Resumo de escala de coma de Glasgow: diagnóstico, tratamento e mais!

Resumo de escala de coma de Glasgow: diagnóstico, tratamento e mais!

A escala de coma de Glasgow é uma ferramenta clínica imprescindível nas emergências do mundo inteiro. Seu uso foi inicialmente destinado a pacientes vítimas de trauma, mas hoje em dia acaba sendo utilizado em outras situações clínicas. 

Por ser um assunto muito frequente nas provas de residência médica, confira os principais aspectos referentes a este tema que aparecem nos atendimentos e como são cobrados nas provas de residência médica!

Como surgiu a escala de coma de Glasgow

Publicada pela primeira vez em 1974 na Universidade de Glasgow pelos professores de neurocirurgia Graham Teasdale e Bryan Jennett, a Escala de Coma de Glasgow (ECG) surgiu devido a necessidade de sistematizar o atendimento às vítimas de traumatismo crânio encefálico (TCE). 

Os TCEs representam um dos principais problemas de saúde pública mundial, principalmente porque é uma importante causa de mortes em adolescentes e adultos jovens. No Brasil, a taxa de mortalidade por esta causa chega a 39,3/100.000 habitantes, representando mais de 100.000 vítimas fatais por ano.

A ECG é utilizada para avaliar o nível de consciência mediante a observação do comportamento, baseando-se em um valor numérico. São avaliados a abertura ocular e a melhor resposta motora e verbal. 

#Ponto importante: A ECG é utilizada dentro do ABCDE do trauma, durante a avaliação primária. Quando se avalia o D, estamos avaliando disfunções neurológicas. 

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Pontuação da escala de coma de Glasgow

O Coma Score total tem valores entre três e 15, sendo três o pior e 15 o mais alto. 

A pontuação é a soma das pontuações, bem como os elementos individuais. Por exemplo, uma pontuação de 10 pode ser expressa como GCS10 = E3V4M3.

Melhor resposta ocular (4 pontos):

  1. Sem abrir os olhos;
  2. Abertura dos olhos para a dor;
  3. Abertura dos olhos ao som; e
  4. Olhos abertos espontaneamente.

Melhor resposta verbal (5 pontos):

  1. Nenhuma resposta verbal;
  2. sons incompreensíveis;
  3. palavras impróprias;
  4. Confuso; e
  5. Orientado.

Melhor resposta motora (6 pontos): 

  1. Sem resposta motora;
  2. Extensão anormal da dor;
  3. Flexão anormal à dor;
  4. Retirada da dor;
  5. Localizando a dor; e
  6. Obedece aos comandos.

Classificação do TCE pela escala de coma de Glasgow

O TCE é classificado em leve, moderado e grave, de acordo com a pontuação do nível de consciência, mensurado pela ECG: 

  • TCE leve: 13 a 15 pontos;
  • TCE moderado: 9 a 12 pontos ; e
  • TC grave: menor ou igual a 8 pontos.

Significado clínico

O principal objetivo do manejo dos pacientes com TCE é prevenir lesões cerebrais secundárias. Por isso, as decisões em pacientes com comprometimento mais grave incluem a proteção das vias aéreas e a triagem para determinar a transferência do paciente. 

#Ponto importante: Para pacientes com TCE grave, ou seja, ECG menor ou igual a 8, vítimas de trauma, é indicado via aérea avançada. 

Gennarelli et al, foram os primeiros a relacionar a pontuação total da ECG, o prognóstico neurológico e mortalidade dos pacientes vítimas de TCE. Diversos estudos posteriores confirmaram essa relação, mas também demonstraram que as descobertas para as respostas oculares, verbais e motoras também se relacionam com o resultado de maneiras distintas, de modo que a avaliação de cada uma separadamente produz mais informações do que a pontuação total agregada.

#Ponto importante: Por mais que seu valor tenha sido demonstrado em estudos, nem a pontuação da ECG nem qualquer característica isoladamente devem ser usadas para prever o resultado de um paciente individual. 

Como caem nas provas

A escala de coma de Glasgow aparece nas provas dentro dos casos clínicos de trauma. Ele pode aparecer apenas como um dado adicional, mas comumente é solicitada a pontuação do ECG ou a conduta a partir dela. Vejo exemplo abaixo:

1) AM – CERMAM, 2021: Paciente com Trauma Crânio Encefálico, apresenta abertura ocular a comandos verbais, responde com palavras inapropriadas e localiza dor; tem o escore na Escala de Coma de Glasgow: 

A – 10

B – 9 

C – 11

D – 12

2)  INSTITUTO AOCP – 2015 – EBSERH – Médico clínico: Jovem de 23 anos, masculino, é levado à unidade de pronto atendimento com história de colisão moto contra anteparo (perdeu o controle da motocicleta e colidiu contra uma árvore, em alta velocidade). Segundo o médico do serviço pré- hospitalar, o jovem estava bastante confuso no local, em decúbito dorsal, obedecia a comandos e abria os olhos aos chamados. Além do exposto, apresentava otorragia à direita, com saída de material esbranquiçado (provável massa encefálica). Durante o atendimento inicial no PA, o médico indicou intubação orotraqueal, devido ao nível de consciência. Você concorda com esta conduta?

A- Não, pois, na escala de coma de Glasgow, o paciente tem 13 pontos.

B- Sim, pois a presença de saída de massa encefálica caracteriza traumatismo cranioencefálico (TCE) grave, independentemente da pontuação na escala de glasgow.

C- Sim, pois a cinemática do trauma indica grande energia, com possibilidade de lesões graves.

D- Não, pois a intubação orotraqueal só deve ser realizada após realização de tomografia computadorizada de crânio para o correto diagnóstico do TCE.

E- Sim, pois o paciente pontua 8 na escala de glasgow.

Gabarito das questões:

  1. C
  2. A

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Veja também:

Referências bibliográficas:

  • ATLS – Advanced Trauma Life Support for Doctors. 10. ed. Chicago: Committee on Trauma, 2018, 9 p.
  • Jain S, Iverson LM. Glasgow Coma Scale. [Updated 2022 Jun 21]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2023 Jan-. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK513298/
  • Crédito da imagem em destaque: Pexels
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