E aí, doc! Vamos explorar mais um tema essencial na prática médica? Hoje o foco é a audiometria, o exame comportamental e psicoacústico fundamental na avaliação da função auditiva, utilizado para determinar os limiares de audição e classificar eventuais perdas em condutiva, neurossensorial ou mista.
Estamos aqui para descomplicar esse conceito e ajudar você a aprofundar seus conhecimentos, promovendo uma prática clínica cada vez mais eficaz e segura.
Vamos nessa!
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O que é a audiometria?
Esse exame permite determinar os limiares de audição em diferentes frequências sonoras e identificar a presença, a gravidade e a configuração de possíveis perdas auditivas.
Sua execução envolve duas modalidades essenciais e complementares: a audiometria tonal e a audiometria vocal. A etapa tonal avalia as respostas a sons puros apresentados por condução aérea e por condução óssea, enquanto a etapa vocal mensura a capacidade do paciente de detectar, reconhecer e compreender a linguagem falada.
Ao integrar esses dados, o teste possibilita classificar as alterações auditivas nos tipos condutivo, neurossensorial ou misto, além de categorizar seu grau de severidade. Com isso, a audiometria atua como a principal ferramenta no direcionamento do diagnóstico etiológico e no planejamento de condutas clínicas ou de reabilitação.
Como funciona a audiometria?
A audiometria é realizada em um ambiente acusticamente controlado (cabine acústica) com equipamento calibrado, garantindo que ruídos do ambiente não interfiram na precisão dos resultados. Antes do início dos testes, realiza-se a otoscopia para inspecionar o meato acústico externo e afastar eventuais obstruções por cerume ou alterações anatômicas.
A execução do exame engloba os seguintes procedimentos e etapas fundamentais:
- Audiometria tonal por condução aérea: apresentam-se sons puros por meio de fones de ouvido na faixa de frequências de 250 a 8000 Hz, avaliando a sensibilidade global do sistema auditivo.
- Audiometria tonal por condução óssea: utiliza-se um vibrador ósseo posicionado no processo mastóide para estimular diretamente a cóclea, avaliando a resposta da orelha interna.
- Pesquisa do limiar auditivo: os estímulos são apresentados ajustando a intensidade em degraus de 5 dB até identificar o som mais fraco percebido pelo paciente em pelo menos 50% das apresentações.
- Uso do mascaramento: aplica-se um ruído na orelha não testada sempre que houver risco de transmissão transcraniana do som, assegurando que a resposta obtida pertença exclusivamente à orelha avaliada.
- Audiometria vocal: aferem-se o Limiar de Consciência da Fala (SAT), o Limiar de Reconhecimento da Fala (SRT) e o Índice de Reconhecimento de Palavras (WRS), mensurando a capacidade do paciente de detectar e compreender a linguagem.
Em conjunto, esses procedimentos fornecem um mapeamento detalhado da audição, permitindo estabelecer os limiares auditivos e avaliar a capacidade funcional de percepção da fala.
Como interpretar a audiometria?
A interpretação da audiometria exige a análise conjunta dos achados tonais e vocais para avaliar tanto a sensibilidade auditiva quanto a funcionalidade do processamento da linguagem. O ponto de partida é a leitura do audiograma, gráfico no qual o eixo horizontal representa as frequências em Hertz (Hz) e o eixo vertical indica a intensidade sonora em decibéis de nível de audição (dB HL).
A partir desse registro, a média aritmética dos limiares nas frequências de 500, 1000 e 2000 Hz estabelece a Média Tonal Pura (PTA), dado que deve manter estrita congruência com o Limiar de Reconhecimento da Fala (SRT).
Grau da perda auditiva
A severidade do comprometimento auditivo é mensurada e classificada conforme a intensidade necessária para que o paciente perceba os estímulos sonoros:
- Audibilidade normal: limiares mantidos até 20 dB HL em adultos.
- Perda leve: limiares situados entre 20 e 40 dB HL.
- Perda moderada: limiares situados entre 41 e 70 dB HL.
- Perda severa: limiares situados entre 71 e 90 dB HL.
- Perda profunda: limiares superiores a 90 dB HL.
Tipo de perda e topografia da lesão
A comparação entre os limiares obtidos por condução aérea e por condução óssea permite mapear a localização anatômica do problema:
- Perda condutiva: resulta de afecções na orelha externa ou média que impedem a passagem adequada do som. Apresenta condução óssea preservada e condução aérea alterada, gerando um gap aéreo-ósseo igual ou superior a 10 a 15 dB.
- Perda neurossensorial: indica danos nas células ciliadas da cóclea ou no nervo auditivo. Apresenta rebaixamento equivalente em ambas as vias (aérea e óssea), sem a presença de gap aéreo-ósseo significativo.
- Perda mista: decorre do envolvimento simultâneo das estruturas de condução e neurossensoriais, exibindo rebaixamento em ambas as vias mantendo o gap aéreo-ósseo.
Além disso, na avaliação vocal, a redução do rendimento no Índice de Reconhecimento de Palavras (WRS) conforme se aumenta a intensidade do som, fenômeno conhecido como rollover, é um sinal de alerta para patologias retrococleares, como o schwannoma vestibular.
Quando utilizar a audiometria?
A indicação da audiometria é essencialmente clínica e baseia-se na investigação detalhada de queixas auditivas e vestibulococleares. O exame é fundamental diante de manifestações como redução da acuidade auditiva, zumbido, tontura ou vertigem, sensação de orelha tampada (plenitude auricular) e atrasos no desenvolvimento da fala e da linguagem em crianças.
Além da investigação de sintomas, o teste desempenha papel crucial no acompanhamento de patologias otológicas e na monitorização de indivíduos expostos a fatores de risco. Sua realização é indicada no diagnóstico de condições como otites e otosclerose, na avaliação após traumas cranianos ou barotraumas, no rastreamento de danos por exposição ao ruído e no controle da ototoxicidade em pacientes submetidos a tratamentos com quimioterápicos ou antibióticos aminoglicosídeos.
Por fim, a audiometria é indispensável para o direcionamento terapêutico e para a avaliação funcional contínua. Ela fundamenta a indicação e a adaptação de próteses auditivas e implantes cocleares, auxilia no acompanhamento pré e pós-operatório de cirurgias otológicas e fornece documentação objetiva para fins de perícia ocupacional e médico-legal.
Diagnósticos mais frequentes da audiometria
A identificação das patologias através da audiometria exige a correlação rigorosa entre a configuração dos limiares tonais e o desempenho na discriminação da fala. Os diagnósticos mais frequentemente encontrados na rotina audiológica incluem:
- Presbiacusia: perda auditiva neurossensorial progressiva e simétrica decorrente do envelhecimento, caracterizada no audiograma pelo rebaixamento ascendente dos limiares nas frequências mais altas.
- Perda auditiva induzida por ruído (PAIR): dano neurossensorial causado pela exposição contínua a níveis elevados de pressão sonora, cuja marca registrada é o rebaixamento focal ou “entalhe” na frequência de 4000 Hz.
- Otite média com efusão: causa comum de perda auditiva condutiva resultante do acúmulo de líquido na orelha média, apresentando prejuízo na condução aérea e preservação da condução óssea (gap aéreo-ósseo).
- Otosclerose: alteração decorrente da fixação da platina do estribo, manifestando-se como perda condutiva e, caracteristicamente, por uma queda pontual na condução óssea na frequência de 2000 Hz (entalhe de Carhart).
- Doença de menière: afecção do labirinto que provoca perda neurossensorial flutuante, acometendo principalmente as frequências graves nas fases iniciais, associada a zumbido e vertigem.
- Schwannoma vestibular: patologia retrococlear que tipicamente se apresenta como uma perda neurossensorial assimétrica, acompanhada de uma desproporcional redução no reconhecimento de palavras em intensidades mais altas (rollover).
Veja mais!
- Resumo sobre Otite média com efusão: definição, manifestações clínicas e mais!
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- Resumo sobre Refluxo laringofaríngeo: definição, manifestações clínicas e mais!
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- Resumo sobre Divertículo de Zenker: definição, manifestações clínicas e mais!
Referências
CARL, Anja C.; HOHMAN, Marc H.; CORNEJO, Jennifer. Pure-Tone Audiometry. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing, 2023.
DAVIES, Rosalyn A. Audiometry and other hearing tests. In: FURMAN, J. M.; LEMPERT, T. (ed.). Handbook of Clinical Neurology: Neuro-Otology. Amsterdam: Elsevier, 2016. v. 137, cap. 11, p. 157-176.
NAQVI, Yasmin; SUTTON, Andrew E. Speech Audiometry. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing, 2025.



