escapular. Ele se estende desde a região cervical, atravessando o triângulo posterior do pescoço, até a axila, braço, antebraço e mão.
Sua estrutura é organizada, no sentido proximal para distal, em raízes, troncos, divisões, fascículos e ramos terminais:
- Raízes: correspondem aos ramos anteriores dos nervos espinhais C5 a T1.
- Troncos: as raízes se unem para formar três troncos:
- Superior: C5 + C6;
- Médio: C7;
- Inferior: C8 + T1.
- Divisões: cada tronco se divide em uma divisão anterior e uma posterior.
- Fascículos: as divisões se reorganizam ao redor da artéria axilar, formando:
- Fascículo lateral: divisões anteriores dos troncos superior e médio;
- Fascículo medial: continuação da divisão anterior do tronco inferior;
- Fascículo posterior: união das três divisões posteriores.
- Ramos terminais: os fascículos dão origem aos principais nervos do membro superior, formando cinco ramos terminais.

A organização do plexo permite que as fibras provenientes de diferentes níveis medulares se misturem e sejam distribuídas para diferentes regiões do membro superior. Dessa forma, o plexo braquial desempenha papel fundamental no controle dos movimentos e na transmissão da sensibilidade do membro superior.

Nervos do plexo braquial
Os nervos do plexo braquial podem ser organizados de acordo com o local em que se originam: raízes, troncos, fascículos e ramos terminais. Eles são responsáveis pela inervação motora e sensitiva do membro superior e de músculos da região escapular e torácica.
Nervos originados diretamente das raízes
Dois nervos originam-se diretamente das raízes do plexo:
- Nervo dorsal da escápula (C5): inerva o músculo levantador da escápula e os músculos romboides maior e menor.
- Nervo torácico longo (C5-C7): inerva o músculo serrátil anterior e acompanha a artéria torácica lateral.
Ambos podem atravessar o músculo escaleno médio. Além deles, a raiz de C5 contribui para a formação do nervo frênico.
Ramos dos troncos
O tronco superior (C5-C6) origina dois nervos:
- Nervo supraescapular (C5-C6): atravessa a incisura da escápula e inerva os músculos supraespinal e infraespinal.
- Nervo para o músculo subclávio (C5-C6): responsável pela inervação do músculo subclávio.
Os troncos médio e inferior não apresentam ramos. Também não existem ramos originados diretamente das divisões anterior e posterior.
Ramos dos fascículos
A maior parte dos ramos do plexo braquial origina-se dos fascículos lateral, medial e posterior.
Fascículo lateral
- Nervo peitoral lateral (C5-C7): inerva principalmente o músculo peitoral maior.
Fascículo medial
- Nervo peitoral medial (C8-T1): inerva os músculos peitoral maior e peitoral menor.
- Nervo cutâneo medial do braço: fornece sensibilidade à região medial do braço.
- Nervo cutâneo medial do antebraço: fornece sensibilidade à região medial do antebraço.
Fascículo posterior
- Nervo subescapular superior (C5-C6): inerva o músculo subescapular.
- Nervo toracodorsal (C6-C8): inerva o latíssimo do dorso.
- Nervo subescapular inferior (C5-C6): inerva os músculos subescapular e redondo maior.
Ramos terminais
Os cinco principais ramos terminais do plexo braquial são os nervos musculocutâneo, mediano, ulnar, axilar e radial.
| Nervo | Raízes | Principais funções |
| Musculocutâneo | C5-C7 | Inerva bíceps braquial, coracobraquial e braquial; fornece sensibilidade ao antebraço lateral. |
| Mediano | C6-T1 | Inerva grande parte dos músculos do compartimento anterior do antebraço e músculos da região tenar; fornece sensibilidade principalmente à região lateral da palma e aos dedos correspondentes. |
| Ulnar | C8-T1 | Inerva músculos do compartimento anterior medial do antebraço e grande parte da musculatura intrínseca da mão; fornece sensibilidade à região medial da mão. |
| Axilar | C5-C6 | Inerva os músculos deltoide e redondo menor e fornece sensibilidade à região lateral do ombro. |
| Radial | C5-T1 | Inerva os músculos do compartimento posterior do braço e antebraço, participando principalmente dos movimentos de extensão; também fornece sensibilidade ao dorso da mão. |


Condições que alteram o plexo braquial
As principais condições descritas no texto que podem comprometer o plexo braquial são a paralisia obstétrica do plexo braquial e as síndromes do desfiladeiro torácico.
Paralisia obstétrica do plexo braquial
A paralisia obstétrica do plexo braquial ocorre por lesão dos nervos do plexo durante o processo de nascimento. Aproximadamente 40% a 50% dos casos correspondem a lesões das raízes C5 e C6, caracterizando a chamada paralisia de Erb.
Na paralisia de Erb, o membro afetado apresenta uma posição característica:
- Ombro em rotação medial;
- Antebraço pronado;
- Punho fletido.
A evolução depende da gravidade da lesão. Nos casos clássicos de paralisia de Erb, aproximadamente 90% dos pacientes apresentam recuperação espontânea. Quando a lesão envolve C5-T1 e não há melhora significativa nas primeiras 10 semanas de vida, pode haver indicação de tratamento cirúrgico. Fisioterapia e terapia ocupacional também podem fazer parte do tratamento.
Síndrome do desfiladeiro torácico
A síndrome do desfiladeiro torácico (TOS) ocorre quando há compressão do plexo braquial na região do desfiladeiro torácico. Essa compressão pode provocar sintomas dolorosos, principalmente:
- Dor cervical;
- Dor na região do trapézio;
- Dor no ombro e/ou braço;
- Dor torácica.
Assim, as alterações do plexo braquial podem resultar tanto de lesões traumáticas ou obstétricas dos nervos quanto de compressão do plexo, comprometendo sua função motora e/ou sensitiva.
De olho na prova!
Acompanhe uma questão feita pela equipe do Estratégia MED sobre o plexo braquial (disponível no banco de questões do Estratégia MED):
(Estratégia MED 2023) O plexo braquial é um grande conjunto de fibras nervosas que se dirigem para o membro superior e para a cintura escapular. Sobre a organização do plexo braquial, assinale a alternativa que enumera corretamente os segmentos que compõem essa estrutura.
A) Cinco raízes (C1, C2, C3, C4 e C5), três troncos (superior, médio e inferior), duas divisões (anterior e posterior) em cada tronco e três fascículos (lateral, medial e posterior).
B) Três raízes (C5, C6 e C7), três troncos (lateral, medial e posterior), duas divisões (anterior e posterior) em cada tronco e três fascículos (superior, médio e inferior).
C) Cinco raízes (C5, C6, C7, C8 e T1), três troncos (superior, médio e inferior), duas divisões (anterior e posterior) em cada tronco e três fascículos (lateral, medial e posterior).
D) Três raízes (C7, C8 e T1), três troncos (lateral, medial e posterior), duas divisões (anterior e posterior) em cada tronco e três fascículos (superior, médio e inferior).
E) Cinco raízes (C5, C6, C7, C8 e T1), três troncos (lateral, medial e posterior), duas divisões (anterior e posterior) em cada tronco e três fascículos (superior, médio e inferior).
Comentário da Equipe EMED
O plexo braquial é formado a partir dos ramos anteriores dos nervos espinhais de C5 a T1, que são chamados de raízes do plexo. As raízes de C5 e C6 unem-se para formar o tronco superior, e as raízes de C8 e T1 unem-se para formar o tronco inferior. A raiz de C7 continua como tronco médio. Cada um dos troncos emite uma divisão anterior e uma divisão posterior. As divisões posteriores dos três troncos compõem o fascículo posterior, enquanto as divisões anteriores do tronco superior e do tronco médio formam o fascículo lateral. A divisão anterior do tronco médio é a responsável por formar o fascículo medial. As denominações dos fascículos referem-se à posição que eles ocupam em relação à artéria axilar, que é rodeada pelo plexo. A partir dos fascículos e diretamente do próprio plexo, originam-se nervos que se encaminham para o membro superior e para a cintura escapular. Portanto, alternativa C.
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Referências
BROMBERG, MB. Brachial plexus syndromes. Uptodate, 2023. Disponível em: Uptodate
Marieb, Elaine N.; Wilhelm, Patricia Brady; Mallatt, Jon. Anatomia humana. 7. SÃO PAULO: Pearson Education, 2014, 888 p.
NETTER, Frank H.. Atlas de anatomia humana. 7ª RIO DE JANEIRO: Elsevier, 2019, 602 p
Polcaro L, Charlick M, Daly DT. Anatomy, Head and Neck: Brachial Plexus. [Updated 2023 Aug 14]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2026 Jan-. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK531473/


