Resumo de Envelhecimento Imunológico: conceito e mais!
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Resumo de Envelhecimento Imunológico: conceito e mais!

Olá, querido doutor e doutora! O envelhecimento imunológico envolve alterações estruturais, celulares e moleculares que comprometem a eficiência da imunidade inata e adaptativa ao longo da vida. Essas mudanças estão associadas a maior vulnerabilidade a infecções, menor resposta vacinal e aumento da carga de doenças crônicas em idosos. 

O envelhecimento imunológico resulta em redução da diversidade linfocitária, acúmulo de células senescentes e estado persistente de inflamação crônica de baixo grau.

O que é o Envelhecimento imunológico 

O envelhecimento imunológico corresponde à deterioração progressiva da função do sistema imunológico associada à idade, processo denominado imunossenescência. Trata se de um fenômeno que envolve alterações quantitativas e qualitativas tanto da imunidade inata quanto da adaptativa.

No compartimento adaptativo, observa se involução tímica, redução da diversidade de linfócitos T e B, menor capacidade de resposta a antígenos novos e expansão de clones de memória. Paralelamente, há prejuízo funcional de células fagocíticas e da apresentação antigênica, refletindo comprometimento também da imunidade inata.

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Alterações do sistema imune inato 

Neutrófilos e macrófagos

O envelhecimento está associado à redução da quimiotaxia, fagocitose e capacidade microbicida de neutrófilos e macrófagos. Essa disfunção compromete a contenção inicial de patógenos e reduz a eficiência da resposta inflamatória precoce, favorecendo maior gravidade e duração das infecções.

Células dendríticas

Observa se prejuízo na apresentação antigênica, com ativação subótima da imunidade adaptativa. A menor eficiência na interface entre imunidade inata e adaptativa contribui para redução da imunogenicidade vacinal e menor geração de resposta específica robusta.

Células NK

Há alterações fenotípicas relevantes, incluindo redução da subpopulação CD56bright, acúmulo de células CD56dim CD57 positivas e diminuição da expressão de receptores ativadores. Essas mudanças resultam em queda da citotoxicidade e da produção de citocinas, impactando a vigilância antiviral e antitumoral.

Receptores de reconhecimento de patógenos

Ocorre diminuição da produção de citocinas pró inflamatórias e interferons após estímulo de receptores como TLRs e RIG I. Alterações na sinalização e na migração celular levam a resposta antiviral e antibacteriana mais tardia e menos eficaz, além de menor resposta a vacinas.

Perfil inflamatório tecidual

Há aumento de monócitos e macrófagos com perfil pró inflamatório em tecidos periféricos, contribuindo para o estado de inflamação crônica de baixo grau, característico do inflammaging.

Paralelamente, verifica se disfunção metabólica e epigenética das células inatas, com maior expressão de marcadores de senescência e do fenótipo secretor associado à senescência, incluindo IL 6, IL 8 e TNF alfa.

Alterações do sistema imune adaptativo  

Involução tímica e repertório de células T

O envelhecimento promove involução do timo, com redução progressiva da produção de linfócitos T naïve. Como consequência, há diminuição da diversidade do repertório de TCR, limitando a capacidade de reconhecimento de antígenos novos e comprometendo a resposta primária a patógenos emergentes.

Expansão de células T de memória e senescentes

Observa se acúmulo de células T de memória altamente diferenciadas, principalmente CD8 positivas e CD4 positivas, com aumento de células T senescentes. Essas populações apresentam perda de marcadores coestimulatórios como CD28, redução da capacidade proliferativa e menor eficiência funcional, configurando remodelamento do compartimento T associado à idade.

Disfunção de células T helper

Há redução da atividade de células T helper CD4 positivas, com menor produção de IL 2 e redução da plasticidade funcional. Essa alteração impacta negativamente a ativação de células B, a formação de resposta humoral adequada e a imunogenicidade vacinal.

Alterações no compartimento de células B

Ocorre diminuição do número e da diversidade de células B, associada a redução da mudança de classe de imunoglobulinas e menor geração de anticorpos de alta afinidade. Também há aumento de células B associadas à senescência, o que compromete a qualidade da resposta humoral frente a novos antígenos.

Centros germinativos e órgãos linfoides secundários

A disfunção dos centros germinativos e a deterioração estrutural dos órgãos linfoides secundários prejudicam a interação entre células T e B, afetando a maturação por afinidade e a consolidação da memória imunológica.

Alterações moleculares e inflammaging

Linfócitos T e B envelhecidos apresentam aumento da expressão de marcadores de senescência, como CDKN1A p21 e CDKN2A p16INK4a, além de maior produção de mediadores associados ao fenótipo secretor da senescência, incluindo IL 6 e TNF alfa. Essas alterações contribuem para o estado de inflamação crônica de baixo grau característico do inflammaging.

Mecanismos celulares e moleculares 

Involução do timo

A redução progressiva da atividade tímica leva à diminuição da produção de linfócitos T naïve e à contração da diversidade do repertório de TCR. Essa limitação compromete a capacidade de montar respostas primárias eficientes frente a antígenos novos e reduz a adaptabilidade imunológica ao longo do envelhecimento.

Acúmulo de células T de memória e senescentes

Há predomínio de células T altamente diferenciadas, com perda de marcadores coestimulatórios como CD28, menor capacidade proliferativa e aumento de células com fenótipo terminal. Essas células apresentam perfil secretor pró inflamatório, com produção de mediadores associados ao fenótipo secretor da senescência, incluindo IL 6, IL 8 e TNF alfa, contribuindo para remodelamento funcional do compartimento T.

Alterações epigenéticas e genéticas

O envelhecimento imunológico envolve aumento da expressão de inibidores do ciclo celular, como CDKN1A p21 e CDKN2A p16INK4a, além de alterações na metilação do DNA e modificações de histonas, como H3K27me3. Essas mudanças impactam a plasticidade, a diferenciação e a funcionalidade dos linfócitos, favorecendo estado de senescência celular.

Redução da diversidade e função das células B

Observa se menor capacidade de mudança de classe de imunoglobulinas, redução na geração de anticorpos de alta afinidade e aumento de células B associadas à senescência. Essas alterações prejudicam a qualidade da resposta humoral e limitam a eficácia de respostas a novos antígenos.

Disfunção dos centros germinativos e órgãos linfoides secundários

Alterações estruturais e funcionais nos órgãos linfoides secundários comprometem a interação entre células T e B, reduzindo a maturação por afinidade e a consolidação da memória imunológica, com impacto direto na resposta vacinal.

Inflammaging

O estado de inflamação crônica de baixo grau decorre da secreção persistente de citocinas pró inflamatórias por células senescentes. Esse ambiente inflamatório sustentado contribui para imunodeficiência relativa, maior risco de autoimunidade e maior incidência de doenças associadas à idade.

Impacto clínico

Suscetibilidade a infecções

A involução do timo e a redução de linfócitos T naïve limitam a capacidade de resposta a antígenos novos, aumentando a vulnerabilidade a infecções. A menor diversidade do repertório de receptores de células T e B resulta em respostas menos eficientes a patógenos emergentes, com maior risco de complicações e mortalidade em idosos.

Redução da eficácia vacinal

As alterações adaptativas, associadas a disfunção epigenética e metabólica, levam a menor imunogenicidade vacinal, com resposta humoral e celular menos robusta e de menor duração. Esse fenômeno foi evidenciado em epidemias recentes, como influenza e COVID 19, nas quais idosos apresentaram maior gravidade clínica.

Neoplasias e autoimunidade

O acúmulo de células T e B senescentes compromete a vigilância imunológica contra tumores e favorece produção de autoanticorpos. Esse remodelamento imunológico está associado a maior risco de câncer e doenças autoimunes, refletindo desregulação da tolerância imunológica.

Inflammaging e comorbidades

O estado de inflamação crônica de baixo grau contribui para o desenvolvimento e progressão de comorbidades como aterosclerose, diabetes e declínio funcional sistêmico. A persistência de citocinas pró inflamatórias amplifica disfunções metabólicas e vasculares relacionadas ao envelhecimento.

Impacto em situações clínicas complexas

Em contextos como transplantes, observa se menor taxa de rejeição aguda, porém com maior risco de infecções oportunistas e falência de órgãos, refletindo imunocompetência reduzida.

Resposta vacinal no idoso 

Alterações imunológicas associadas

O envelhecimento imunológico compromete a resposta vacinal por meio de involução tímica, redução da produção de linfócitos T naïve e diminuição da diversidade do repertório de TCR. O acúmulo de células T e B senescentes, aliado à disfunção dos centros germinativos, limita a coordenação entre imunidade celular e humoral após a vacinação.

Comprometimento da resposta celular e humoral

Há menor geração de células T helper CD4 positivas funcionais, com impacto direto na ativação de células B. Observa se redução da produção de anticorpos de alta afinidade, menor expansão clonal e resposta humoral menos robusta. Clinicamente, isso se traduz em títulos de anticorpos mais baixos, menor capacidade de neutralização e declínio mais rápido da imunidade pós-vacina.

Inflammaging e alterações moleculares

O estado de inflamação crônica de baixo grau interfere na maturação de células de memória e na resposta a antígenos novos. Alterações epigenéticas, incluindo aumento de CDKN1A p21 e CDKN2A p16INK4a, contribuem para redução da plasticidade imunológica e menor duração da proteção vacinal.

Biomarcadores do envelhecimento imunológico

Marcadores celulares

Entre os principais achados celulares destacam se a redução de linfócitos T naïve, especialmente CD8 positivos, e o acúmulo de células T de memória terminalmente diferenciadas com fenótipo CD28 negativo, CD57 positivo e KLRG1 positivo. Esses perfis refletem expansão de populações altamente diferenciadas e menor capacidade proliferativa.

No compartimento B, observa se contração do repertório e redução da diversidade adaptativa, indicando limitação na resposta a antígenos novos.

Marcadores moleculares

No nível molecular, há aumento da expressão de inibidores do ciclo celular como CDKN1A p21 e CDKN2A p16INK4a, associados à senescência celular. Também são descritas alterações epigenéticas, incluindo mudanças na metilação global do DNA e modificações de histonas, como H3K27me3, que impactam a regulação gênica e a funcionalidade linfocitária.

Marcadores inflamatórios

O estado de inflamação crônica de baixo grau é evidenciado por níveis elevados de IL 6, TNF alfa, proteína C reativa, CXCL8 e sPD 1, associados a fragilidade e maior risco de doenças relacionadas à idade. A combinação de sPD 1, IL 6 e sCD28 aumenta a acurácia para identificação de imunossenescência em contexto clínico.

Aplicações clínicas e laboratoriais

A avaliação desses biomarcadores pode ser realizada por citometria de fluxo para análise de subpopulações celulares, ELISA para mediadores solúveis e métodos moleculares para marcadores de senescência.

Estratégias de modulação imunológica 

Vacinas com adjuvantes

Formulações contendo adjuvantes como MF59 e AS01 aumentam a ativação de células do sistema imune inato, especialmente células dendríticas e monócitos, compensando parcialmente sua disfunção relacionada à idade. Agonistas de TLR ampliam a sinalização imune inicial e promovem maior resposta adaptativa, com aumento de imunogenicidade em idosos.

Vacinas de alta dose

Vacinas com maior concentração de antígeno, como influenza de alta dose, buscam superar a limitação da resposta adaptativa reduzida. Estudos demonstram maior eficácia clínica e maior produção de anticorpos nessa população, quando comparadas às formulações padrão.

Vacinas mRNA

Plataformas de mRNA induzem respostas humorais e celulares robustas, incluindo ativação de células T. Embora a magnitude seja inferior à observada em adultos jovens, essas vacinas apresentam boa capacidade de indução de anticorpos neutralizantes e resposta celular mesmo em idosos.

Modulação do inflammaging

A atenuação da inflamação crônica de baixo grau pode melhorar a resposta imune. Inibidores de mTOR, como sirolimus e RTB101, demonstram aumento de títulos de anticorpos e redução de infecções respiratórias. Bloqueadores de p38 MAPK também mostram benefício na melhora da resposta vacinal, especialmente em vacinas como herpes zoster.

Senolíticos e intervenções geroscience

Fármacos senolíticos, voltados à eliminação de células senescentes, e intervenções como restrição calórica apresentam potencial para reverter aspectos da imunossenescência, embora ainda estejam em fase de investigação clínica. Essas abordagens buscam restaurar a homeostase imunológica e reduzir o ambiente pró inflamatório.

Intervenções nutricionais e microbioma

Suplementação nutricional adequada e uso de probióticos podem modular o microbioma intestinal, reduzir inflamação sistêmica e impactar positivamente a resposta vacinal. A interação eixo intestino sistema imune representa alvo promissor para estratégias integradas.

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Referências bibliográficas 

  1. LEWIS, E. D.; WU, D.; MEYDANI, S. N. Age associated alterations in immune function and inflammation. Progress in Neuro Psychopharmacology and Biological Psychiatry, 2022.
  1. SOLANA, R.; TARAZONA, R.; GAYOSO, I. et al. Innate immunosenescence: effect of aging on cells and receptors of the innate immune system in humans. Seminars in Immunology, 2012.
  1. HAZELDINE, J.; LORD, J. M. Innate immunesenescence: underlying mechanisms and clinical relevance. Biogerontology, 2015.

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